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Rússia – Oliveira Dias

Agosto 12th, 2014 | by Odv
Rússia – Oliveira Dias
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As coisas estão a azedar para os europeus, no braço de ferro que insistem em manter com a Rússia de Putin, e a comprová-lo aí está a resposta da Rússia ás sanções impostas pelo Ocidente, a pretexto dos acontecimentos na Ucrânia.

A Rússia, que representa,  para a Europa, e consequentemente para Portugal também, um mercado e 12 mil milhões de euros, acaba de impor um boicote ás exportações europeias, em vários domínios.

Para nós, é especialmente grave, porquanto, ainda recentemente se tinham estabelecido compromissos para a exportação de produtos portugueses, para aquele país, e que agora simplesmente ficam congelados até novas ordens.

Concomitantemente com esta reacção russa, ainda temos a possibilidade da interdição do espaço aéreo da Rússia, por onde passam rotas a significar uns milhões de poupança para as companhias aéreas europeias, em combustível não consumido, pelo encurtar da distância, e não só, embora com essa restrição os russos venham a perder o actual encaixe de 200 milhões em taxas de passagem. Isto não é uma questão de ver quem perde mais, mas sim de quem gastará mais, pois isto a acontecer significa que os europeus terão de pagar mais, e os russos simplesmente deixam de receber … e só perde quem tem, quem não em apenas deixa de ganhar.

O pior será quando Putin jogar a carta que tem na manga, refiro-me ao gás que atravessa a Ucrânia, e vem para a Europa, a fim de alimentar as economias da Alemanha e França, as quais simplesmente ficam sem alternativas, sendo forçadas a consumir outros recursos, como o petróleo, mais caro e inimigo do ambiente, mas que os americanos têm com fartura, e talvez a circunstância de não terem assinado o pacto ambiental de Quioto, que pretende combater os abusos daquele recurso, não seja inocente.

Mas Putin tem ainda outra carta, na manga, pois é preciso não olvidar que a Rússia tem um acento permanente no conselho de segurança na ONU, e tem poder de veto.

Os Europeus não perceberam ainda que a política expansionista americana, que visa o controlo dos recursos energéticos, precisa, pelo menos formalmente, ao nível do direito Internacional, do Conselho de Segurança, a fim de chancelar os seus desígnios, e que não passam de meros peões descartáveis no jogo da geo-politica mundial.

A América está lá bem longe do teatro europeu onde se desenrolam demasiadas tensões, das quais a Ucrânia é apenas  aponta do iceberg. Esperemos que este iceberg não venha a ser uma “nova” Polónia … .

Obviamente, já se percebeu que o afastamento da União Europeia, relativamente à Rússia, empurra-a para os braços da América, numa reedição da guerra fria, que após as guerras mundiais substitui a “etant cordial” que marinou a política europeia entre guerras.

Quando se quer o mel, a pior coisa é ir bater na colmeia com um pau … dá sempre mau resultado.

 

Fim

Oliveira Dias

Politólogo

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