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ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL – O capitão Fernando Salgueiro Maia, Os Pides e Cavaco Silva – Comunicado

Maio 4th, 2015 | by Odv
ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL – O capitão Fernando Salgueiro Maia, Os Pides e Cavaco Silva – Comunicado
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Recebemos da Associação 25 de Abril um comunicado sobre a atribuição da Ordem da Liberdade à cidade de Santarém que passamos a transcrever. A25A

COMUNICADO
Neste 25 de Abril de 2015 assistimos à atribuição da Ordem da Liberdade à cidade de Santarém.
Os deputados eleitos pelo distrito propuseram, o Presidente da República decidiu, a autarquia
aplaudiu e agradeceu.
Tudo com o pano de fundo de uma homenagem ao capitão Fernando Salgueiro Maia e à unidade de
onde saiu em 25 de Abril de 1974, para ajudar a derrubar a ditadura e a abrir as portas à Liberdade.
Não entraremos no facto de o ser berço da Escola Prática de Cavalaria justificar por si só a distinção,
independentemente do apoio que a cidade prestou a essa unidade e aos seus militares
Nem entraremos igualmente na discussão sobre qual a cidade ou cidades que mereceriam mais a
atribuição da Ordem da Liberdade.
Desde logo, porquê Santarém e não Lisboa, onde tropas suas intervieram decisivamente e o seu
povo teve papel preponderante no apoio aos militares do MFA?
E porque não Mafra, Vendas Novas, Estremoz, Santa Margarida, Porto, Lamego, Figueira da Foz,
Aveiro, Viseu, Tancos, Pontinha, Carregueira, Viana do Castelo, Póvoa do Varzim, Vila Nova de Gaia
ou Guarda?
Passando por cima dessa questão e admitindo que Santarém possa ser a primeira a ser
condecorada, tudo seria muito simples, tudo poderia estar certo, se não se verificassem dois
“pormenores”, que nos levam a não concordar com o que se passou e a dar conhecimento da nossa
perplexidade pelos acontecimentos.
Por um lado, é interessante constatar que é a pessoa que, enquanto primeiro-ministro, recusou
uma pensão a Salgueiro Maia, ao mesmo tempo que a atribuía a dois agentes da PIDE/DGS – com o
argumento de que as acções na guerra colonial se consideravam altos serviços prestados à Pátria e a
acção do 25 de Abril de 1974 não justificava essa qualificação –, vem agora atribuir a condecoração
a uma cidade, apenas porque dali saíram as tropas que consumaram a rendição da ditadura,
comandadas por esse herói de Abril!
Por outro lado, é também no mínimo interessante que uma cidade, com os responsáveis
autárquicos rejubilantes, seja galardoada apenas porque tinha no seu território a unidade militar de
onde saíram as referidas tropas. Que melhor maneira essa cidade teria de homenagear Salgueiro
Maia e os seus homens do que dar às instalações da sua Escola Prática de Cavalaria um
aproveitamento digno da sua gesta de há 41 anos?
Ao não fazê-lo, ao permitir a total depredação das suas instalações, depois de assistir à saída da
unidade da cidade, tornou-se indigna de explorar esses actos que implantaram a Liberdade em
Portugal.
E porque quem atribuiu a condecoração não é digno do Portugal de Abril, não podemos calar a
nossa indignação e o nosso protesto por mais uma utilização indevida da figura de Salgueiro Maia e
da generalidade dos militares de Abril.
Lisboa, 4 de Maio de 2015
O Presidente da Direcção
Vasco Correia Lourenço

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