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Odivelas – Casa da Memória entregue a entidade estrangeira

Agosto 3rd, 2015 | by Antonio Tavares

Na Assembleia de Freguesia de Odivelas de 29 de Julho de 2015, foi votada e aprovada a entrega da Casa da Memória de Odivelas a uma entidade estrangeira cuja atividade está relacionada com o turismo de saúde e ligada a Hospitais particulares, ente eles o Hospital Lusíadas.

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A Casa da Memória é a casa museu da cidade que sendo da Câmara Municipal está sob gestão da Junta de Freguesia de Odivelas. Com os votos a favor do CDS/PSD//PS e contra da CDU/BE esta entrega da Casa da Memória foi aprovada por maioria. Numa cidade onde rareiam os espaços das Autarquias e onde, por exemplo, o movimento associativo recebe respostas negativas para instalações da Junta e da Câmara com a justificação de que não hã espaços para ceder, não se compreende esta cedência a uma entidade estrangeira que dado os seus fins lucrativos poderia e deveria alugar um espaço comercial que aliás abundam em Odivelas.

“Não há uma política de turismo em Odivelas” – Ana Monteiro (PSD)

“Em primeiro lugar está o Associativismo de Odivelas” – Paulo Gonçalves (BE)

“Não há garantias sobre as coisas que lá estão dentro” – Ana Monteiro (PSD)

 

 

2 Comments

  1. José Maria Pignatelli says:

    O Erro

    O que se trata é de uma questão muito simples: A Casa da Memória será cedida a uma ONG norte-americana que, por mero acaso, promove actividades em Portugal com fins lucrativos. Basta ver o sítio com o link: http://www.medicaltourism.pt , e percebe-se o que vai suceder. A Casa da Memória, património municipal, portanto público, será temporariamente o escritório de uma empresa estrangeira que promove e vende programas do denominado turismo de saúde, em instalações da área conhecida como Cova da Beira, ou seja na vertente Este da Serra da Estrela. Está tudo à vista no sítio, em medicaltourism.pt, incluindo as parcerias e contratos com os hotéis da zona, com a Universidade da Beira Interior e com hospitais locais. É isso que o Presidente da Junta de Freguesia de Odivelas – e perdoe-me a franqueza – não explica. Como também devia explicar a razão pela qual levou o acordo à Assembleia de Freguesia quando o património é municipal, portanto da Câmara Municipal de Odivelas, ainda que a sua gestão esteja delegada à Junta de Freguesia. É que a Assembleia de Freguesia, deliberou esta cedência por proposta da própria Câmara Municipal. Só não sabemos de onde é que esta ideia perfeitamente desajustada partiu.

    Afinal, a Junta cede um espaço público para servir de escritório de uma associação de direito privado que se dedica à promoção e comércio da saúde, com escrita e receitas maiores que as despesas, que lucra pelo que faz. E ainda por cima, trata-se de uma organização estrangeira.

    Mas o principal era o Presidente da Junta de Freguesia explicar qual é o valor que esta organização acrescenta à economia de Odivelas. E se não percebe que se meteu numa enorme trapalhada, com contornos susceptíveis das mais variadas Interpretações.

  2. José Maria Pignatelli says:

    Descuidos
    Os autarcas encontram-se cada vez mais distantes da defesa da coisa pública. Cada vez mais confundem o que é público com o que é privado. Muitas vezes preferem ignorar as evidências, não distinguindo os propósitos de terceiros. Balanceiam no limite da legalidade ou aceitam debater e sancionar o que provavelmente não devem ou precisam. Neste caso, a maioria dos autarcas da Junta de Freguesia de Odivelas aceita que a Casa da Memória – o singelo museu da cidade – seja escritório de uma associação estrangeira, a Medical Tourism Association.

    Se é certo que esta associação se apresenta como uma instituição global sem fins lucrativos que promove o turismo médico, particularmente junto dos mais idosos ou reformados, não é menos verdade que trabalha de perto com a indústria Internacional ligada às questões da saúde.

    A comunicação institucional desta corporação confirma a relação e trabalho em parceria com alguns departamentos de saúde de alguns estados, directamente com profissionais de saúde, companhias de seguros, empregadores e outros compradores de cuidados de saúde. E tudo em nome da promoção do turismo médico, com “foco na prestação de cuidados de saúde a mais alta qualidade”. Sobressai ainda que a associação se encontra “empenhada em sensibilizar os consumidores – norte-americanos entenda-se – sobre as diversas opções internacionais sobre prestadores de cuidados de saúde”, bem como desenvolve iniciativas específicas destinadas a educar e aumentar o número de consumidores que viajam para ter bem-estar e saúde.
    Em Portugal, podemos ver as áreas de negócio da instituição em http://www.medicaltourism.pt