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Odivelas – Discursos do 25 de Abril – A Oposição

Abril 26th, 2016 | by Antonio Tavares
Odivelas – Discursos do 25 de Abril – A Oposição
Politica
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Os discursos da Oposição. Painho Ferreira da CDU, José Maria Pignatelli do CDS-PP e Andreia Meijinhos do BE

A sessão comemorativa do 42º aniversário do 25 de Abril em Odivelas, teve lugar na Escola Secundária Pedro Alexandrino. Para além dos discursos do Presidente da Câmara, Hugo Martins e do Presidente da Assembleia Municipal, Miguel Cabrita, publicamos neste artigo os discursos da Oposição, CDU, CDS-PP e BE

Neste evento marcaram  presença para um momento musical inicial o coro “em CANTUS”, da Associação Coral de Odivelas.


Painho Ferreira da CDU


José Maria Pignatelli – CDS-PP

Vive-se período menos brilhante
“Mas entre todas as conquistas festejam-se – sim – 42 anos de liberdade de informar. Uma independência – tantas vezes tentada manipular – que nos coloca diante de um novo paradigma: é tempo de promover uma revolução moral que conjugue justiça e solidariedade, liberdade e honestidade”, eis o mote do discurso de José Maria Pignatelli, nas comemorações do 25 de Abril promovidas pela Assembleia Municipal de Odivelas.
Para o autarca do CDS-PP, a sociedade portuguesa “vive um período menos brilhante: a todo tempo, somos surpreendidos com casos de polícia por práticas de licitude duvidosa, mesmo com algumas sentenças penosas, que envolvem personalidades da sociedade portuguesa. São gestores, empresários, professores, investigadores científicos, advogados, padres, polícias e investigadores judiciais, muitos deles distinguidos com as mais altas insígnias da Nação, medalhas municipais ou de instituições de vulto. A maioria oradores em dezenas de eventos e tantas vezes destacados, pelos média, como grandes exemplos de cidadania”.
“A nossa democracia encontra-se debilitada – prossegue – e não faz bem-fazer de conta que nada acontece, que se trata de males menores, tão-só estarmos a viver um estágio onde a ganância é socialmente reprovável. Não podemos aceitar este modelo. É a sociedade portuguesa que sai prejudicada e sobretudo todos os que necessitam de auxílio a quem a vida sorri menos e é mais amarga”.
O deputado municipal centrista fez uma alocução em todo influenciado pela sua carreira de jornalista profissional e de gestor. Se por um lado, refletiu sobre as questões relacionadas com a ética e morais, por outro não dispensou uma abordagem sobre a economia, recordando que “persistem as dificuldades de tesouraria da Administração Pública e do sector empresarial privado: continuamos a dar maior importância às questões orçamentais que às sociais; vive-se a inquietação em controlar e regular as instituições financeiras e resgatar os prejuízos do setor bancário, fruto de investimentos inadequados, em muitos casos de licitude duvidosa, utilizando dinheiros públicos”, acrescentando que “a economia portuguesa cresce pouco porque o seu valor acrescentado é proporcionado maioritariamente pelo esforço individual das micro e pequenas e médias empresas”.
Para José Maria Pignatelli, o “futuro não é promissor ainda que tenhamos de manter o capital-esperança: a dívida empresarial bruta é actualmente de 108,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e deverá manter-se em 92,5% do PIB em 2020, enquanto a dívida das nossas famílias deverá recuar de 82,6% do PIB, para 70,4%, nos próximos quatro anos. Mas as dificuldades económicas também se circunscrevem ao facto inquestionável: desde 2010, o aumento do esforço fiscal foi sete vezes maior para os trabalhadores do que para as empresas”.

Perguntas com 42 anos que ainda fazem sentido
O autarca do CDS-PP lembrou que “há 42 anos, julgava-se conseguir reduzir a influência de uma sociedade dominante que ocultava os investigadores, os comprometidos com a vida, os devotos pelo concreto do estritamente universal”, adiantando que “em 1974, renasceu a esperança e que os portugueses foram surpreendidos com sinónimos substantivos como restauração, reconstrução ou reedificação… De um Portugal onde se levantaram inúmeras interrogações, algumas primordiais: Onde estávamos? Para onde caminharíamos? Afinal quem éramos? Que espécie de sociedade se desejava construir?”
“Tal nos primeiros anos do pós-25 de Abril de 1974, tal no presente – esclareceu – estas são, seguramente, perguntas que ainda têm sentido porque a democracia portuguesa acaba por não confrontar rigor e lucidez. Continuamos indiferentes à pobreza que subsiste: aumentam os sem-abrigo; as crianças e idosos em risco que apenas conseguem fazer uma refeição por dia e que não têm quem os proteja; as famílias vulneráveis que vivem com rendimentos mensais abaixo dos 421 euros; subsistem os portadores de doenças raras e com deficiência sem apoios diferenciados, a maioria a viverem da generosidade do associativismo sem fins lucrativos, tantas vezes instituído pelos próprios familiares”.
Para o deputado municipal do CDS-PP, “insistimos em não perceber que ainda se vive distante de um verdadeiro Estado de Direito: para muitas centenas de milhares de portugueses, concretizam-se omissões no acesso à Justiça, à saúde, à cultura, à multiplicidade do ensino, à formação, ao emprego e até a condições de vida condignas. É seguramente este fenómeno que nos faz regressar à condição de país de emigrantes, tal como nas décadas de 60’ e 70’ do século passado. Só em 2013 e 2014, saíram de Portugal mais de 220 mil pessoas. E não se julgue que são apenas os menos letrados que procuram melhores condições de vida. Agora, em quase maior percentagem, saem do País os portugueses qualificados que nos custaram milhões de euros de investimento nas escolas e nas universidades”. Depois salientou que “não se pode recusar as conquistas destes 42 anos: a liberdade de expressão, circularmos livremente dentro e fora do País; alfabetizou-se e criou-se já a obrigatoriedade da frequência escolar durante 12 anos; estenderam-se as redes de abastecimento de água, de eletricidade, e saneamento básico a aproximadamente 80% do País; nasceu o Serviço Nacional de Saúde imprescindível no bem-estar de milhões portugueses; estabeleceu-se um conceito global de segurança social”.
“Tal como há um ano – admitiu – vivemos um período de enormes ansiedades, imediatas e de médio-prazo, centradas no futuro do País, mas também no Mundo global que nos rodeia, que se mantém perigosamente tumultuoso, onde não se anunciam tréguas para as dezenas de conflitos regionais que subsistem”.
José Maria Pignatelli terminou a sua intervenção fazendo um apelo: “É tempo de encorajar a sociedade a estabelecer nova mentalidade e comportamento, menos discricionário, mais justo e solidário, em que a política não se encontre desvinculada da ética; que não se encontre escandalosamente separada em duas: a da miséria e a do consumo; em que o capital-esperança não seja desperdiçado como tantas vezes aconteceu ao longo da nossa história”.


Andreia Meijinhos – BE

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