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Odivelas – Vereador Incauto

Outubro 23rd, 2014 | by José Maria Pignatelli

É minha convicção que existem detentores de cargos políticos que deviam ser submetidos a formação e, sobretudo a um intenso curso de cultura geral, antes de assumirem os cargos. Estou persuadido que uma percentagem considerável de candidatos a determinados cargos não têm qualquer preparação para o serem. Assenta-lhes os velhos adágios populares: “vale mais parecer que ser” ou “mais vale cair em graça que ser engraçado”.coracao_cmo
Estes eleitos e detentores de cargos públicos proliferam.
Em Odivelas, também existem. E não perdem o ensejo de se comportarem como uma espécie de ‘broncos’. Isso mesmo, de manifestar falta de cultura publicamente. De questionar sem pensar e não ter a humildade de perguntar primeiro. Há dias, numa cerimónia pública, o vereador da cultura estranhou que se cantasse um fado da autoria de Francisco José, tão-só porque desconhecia a existência do artista. Até se pode entender, o músico faleceu em julho de 1988. Pode mesmo compreender-se que não se conheçam temas como “Olhos Castanhos” ou “Guitarra Toca Baixinho”. De qualquer modo, nestas ocasiões recomenda-se cautelas: o silêncio é a melhor opção; depois, recatadamente haverá tempo para afastar dúvidas.

Francisco José foi uma das revelações do Centro de Preparação de Artistas da Rádio e um dos nomes mais populares da canção ligeira dos anos cinquenta. A maior parte da sua carreira foi passada no Brasil, onde obteve um sucesso invulgar e um reconhecimento até aos dias de hoje.
Nasceu em Évora, em 1924 (de seu nome completo Francisco José Galopim de Carvalho) e era irmão do cientista Galopim de Carvalho. Iniciou a carreira profissional, em 1948, depois de abandonar o curso de engenharia. Ainda nesse mesmo ano, foi aceite no Centro de Preparação de Artistas de Rádio da Emissora Nacional. A sua voz chegou a ser a mais preferida do universo dos ouvintes da rádio, o único entretém de então. Em 1951, edita aquele que terá sido o seu ex-libris: a balada Olhos Castanhos que se torna num êxito estrondoso e ficou ligada à sua voz para sempre.

Francisco José em 1964, foi protagonista de um “incidente diplomático”: na RTP, em directo e durante um programa de variedades, afirma que os artistas portugueses eram mal pagos pelas suas participações em programas televisivos, enquanto os artistas internacionais recebiam pequenas fortunas. Como castigo, não voltou a actuar na televisão portuguesa até 1980. Mas já antes tinha protagonizado outro incidente, mas de caracter político, criticando publicamente Oliveira Salazar enquanto presidente do conselho de ministros.

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