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Odivelas – O CDS e os valores do 25 de Abril

Maio 3rd, 2015 | by Odv
Odivelas – O CDS e os valores do 25 de Abril
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Odivelas – Vila de Caneças intervenção do deputado do CDS José Pignatelli AMO - 25 de Abril - Caneças 24-04-2015 JMPignatelli (Foto Armindo Cardoso)

É tempo de revolução moral que ensine a conjugar justiça e solidariedade, liberdade e honestidade

Na sessão comemorativa do 25 de Abril, na Vila de Caneças, José Maria Pignatelli, deputado municipal em Odivelas pelo CDS-PP fez um discurso sem se qualquer alusão a uma eventual campanha político-partidária. Da alocução concluímos que para o autarca, o momento impõe uma reflexão, porventura uma espécie de “revolução moral” como preconizava o professor universitário e jesuíta Manuel Antunes em Abril de 1979 a que faz alusão por duas vezes no seu discurso que se transcreve:

«Cessa mais um ano sobre um golpe de estado que propunha estabelecer um novo paradigma social, económico e cultural no País. Comemoramos 41 anos do 25 de Abril em que Portugal também se tornou mais universal, ensaiando uma nova metodologia no relacionamento com o exterior.

Festejamos o termo de um regime republicano autocrata que não conseguiu acompanhar a universalidade, cativado por uma classe mais exclusivista que não permitia uma visão reformadora e uma estratégia de desenvolvimento a médio e longo prazo, mantendo um País pobre, sem mobilidade, com pouca literacia e uma agricultura e indústria de subsistência.

Há 41 anos, julgava-se conseguir reduzir a influência de uma sociedade dominante que silenciava mulheres e homens ávidos em espírito: reconhecidos “mulheres e homens de cultura”, os investigadores, os comprometidos com a vida, os devotos pelo concreto do estritamente ecuménico.

Em 1974, renasceu a esperança. Fomos surpreendidos de novo com sinónimos substantivos como restauração, reconstrução ou reedificação… De um Portugal onde se levantaram inúmeras interrogações, algumas capitais: Onde estávamos? Para onde caminharíamos? Afinal quem éramos? Que espécie de sociedade se desejava?

Tal nos primeiros anos do pós-25 de Abril de 1974, tal no presente: Estas são, seguramente, perguntas que ainda têm sentido. E fico tentado a citar respostas dadas pelo académico Manuel Antunes, no dia 25 de Abril de 1979, precisamente há 36 anos:

“Uma sociedade que não consinta sacrificar, em excesso, a certos mitos da hora: o mito do messianismo de classe; o mito da crença no progresso indefinidamente linear da Humanidade; o mito do imperativo absoluto da revolução tecnocientífica: o mito da necessidade de um Estado omnipotente e omnipresente, sobretudo.

Uma sociedade que promova a socialização política desde cedo, desde a infância, para que, na idade adulta, o homem português possa realizar – co naturalmente realizar – a definição de “animal político”, na liberdade, na sageza, na responsabilidade e na solidariedade.

Uma sociedade em que o capital-esperança não corra o risco de ser desperdiçado como tantas vezes na nossa história (…).

Uma sociedade que não dê aso a que, com tanta frequência como hoje, a memória, o amor e a morte se vão tornando sinónimos do absurdo da existência.

Uma sociedade em que a política não se encontre desvinculada da ética nem a ética se encontre desvinculada da política.

Uma sociedade não cindida (separada) escandalosamente em duas: a da miséria e a do consumo.

Uma sociedade que compreenda a palavra de R.Burns segundo o qual “a mais poderosa lei da Natureza é a mudança”.

Uma sociedade em que sejam percorridas – e vividas – as quatro grandes vias da realidade política: o conhecimento político, a capacidade do agir político, convicções básicas e carácter, principalmente carácter”.

Mas apesar de todos os avanços, a democracia portuguesa acaba por não confrontar rigor e lucidez. Encontra-se ferida, porventura cada vez mais. Ainda não foi capaz de se conferir num verdadeiro Estado de Direito, fixando omissões no acesso à Justiça, à saúde, à cultura, à multiplicidade do ensino, à formação, ao emprego, a um vasto conjunto de serviços dependentes de procedimentos burocráticos e até a condições de vida condignas, para muitas centenas de milhares de cidadãos.

Não recuso as conquistas destes 41 anos:

Temos a liberdade de expressão, circulamos livremente dentro do País e no espaço da União Europeia;

Alfabetizou-se e criou-se já a obrigatoriedade da frequência escolar durante 12 anos e associou-se ao estudo, novas tecnologias de comunicação e de investigação;

Estenderam-se as redes de abastecimento de água, de eletricidade, e saneamento básico a aproximadamente 95% do País;

Nasceu o Serviço Nacional de Saúde imprescindível no bem-estar de milhões portugueses;

Estabeleceu-se um conceito global de segurança social;

Construíram-se rodovias de qualidade aceitável, demasiado dispendiosas é certo, em detrimento da ferrovia, mas que conseguem aproximar o interior do território nacional, a sua ruralidade e a algumas indústrias transformadoras de nicho (fulcrais no desenvolvimento regional), às maiores centralidades que se mantêm teimosamente no litoral do País.

Contudo, três milhões de portugueses continuam a viver no limiar da pobreza e mais de 650.000 crianças e jovens vivem em agregados familiares pobres, passando privações inaceitáveis e incompreensíveis, num País europeu, membro de uma comunidade que se acredita das mais desenvolvidas e ainda com disponibilidade financeira per-capita superior a de muitos países de outros continentes.

O 41 aniversário do 25 de Abril fica marcado pela continuidade das dificuldades de tesouraria da Administração Pública e do sector empresarial privado:

Persiste a necessidade em dar maior importância às questões orçamentais que às sociais e a preocupação em procurar medidas que assegurem a diminuição do deficit, ou seja diminuir a despesa pública ao nível da receita que se consegue captar anualmente;

Reaviva-se a inquietação em controlar e regular as instituições financeiras após o colapso do Banco Espírito Santo, a diminuição da receita ou mesmo prejuízos do setor bancário;

O valor acrescentado para a economia portuguesa é proporcionado maioritariamente pelo esforço individual das micro e das PME’s (as pequenas e médias empresas) que se estendem pelos sectores da metalomecânica (responsáveis por quase 20% do Produto Interno Bruto), do turismo, do calçado e dos têxteis.

Mas neste aniversário da democracia portuguesa importa preconizar uma revolução moral. Os múltiplos acontecimentos na investigação judicial envolvendo instituições públicas e privadas e altas figuras da vida politica, social e económica, impõe uma reflexão: a credibilidade externa das nossas Administrações, bem como a coerência interna de uma “nova sociedade”, que se julgou constituída após 25 de abril, não será mais que uma consciência infrutífera se essa “sociedade nova” não for encorajada em estabelecer nova mentalidade e comportamento, menos discricionário, mais justo e solidário.

Volto a citar o académico e jesuíta Manuel Antunes: É imperiosa «uma revolução moral que articule o sentido do passado com o sentido do futuro; uma revolução moral que renove o vínculo patriótico e nacional; uma revolução moral que, assumindo os domínios político e económico, os transcenda a um nível superior de comunidade e de comunhão; uma revolução moral que, pelo facto de o ser e para o ser, promova o sentido da criatividade do pensamento e da vida; uma revolução moral que saiba unir cultura popular e alta cultura; uma revolução moral, sobretudo, que ensine a conjugar justiça e solidariedade, liberdade e honestidade». Como declarei há precisamente um ano, é decisivo ter sucesso, adquirindo o respeito das pessoas inteligentes e o afecto das crianças; merecendo a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciando a beleza e o saber que há nos outros; sendo crentes nas nossas convicções; partilhando os nossos conhecimentos; sabendo ser Nação soberana e negociar sem constrangimentos porque o Mundo não tem dono.

Continuamos a viver um período de enormes ansiedades, imediatas e de médio-prazo, centradas no futuro do País, mas também no Mundo global que nos rodeia, perigosamente tumultuoso, onde se anuncia o final de uma trégua mais generalizada, de quase 70 anos, do pós-II Grande Guerra.

Viva a embaixada do 25 de Abril!»

José Maria Pignatelli – Deputado Municipal – CDS

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