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Revolução no Centro de Saúde de Odivelas

Maio 2nd, 2016 | by Antonio Tavares
Revolução no Centro de Saúde de Odivelas
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Foram dadas instruções para que o Centro de Saúde de Odivelas (UCSP) se transforme rapidamente em Unidade de Saúde Familiar (USF), mesmo sem estarem reunidas as condições para que isso suceda, como por exemplo se encontrem construídas as novas instalações. Desapareceram 6.000 doentes sem médico de família, não se registam os que se inscrevem novamente e promove-se a saída em bloco do corpo de enfermagem.

A UCSP de Odivelas – ou seja a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados, vulgo Centro de Saúde -, que se encontra a funcionar na Ramada, no edifício da Unidade de Saúde Familiar daquela freguesia, atravessa um momento conturbado, onde a sua direcção clínica se mostra completamente inábil para administrar.

E tudo por correr atrás da concretização de um novo paradigma: constituir-se em Unidade de Saúde Familiar, mesmo que não se encontrem reunidas as condições para que isso aconteça. Por exemplo, não ter médicos de medicina familiar para todos os utentes: agora informa-se que serão aproximadamente 9 mil, quando no último trimestre do ano passado eram mais de 15.000. Portanto, subitamente – com um simples “estalar de dedos” – eclipsaram-se 6.000 utentes da lista da UCSP de Odivelas. Também se omitem da lista de doentes sem médico de família, os frequentadores que, todos os dias activam novamente, a sua inscrição, por exemplo por necessidade de vacinação e de pedido de receituário.

Por outro lado, a maior preocupação dos agentes da saúde em Odivelas, devia centrar-se sobre os utentes mais vulneráveis, a viverem em agregados monoparentais, na zona baixa da cidade, que não encontram forma em se conseguirem deslocar regularmente àquele estabelecimento de saúde pública, pela distância e custo elevado dos transportes públicos.

E como se não bastasse esta perspectiva, promove-se o descontentamento no seio da equipa de profissionais de enfermagem que são de excelência, já que se pretende afastá-las da nova estrutura de profissionais de uma eventual USF de Odivelas. Aliás, hoje, a maioria das enfermeiras terão sido informadas que é intenção promover uma saída em bloco daquela unidade, antes do início do período de férias.

De referir que nunca existiu rácio desejável e adequado ao funcionamento desta UCSP de Odivelas, tanto no número de profissionais de enfermagem como de auxiliares.

Importa ainda esclarecer que é realmente desejável optar-se por uma Unidade de Saúde Familiar, mas isso carece de organização e metodologia de trabalho, tal como sucede na homóloga Ramada, um exemplo a seguir, mas que muito se deve à qualidade intrínseca dos seus profissionais e também da disponibilidade de recursos humanos que acabaram por surgir.

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