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Odivelas – Secundária de Caneças, a Degradação é Imensa

Junho 9th, 2014 | by José Maria Pignatelli
Odivelas – Secundária de Caneças, a Degradação é Imensa
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Secundária de Caneças:

Renda anual à ‘Parque Escolar’ vale 400 mil

E a degradação é imensa numa escola nova utilizada apenas pelo segundo ano

A Escola Secundária de Caneças é uma das escolas novas cujas obras terminaram aparentemente em Setembro de 2012, no início do ano lectivo 2012-2013. Foi uma das edificações da fase 3 da empresa Parque Escolar. Cinco meses bastaram para colocar a nu as fragilidades desta construção: Os materiais utilizados são de muito baixa qualidade e fica-nos a ideia que os acabamentos foram dirigidos por técnicos sem qualquer experiência ou qualificação acima de tudo prática.

O pior aconteceu em menos de dois anos. A degradação é imensa: Dezenas de fendas nas empenas do edifício já foram remendadas; os resguardos interiores das janelas tiveram de ser todos retirados porque eram em mdf (aglomerado folheado) e empolaram com as diferenças de temperatura e humidade, impedindo as janelas de abrir; muitos dos puxadores das portas foram substituídos; o auditório não foi concluído; ainda faltam os equipamentos para algumas salas de aula que continuam vazias. Fissuras empenas ext 2 B_650x425

Ainda assim, este ano, a escola pagou à empresa Parque Escolar uma renda de 400 mil euros que inclui – imagine-se – 192 mil euros para despesas de reparação e manutenção. Ou seja, a escola ainda paga para ver corrigidos erros de obra já que a manutenção nem vê-la: basta dar uma volta pelo exterior para ver a degradação absoluta de tectos falsos nos alpendres e das zonas verdes. E se isto não bastasse, no pavilhão que foi recuperado, os alunos não podem tomar banho de água quente porque o interface que transfere o aquecimento dos sistema solar para a caldeira nunca funcionou.

É inadmissível que o Ministério da Educação aceite pagar uma escola nestas circunstâncias. Neste caso nem há que negociar absolutamente nada com aquela EPE: Apenas exigir que se cumpra o caderno de encargos aprovado e que tinha subjacente um orçamento que valia mais de 10 milhões de euros. A empresa Parque Escolar é uma EPE que funciona como uma espécie de PPP, idealizada pelo Estado, há época do governo socialista de José Sócrates, com a única orientação de recriar o parque das escolas secundárias e que, como é do conhecimento público, encontra-se numa situação adversa por ter gasto mais do dobro dos recursos financeiros em metade dos projectos que se propôs realizar e chegaram mesmo a ser aprovados pela tutela de então. Aliás esta é das empresas públicas que mereceu apreciações das mais gravosas até hoje produzidas pelo Tribunal de Contas.Fissuras empenas ext 1_650x425

Na Secundária de Caneças, o projecto de arquitectura será certamente o melhor desta obra, tanto mais que foi premiado. Mas desenganem-se os mais iletrados na matéria. Em bom rigor, o projecto não serve a uma escola: corredores enviesados, com rampas e mais rampas; pavimentos polidos, mesmo nas rampas que as transformam em escorregas; floreiras (?) oblíquas; grandes superfícies vidradas interiores e quase nenhumas viradas ao exterior, promovendo uma escola sem luz natural; portas de acesso sobrelevadas relativamente ao solo nos pavimentos inclinados; uma escada caracol em aço pintado, demasiado perigosa para quem circula no piso inferior e para quem a utiliza.

Nesta escola de Caneças, o Estado investiu milhões sem acautelar a fiscalização das obras que pagou. Um paradigma que se repete vezes sem conta e que motiva as maiores reservas sobre a idoneidade de quem gere os dinheiros públicos, sobre a classe política porque são eles que nomeiam os dirigentes do Estado e sobre a lisura dos procedimentos.

Na secundária de Caneças é quase tudo mau ao nível estruturante. Salva-se a metodologia de ensino, com regras inovadoras e com resultados cada vez mais positivos e onde a taxa de abandono escolar é residual.

Muitas das gorduras consideráveis que todos pagamos encontram-se efectivamente nestes desperdícios, por pagamentos de produtos e serviços que nunca foram realizados capazmente.

Preocupante é verificar que estes equipamentos renovados ou construídos de novo nas maiores cidades valem apenas pelos projectos arquitectónicos em alguns casos e não pela qualidade dos materiais empregues numa clara perspectiva de durabilidade, ou seja de investimento seguro a longo prazo. Talvez por essa percepção, alguns autarcas de concelhos mais pequenos e limitados, optem por adaptar e fazer crescer as escolas com mais de meio século, aproveitando o que têm de bom e copiando isso mesmo para as novas estruturas. Seguramente estão a fazer um trabalho que as gerações futuras vão agradecer.

J.M.Pignatelli

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