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E depois do adeus !  –  Britânicos decidiram a sua saída da U.E.

E depois do adeus ! – Britânicos decidiram a sua saída da U.E.

Junho 25th, 2016
Colunistas

E depois do adeus !                   

Ontem os Britânicos decidiram a sua saída da U.E. Contra todas as pressões e chantagens, o resultado do referendo foi mesmo o adeus à União Europeia.

 Este resultado deveria levar a uma séria e pofunda reflexão nas diversas sociedades nacionais e nas respectivas classes políticas.

Aquilo que alguns “euro-entusiastas” julgavam impossível, aconteceu mesmo! E foi assim contra todos os Srs. Junker, Cameron, Hollande, Tusk e muitos outros senhores da alta-finança, contra as ameaças dos “mercados”, contra os medos propalados sem piedade em horas contínuas de emissões televisivas. Contudo, espantem-se os mais incrédulos, os Britânicos decidiram em sentido contrário e de modo soberano!

Talvez sim, ou talvez não, estejamos a assistir ao início do fim do chamado “sonho europeu”.

   Uma coisa é irrecusável: este projecto e as “elites” que o protagonizam, estão cada vez mais afastadas do sentir dos povos.

O resultado do referendo britânico é apenas mais um episódio de uma situação que envolve riscos sérios, desde logo porque é por demais evidente a ascensão da extrema-direita, com manifestações inquietantes na Áustria, na Hungria, na Polónia, em França, na Dinamarca e até na própria Alemanha.

Há várias questões que devem ser colocadas sobre a mesa de eventuais reflexões que sinceramente não me parece que os actuais “eurocratas” estejam dispostos a fazer. Mais me inclino para que, passado o choque inicial, tudo volte ao “rame-rame” do politicamente correcto onde imperam as regras inquestionáveis só para alguns  e  a burocracia.

Uma primeira questão prende-se com a própria História da Europa, com os seus diferentes povos ,culturas e interesses geo-políticos e estratégicos.

Uma segunda questão, liga-se à soberania perdida pelos Parlamentos Nacionais. A actual situação é sentida por muitos como aviltante e redunda num esmagamento da democracia, como as recentes experências dos chamados países periféricos mostram de forma inquietante. Basta relembrar a experiência grega e o nosso próprio caso nos anos de vigência do governo anterior.

Uma terceira questão prende-se com a moeda única que dia a dia mais é posta em causa nos mais diversos quadrantes políticos e círculos  económicos.

Na realidade as Nações e os Estados que subsistem no Espaço Europeu, têm a sua própria história que traduz as vontades de milhões de pessoas expressas ao longo de séculos. Essa história terá moldado em cada povo uma personalidade própria, uma específica visão da vida e do mundo.

Federar os Estados Europeus nada tem de comum com a federação de estados que deu origem aos Estados Unidos da América.

A diversidade europeia, mergulhada em raizes históricas profundas, é incompatível com uma visão tecnocrática que sob o pretexto da igualdade tenta fazer alemães e espanhóis, suecos e italianos, franceses e ingleses, portugueses e dinamarqueses, viverem sob regras comuns , para muitos absolutamente incompreensíveis.

  Se essa visão tecnocrática fosse possível, então o que teríamos era um império e para assim ser é preciso um centro imperial. Ora,  a Alemanha tem-se perfilado para assumir esse papel e talvez este tenha sido um dos recônditos motivos do resultatdo do referendo na Grã-Bretanha.

Sendo umas vezes causa e outras efeito da evolução da situação da União Europeia, os  “eurocratas” admitiram que, com uma boa dose de regulamentação, emanada dos seus gabinetes tudo se resolveria.

Foi no seio dessa visão sem sentido que surgiram os Tratados Orçamentais, os limites do défice, que apenas alguns Membros (os mais fracos) têm de cumprir.

Foi nessa visão “vesga” que se tentou fazer uma Constituição Europeia e se procurou o federalismo, prontamente posto em causa pelos referendos realizados.

Foi nesse delírio que vingaram os neo-liberalismos e o seu ataque sem precedentes ao mundo do trabalho.

E por cá?

Perante todo este cenário não será prudente que se estude sem preconceitos ideológicos a situação?

Não será que, após todos estes anos de moeda única em que a nossa economia não cresceu literalmente nada, chegou a altura de equacionar um quadro em que Portugal volte à sua soberania monetária?

  Pensem no quadro com que nos depararemos se uma nova crise global eclodir e se esta UE implodir.

Painho Ferreira

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