breaking news

Odivelas: PS Vota Contra Defesa do Património

Odivelas: PS Vota Contra Defesa do Património

Junho 19th, 2016
Cultura

 

A Assembleia Municipal de Odivelas, aprovou, com os votos contra do PS, uma moção proposta pelo deputado José Maria Pignatelli, do CDS-PP, onde se pede ao Governo que mantenha as boas condições do Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo e dos seus espaços contíguos. O autarca pede ainda que se promova uma resolução célere e definitiva a dar ao imóvel e à sua herdade de modo a reabilitar o espaço, a condicionar o agravamento da sua deterioração e a permitir que a Câmara Municipal de Odivelas mantenha o programa de reabilitação do centro histórico da cidade.

Nessa proposta, José Maria Pignatelli recordou que foi “o anterior governo, na figura do Ministro da Defesa Nacional, decidiu extinguir o Instituto de Odivelas, estabelecimento de ensino feminino paramilitar, que funcionava no Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo”, salientando que “os autarcas de Odivelas opuseram-se, apesar de o fazerem em momentos diferentes. Mas os inúmeros esforços então realizados foram improdutivos”.

Na moção pode ler-se que “faz três meses que não se habita, trabalha ou cuida do edificado e dos espaços que lhe pertencem, num total de 6 hectares. Que é angustiante saber que ninguém promove a manutenção, numa altura em que eram conhecidas algumas carências: parte dos telheiros dos claustros já caíram e outros encontram-se em perigo de ruir; o imóvel encerra problemas estruturais globais por força da degradação dos telhados, de algumas janelas quebradas e da falta limpeza e de arejamento das salas mais emblemáticas; o espaço exterior necessita de cuidados diversos e nele encontra-se uma piscina que sempre funcionou”.

Para o autarca centrista, “esta realidade e a incerteza quanto ao futuro do mosteiro devem preocupar-nos a todos, eleitos e munícipes”.

Recordar a história

Em 24 de Setembro de 2012, mal foi anunciada a intenção do então ministro da Defesa Nacional, Aguiar-Branco (PSD), em encerrar o Instituto de Odivelas, estabelecimento de ensino feminino militar fundado em 1900, José Maria Pignatelli apresentou uma moção contra essa decisão, na Assembleia de Freguesia de Odivelas, que foi aprovada também com os votos favoráveis do PS.

De seguida, o mesmo foi realizado pelos deputados municipais do CDS-PP, liderados por Miguel Xara Brasil, e pelos vereadores Independentes, Hernâni Carvalho e Paulo Aido. Depois, o centrista Miguel Xara Brasil lançou uma Petição «Em defesa da continuidade do Instituto de Odivelas como uma escola de excelência» – que a então presidente da Câmara Municipal, Susana Amador, jamais aceitou assinar – que acabaria por ser discutida na Comissão Parlamentar de Defesa Nacional e cujo relatório final, da autoria do deputado João Rebelo do CDS-PP, subiu ao plenário da Assembleia da República, no formato de Projeto de Resolução (número 1006/XII-3.ª/PCP) que “Recomenda ao Governo que suspenda o processo de extinção do Instituto de Odivelas“.

Entretanto, seguiram-se uma série de iniciativas contra a extinção:

  • Uma Vígilia pela Manutenção do Instituto de Odivelas, organizada pelo Grupo de Amigos do Instituto de Odivelas Infante D. Dinis, que decorreu pelas 21 horas do dia 20 de Março de 2013 (cujos ofícios dirigidos à PSP e Câmara de Odivelas foram assinados por Celeste Pignatelli Barreto, Ana Paula Lopes e Miguel Xara Brasil, tudo militantes do CDS-PP);
  • Uma conferência com a presença de João Rebelo, deputado nacional do CDS-PP, no polivalente de Odivelas, em 19 de Junho de 2013;
  • Conferências no Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo, subordinadas ao tema “Fazer & Vencer” a que acrescem apresentações de dois projectos editoriais que tiveram o maior sucesso, como o “Segredo da Irmã Lúcia”, da autoria de Paulo Aido (apresentado em 13 de Dezembro de 2012). Durante dois anos, foram principalmente os autarcas do CDS e independentes que congregaram milhares de vozes contra a decisão do governo liderado por Passos Coelho.

Convém ainda recordar que foi o Executivo da Câmara de Odivelas que inscreveu no seu orçamento de 2015, uma verba de 11.000 euros, para restauro do túmulo do Rei D. Dinis que devia ficar concluído até final do ano passado. Não só não ficou como a obra volta a estar inscrita no orçamento deste ano, mas agora com a originalidade em depender da atribuição dos fundos comunitários integrados na “Estratégia Portugal 20-20”.

Felizmente, há centenas de autarcas no País que veem para além da política estritamente partidária.

Moção do CDS-PP em formato PDF

Comments are closed.