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ESQUELETOS NO ARMÁRIO

Dezembro 29th, 2015 | by Oliveira Dias
ESQUELETOS NO ARMÁRIO
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1. Quando António Costa anunciou, logo após as reuniões havidas com Passos e Portas (P&P) cujo objectivo eram alcançar uma plataforma de entendimento que fizesse o favor á direita de se manter no poder por mais 4 anos, que existiam “surpresas” após cada encontro com P&P, as quais mais tarde ou mais cedo haveriam de ser do domínio público.

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Lesta e cheia de presunção logo veio a terreiro a então ministra das finanças, Maria Albuquerque, que não nada havia na manga tudo era transparente … até alguém lhe ter chamado á atenção que ela não tinha estado naquelas reuniões logo não sabia a que se referia António Costa … ou sabia ? A garantia de que não existiam esqueletos no armário caiu com estrondo, primeiro descobrindo-se que os cofres cheios apregoados quer pela então ministra das finanças quer pelo ainda Presidente da República (cerca de 12 mil milhões de euros) afinal já tinham destino definido por (P&P). Logo depois veio qual balde de água fria, a chocante (e não sou eu que o digo) questão do BANIF. Como foi possível estar 3 anos sem nada fazer, quando o Estado tinha grandes responsabilidades nesta questão ? sim sabemos que a solução teria impacto no defict do estado e tornaria absolutamente virtual uma saída limpa do procedimento de saída de défict excessivo, por outras palavras – não dava jeito ao P&P por causa das eleições, e eles queriam-nas ganhar … a todo custo, ou antes á custa dos contribuintes portugueses, porque somos nós que vamos pagar a factura – 3 biliões de euros.

2. O mito de que António Costa ficaria refém do comité central do partido comunista português, caiu também, quando o primeiro ministro decidiu avançar com a única solução possível para o Banif, mesmo sem ter a bênção do PCP, tendo-se reletido isso no seu voto contra o orçamento rectificativo este destinado a acomodar a solução Banif.

3. Outro mito que os profetas da desgraça vaticinavam, mas que agora caíu, era a direita nunca vir a estar com o governo de António Costa, e mais uma vez a prova dos nove foi o orçamento rectificativo de 2015, bastou a abstenção do PSD e os votos do PS impuseram-se aos votos contra de todos os restantes partidos. Pacifico. Parafraseando a ex-presidente da Câmara de Odivelas, e agora deputada Susana Amador, “habituem-se” pois vai acontecer mais vezes durante os próximos 4 anos. É a vida.

4. No início da governação de Pedro Passos Coelho vaticinei, então, que o ministro da saúde não duraria muito face á sua obsessão de restrições. Enganei-me e a Saúde em Portugal sofreu bastante com ele, e já fora de funções, no decurso dos primeiros dias deste actual governo, dá-se o caso do jovem que morre no hospital S. José por falta de médico ao fim de semana, segundo uns, ou por que os enfermeiros se recusaram a fazer extraordinários por serem mal pagos, segundo outros. A visão parola que se pode poupar uns míseros cobres por não se ter médico ao fim de semana é brutalmente dramática para um jovem na flor da idade. É estupidamente criminoso que em Portugal, hoje, possa acontecer uma coisa destas. O actual ministro da saúde já garantiu que isto não mais seria possível. Bem haja, mas ande depressa. Tenho a certeza que a Portugal aproveita muito mais ter um cidadão activo do que poupar uns miseráveis euros.

5. O negócio da TAP, esse afigura-se caso de polícia. Em final de mandato o governo anterior faz um negócio irreversível, beneficiando, com isso, o adquirente privado, e deixando o actual governo numa camisa de forças bem apertada. O Presidente da TAP, avisou logo que já gastara metade do dinheiro recém entrado na TAP … como quem diz não haver nada a fazer … . Para quem já viu o ministério público colocar em causa todo um conselho de ministros, a propósito do PROTAL (Plano Regional Ordenamento do Território do Algarve), o mínimo que se espera é ver constituídos arguidos todos os ministros participantes do conselho de ministros responsável por tanta irresponsabilidade. A bem da coerência … .

6. Outro mito a cair vem de Espanha. E vem de lá porque a parolice lusitana, sim também existe, leva alguns iluminados a verberar contra tudo ou quase tudo quanto cá se passa, desde que não dê jeito a certos interesses corporativos. Já se percebeu que tem a ver com as eleições legislativas espanholas, onde aparentemente o primeiro ministro irá ser alguém que não ficou em primeiro lugar no escrutínio popular. Parece que por lá a tradição já não é o que era, e aceita-se como normal o figurino parlamentar escolhido pelos espanhóis. “Ès la democracia funcionando” dizem eles. Por cá também foi assim, mas precisamente porque foi assim cá caiu o “carmo e a trindade”. Os parolos, esses, continuam a estrebuchar quais calimeros, dizendo-se injustiçados, e cansando já os portugueses clamando com a sua carpidaria sobre a indignidade de se não cumprir com a tradição. “arre conho”.

7. Já fora da categoria dos esqueletos, mas ainda receei puder ser ao contrário, uma referência, inevitável, para a prenda de Natal dada aos trabalhadores portugueses a auferir um salário mínimo nacional de 505. Em 2016 passa para 530 euros. Muito bom. Mas, faça-se a justiça de dois apontamentos invulgares, em Portugal, o grupo Jerónimo Martins, face a este aumento, anunciou que não os afectava pois há muito pagavam acima dos 600 euros, e o Lidl decidiu passar as remunerações mínimas para 600 euros. Exemplares. Para lá de muito bom. O restante patronato, como sempre, choramingaram, pois para eles quem tinha razão era Malthus teorizador económico que defendia ser necessário manter a populaça nos níveis inferiores ao da subsistência como forma de controlar a natalidade.

Oliveira Dias

Politólogo

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