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Odivelas – É Natal. Tempo de Gentilezas

Dezembro 25th, 2014 | by José Maria Pignatelli
Odivelas – É Natal. Tempo de Gentilezas
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por José Maria Pignatelli JMPignatelli-ONT20141124

É Natal! É tempo de magia, de festa especial. É universal. Mais uma vez, as famílias reúnem-se. Muitas fazem-no apenas uma vez por ano, precisamente nesta altura. São milhares de emigrantes que atravessam continentes ou percorrem milhares de quilómetros para regressarem a casa, às nossas cidades, vilas e aldeias. A maioria de nós reaviva memórias boas, sentimentos de concórdia, fazem tréguas à competição desenfreada do quotidiano, acolhe os seus e têm sonhos brilhantes.

Mas há cada vez mais alguns de nós que continuarão a enfrentar enormes dificuldades, que não terão Natal, que vão continuar a comer o pão que o diabo amassou, que mantêm a mão estendida à caridade ou anseiam por alguém que lhes bata à porta ou os tirem da rua por uma noite.

O número de portugueses realmente pobres é alarmante: 1,8 milhões. Existem ainda outros 4,489 milhões de portugueses a viver no limiar da pobreza porque auferem menos de 420 euros, em cada um dos 12 meses do ano. E só não são claramente pobres devido às transferências sociais e pensões.

A condição de vida honrada e merecida ainda não é privilégio de metade dos portugueses. Para estes, o Natal é mais um dia que se vence, um momento de angústia renovada, que de Natal, quase sempre, apenas tem o cheiro da lenha queimada, o colorido das ruas, das montras e dos enfeites luminosos.

É Natal, mas não deixamos de viver momentos em que se impõe reflectir sobre os nossos tremendos egoísmos, as nossas convicções distorcidas assentes num profundo irrealismo social e económico que nem a crise – qual dificuldade -, nos regenera.

Centenas de milhares serão convocados pelo consumismo. Vencem as terminologias eletrónicas, as etiquetas aspiracionais, os estigmas ‘low cost’ e ‘outlet’. Também se fazem férias de sonho, onde o peru e o espumante estarão sempre sobre a mesa. O desejo sobrepõe-se ao raciocínio enquanto houver uns tostões no bolso. Afinal, Natal só acontece uma vez por ano… Ora então porque não fazer dele um momento de meditação, sobre tudo o que acontece à nossa volta, a propósito da atualidade e do futuro que ela encerra? Também ter um gesto de conforto para quem mais precisa; bater à porta de alguém, mesmo de um vizinho, mais fragilizado e deixar-lhe um pedaço de esperança? Por que não sermos solidários fora-das-portas ou das caixas registadoras dos supermercados?

Naturalmente é mais fácil acreditarmos que parte das nossas compras – dessa formidável corrida ao consumo -, reverte para uma qualquer instituição. Mas não será menos verdade que essa jamais será a nossa cooperação: antes, e só, das empresas que não param de a publicitar em campanhas massivas associadas às vendas.

Se é certo que estas iniciativas são pagas pela generosidade dos clientes, pelos cidadãos anónimos, não é menos interessante perceber que as verbas distribuídas à caridade se vão eduzir à matéria coletável das empresas promotoras. E curiosamente são os impostos que os clientes pagaram e se encontram dispersos nas faturas. São iniciativas entusiásticas onde muitos de nós participamos, mas raramente se conhecem o verdadeiro retorno dessas campanhas.

É Natal. É tempo de reflexão. É tempo de gentilezas. Façamo-las com coragem e exercitemos a nossa boa influência nas nossas comunidades, nos nossos bairros onde, seguramente, existe uma instituição ou famílias que carecem delas. Sejamos nós a deixar uma “prenda” no sapatinho de quem mais precisa.

O mundo obriga-nos a ter clarividência e sucesso como definiu o filósofo Ralpf Waldo Emerson, no século XIX.

De sermos “mulheres e homens com a habilitação em:

Rir muito e com frequência;

Ganhar o respeito das pessoas inteligentes e o afecto das crianças;

Merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos;

Apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros;

Deixar o Mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou uma redimida condição social;

Saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque cada um de nós viveu”.

Portanto, os nossos sucessos encontram-se intrinsecamente ligados à nossa capacidade em contribuir decididamente para uma vida digna dos mais desprotegidos, dos que sempre passaram todo o género de privações e dos novos pobres que foram contagiados pelas diversas indigências da era contemporânea.

 

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