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Odivelas entrega Malaposta a Privados

Odivelas entrega Malaposta a Privados

Junho 12th, 2016
Cultura

Incapaz de arranjar soluções para a menina Malaposta que lhe caiu nas mãos com a queda da Municipália, o Município de Odivelas, pela mão do vereador Edgar Vales, fez aprovar, com o apoio do PS e PSD a abertura do concurso para a concessão a privados do nosso único espaço Cultural de referência na área metropolitana de Lisboa. Com 3 anos de vigência, extensível a 5 anos, a futura concessão vai muito para lá do mandato dos atuais gestores temporários deste território o que no mínimo é incorreto, fazendo-me lembrar o anterior governo central de Passos que no final do seu mandato elaborou contratos diversos para os 3 anos seguintes.

Ficamos assim cientes que depois dos equipamentos desportivos, segundo António Ramos, e agora no que toca aos equipamentos culturais, segundo Edgar Vales, a Câmara Municipal de Odivelas não tem vocação nem capacidade para os gerir. É por aqui o caminho? O que será a seguir?

É um dia triste para o Concelho de Odivelas e, como é costume nestes casos, arranjou-se um estudo económico que suporta a decisão política. O estudo encomendado figura no documento em anexo assim como todos os documentos de suporte.

Neste, como noutros casos, aplica-se a regra de que quando o gestor público não tem capacidade para resolver os problemas, não se substitui o gestor, entrega-se a gestão a privados.

Gostava de acreditar no pai natal e na ideia que a CMO vai ter algum controlo na programação da Malaposta mas não acredito, são feitios…

Documento apresentado em reunião de câmara


Deputado do CDS-PP contra a concessão da Malaposta

Discordo desta concessão, não por que seja contra este mecanismo, mas por se concessionar na esperança – única – de obter receita e pela incapacidade da Câmara Municipal em idealizar um programa de gestão e marketing que tornasse a Malaposta numa verdadeira alternativa aos espectáculos de Lisboa”, eis a afirmação mais pertinente das decalarções proferidas por José Maria Pignatelli, deputado municipal do CDS-PP, a propósito da decisão da Câmara de Odivelas em concessionar o Centro Cultural Malaposta.

O autarca centrista explica que “depois da extinção da empresa (municipal) Municipália e da internalização dos seus serviços no Município, a Câmara Municipal de Odivelas não conseguiu encontrar um modelo de gerência eficaz para manter um projecto cultural e, em simultâneo, atrair e fidelizar espectadores”. E adiantou que “a concessão da Malaposta é uma opção política; que anula a influência do executivo camarário nos critérios da programação cultural para o equipamento, nos próximos 3, 4 ou 5 anos, que é demonstrativa de quanto a Câmara Municipal se tornou numa espécie de escritório de agenciamento”.

Passamos a transcrever a declaração do Deputado Municipal José Maria Pignatelli na íntegra:

«Decididamente Portugal assumiu um novo paradigma da gestão da ‘coisa pública’ pouco depois da viragem do século, particularmente após o início das dificuldades económicas internas do País, a partir de 2008: alienar ou concessionar as empresas e serviços que a administração pública não sabe ou diz não conseguir governar.

A Câmara Municipal de Odivelas perfilha da mesma solução, apesar das imensas criticas que se ouviram dos autarcas deste município – os eleitos pelo Partido Socialista – às opções idênticas tomadas pelo anterior governo, liderado por Pedro Passos Coelho. Quando não se consegue dirigir e ou encontrar e criar mecanismos de gestão de um equipamento, concessiona-se na esperança única de obter receita.

É o que acontecerá com o Centro Cultural Malaposta que personifica a identidade cultural do concelho de Odivelas. Depois da extinção da empresa (municipal) Municipália e da internalização dos seus serviços no Município, a Câmara Municipal de Odivelas não conseguiu encontrar um modelo de gerência eficaz para manter um projecto cultural e, em simultâneo, atrair e fidelizar espectadores. Foi incapaz de investir e conceber um programa de gestão e marketing que colocasse a Malaposta na agenda cultural semanal da área metropolitana de Lisboa, tornando-se numa verdadeira alternativa aos espectáculos da capital.

É mais fácil empolar as estatísticas relativas ao número de espectadores do que ter a humildade em ouvir quem sabe, reunir técnicos competentes e ter ideias sobre como dinamizar um centro cultural e colocá-lo na playlist de todos quanto gostam das artes na grande metrópole lisboeta. O senhor Presidente da Câmara, numa entrevista publicada na edição de Maio último, no Loures-Odivelas Magazine, afirmou que “a aposta na cultura (…) tem sido uma constante com o nosso Centro de Exposições e do Centro Cultural da Malaposta a demonstrarem estar na linha da frente do entretenimento cultural e artístico e a receberem mais de 60.000 espectadores por ano”.

É uma estatística animadora, mas que dificilmente se concretiza. Vejamos:

De acordo com a informação dos serviços municipais, no primeiro trimestre deste ano, a Malaposta registou 6132 espectadores. Ora, multiplicando este número por 4 – o número de trimestres que tem o ano – percebemos que será expectável atingir mais de 24.500 entradas na Malaposta. Ainda assim, acreditando numa afluência superior em 15% ao longo do ano, obteríamos um resultado da ordem dos 28.200 espectadores. Afinal, ficamos a saber que o maior sucesso acontece no Centro de Exposições da cidade de Odivelas que assim deverá recebe anualmente mais de 30.000 pessoas.

Esta problemática estatística recorda-me um ditado conhecido entre as etnias da Papua Nova Guiné: “Quando visitas uma comunidade, caminha não voes”. O Sr. Presidente da Câmara de Odivelas fez uma espécie de voo entre algarismos.

Agora, tropeçou na realidade, na inabilidade da gestão do Centro Cultural da Malaposta que, em ano e meio, após a internalização dos serviços da extinta Municipália, não conseguiu seguramente equilibrar as contas, aproximando as receitas das despesas.

É certo que a concessão da Malaposta é uma opção política; que anula a influência do executivo camarário nos critérios da programação cultural para o equipamento, nos próximos 3, 4 ou 5 anos, que é demonstrativa de quanto a Câmara Municipal se tornou numa espécie de escritório de agenciamento

José Maria Pignatelli terminou anunciando a entrega de um requerimento respeitante à administração do Centro de Exposições de Odivelas, levantando questões relativas ao número de eventos realizados em 2014 e 2015; o número de visitantes e o qual o mecanismo utilizado na sua contagem; e se existem algumas instituições a ocuparem espaços daquele equipamento público em permanência.

 

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