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“ O admirável Mundo Novo”

Julho 28th, 2014 | by Odv
“ O admirável Mundo Novo”
Painho Ferreira [Opinião]
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Quando Aldous Huxley escreveu o livro que serve de título ao presente texto, estaria longe de conhecer alguns traços da actual vida moderna. Talvez que maravilhado com as tecnologias então emergentes e com os avanços científicos e técnicos que o período a que alude o seu livro faziam adivinhar, nem pudesse suspeitar da enorme capacidade do ser humano para subverter e impedir que esses avanços se traduzissem em reais vantagens para toda a Humanidade.

As contradições internas do sistema capitalista foram há muito assinaladas e diagnosticadas. São de especial relevo as análises Marxistas sobre o sistema capitalista e, nos dias de hoje, vale a pena revisitá-las.

Covém sublinhar que as Teorias Marxistas no que ao tema anterior dizem respeito, são tudo menos dogmáticas. Só leituras propositadamente enviesadas dos textos de Marx e Engels poderão conduzir à ideia do dogma.

Na realidade as actuais leituras da situação mundial e nacional propagandeadas por inumeros “intoxicadores” da opinião pública, essas sim, são verdadeiramente dogmáticas. Tais leituras apresentam-nos o sistema capitalista como algo inquestionável. Mas, e talvez pior e mais perigoso, esses analistas enveredam pelo propositado caminho da mistificação, da mentira e do embuste.

As palavras que utilizam, despidas de rigor, são elas próprias o veículo da mistificação e da mentira, num evidente desespero de esconder as realidades.

Ao “casino mundial” que se consusbstancia nas inúmeras Bolsas de Valores, onde a especulação financeira se desliga por completo da economia real e ao conjunto de agiotas exploradores que nesse “casino” rapinam muitos milhões de seres humanos, apelidam delicadamente de “mercados”.

Esta palavra de conteúdo benigno, esconde de facto uma das facetas mais brutais e desumanas da exploração capitalista.

Denominar de “mercados” o conjunto de exploradores agiotas que com as suas “off shore” na retaguarda vão paulatinamente retirando em proveito próprio meios à economia e asfixiando o desenvolvimento e o bem estar dos povos é, convenhamos, uma artimanha linguística engenhosa!

É ver os nossos “analistas de serviço” preocupados com os “nervos” dos “mercados”!

Quais nervos, qual quê?

Pode dizer-se que existe uma linguagem corrente propositadamente utilizada para mascarar as realidades. Mas eis que de tempos a tempos lá estão os factos que fazem ruir os “castelos” de areia engenhosamente construídos.

Alguns casos portugueses como o BPN, o BPP e agora o do Grupo BES, ensinam bem o que são os “mercados” e os seus “nervos”!

A “novela” da família Espírito Santo ainda vai no adro! Muitos episódios terão que se suceder até que toda a verdade venha à luz do dia, se é que alguma vez virá.

Há, contudo, uma lição que se pode desde já tirar. Os que se opunham ao regresso do exílio dourado no Brasil das famílias Espírito Santo e outras tinham razão: nada de bom viria para o País se essa gente recuperasse os seus anteriores impérios económicos.

Os que promoveram e no fim aplaudiram esse regresso como sendo benéfico para o Povo Português, não tinham razão.

A vida mostra-o à evidência.

É por isso que o silêncio de algumas personalidades sobre o assunto BES se torna nos dias presentes, ensurdecedor!

Há silêncios cumplices em todos estes casos!

Tudo isto faz crescer em mim a convicção que nos dias de hoje o que mais importa não é discutir personalidades, actores políticos ou cargos. O que realmente importa é discutir as políticas que tais actores suportam.

É dessa discussão séria e sem complexos que pode nascer uma alternativa que trave este verdadeiro retrocesso civilizacional a que assistimos.

Os que agora alimentam a “política espectáculo” e a personalização da vida política são pelo menos moralmente responsáveis pela tragédia maior que se conjectura. Para evitar esse desastre de maiores proporções, urge igualmente que se ponham de lado todas as formas arcaicas de sectarismo que não conduzem a lugar nenhum.

Que não se adulterem mais os factos passados!

Que cada um assuma sem complexos as suas responsabilidades!

Painho Ferreira

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