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Malaposta: Câmara de Odivelas dá razão à Oposição

Setembro 28th, 2016 | by Antonio Tavares
Malaposta: Câmara de Odivelas dá razão à Oposição
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O Teatro da Malaposta não regista 60.000 expectadores anuais como afirmou, recentemente, o Presidente da Câmara Municipal de Odivelas. Entre Outubro de 2013 e Junho de 2016, o espaço foi visitado por 104.084 pessoas, significando uma média anual abaixo dos 38.000 visitantes. Ou seja, uma realidade que vem dar razão às bancadas da oposição na Assembleia Municipal, particularmente ao deputado José Maria Pignatelli, que dissecou os números das informações municipais trimestrais, em 7 de Julho último, apontando para um máximo de 39.000 entradas anuais no Centro Cultural da Malaposta.

Estas estatísticas encontram-se explanadas numa comunicação enviada ao autarca do CDS-PP pelo Presidente da Câmara, que reflectem a realidade das visitas àquele espaço cultural e emblemático de Odivelas: desde Outubro de 2013, a média anual é de 37.836 visitantes.

Esta realidade contraria as sucessivas afirmações quer do agora presidente da Câmara, Hugo Martins, quer da anterior presidente, Susana Amador, pois na Malaposta nunca entraram nem 50 mil nem 60 mil pessoas por ano”, disse José Maria Pignatelli que adianta: “Os números que me foram anunciados corroboram as minhas contas e deitam por terra o estudo técnico e financeiro do Centro Cultural da Malaposta, da autoria da consultora Liber129, que sustenta a ideia de concessionar o espaço a troco de um subsídio de 280 mil euros anuais”.

Para o deputado do CDS-PP, esta comunicação “desmente o Vereador com o pelouro da cultura que insistiu publicamente que as minhas contas estavam erradas, pois tinha feito uma leitura conveniente da informação municipal que tinha sido distribuída”.

Agora – prossegue -, é minha convicção de que existe falta de comunicação no Executivo camarário, por que de uma duas, ou o Sr. Vereador dá informações imprecisas ao Sr. Presidente da Câmara, propositadamente ou por inaptidão, ou os números são empolados numa estrita estratégia eleitoralista de que tudo é cor-de-rosa em Odivelas”.

E esclareceu que “os números agora divulgados remetem-nos para uma dúvida maior, sobre a viabilidade da concessão independentemente dos custos que o modelo possa ter para os contribuintes, num máximo de 1,4 milhões de euros em cinco anos. É que a uma média de 7,5 euros por visitante, teremos uma receita total abaixo dos 283 mil euros (283.770 €) anuais, e se todos pagassem 10 euros, o saldo final não chegaria aos 379.000 euros (378.360 €)”.

O autarca centrista recorda que o estudo da Liber129 Consulting, que suporta a teoria da concessão, tem por base a premissa de um hipotético aumento de 10% da eficiência operacional com base em aumento de visitantes e espectadores e um decréscimo de igual percentagem nos chamados custos fixos, nomeadamente, fornecimentos e custos externos. “Ora – refere José Maria Pignatelli – há qualquer coisa que não está a corresponder a uma linguagem financeira credível e séria. Então, aumentam os períodos de utilização com maior dinamização e rentabilização do espaço, com maior número de eventos, e diminuem os custos operacionais fixos (…) Como é isto possível?”.

O que realmente não existe – clarifica – é vontade da vereação da cultura em procurar o know how que garanta a gestão da Malaposta, um calendário de atividades atrativo e capacidade em divulgá-lo na área metropolitana de Lisboa. Sou tentado a fazer outra pergunta: afinal, por que razão se investiram na Malaposta quase 10,5 milhões de euros nos últimos 10 anos?”.

Para o deputado do CDS-PP, a política cultural do Executivo da Câmara Municipal “encontra-se fragilizada e não é devidamente orientada para um serviço público capaz como tantas vezes é reclamado”. E conclui: “Os primeiros-Ministros podem remodelar os governos e os presidentes das Câmaras podem atribuir ou retirar competências delegadas aos seus vereadores e este é o momento do Presidente da Câmara de Odivelas comprometer-se com uma gestão autárquica rigorosa”.

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