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Odivelas: Insólito entre militantes do CDS faz Câmara ignorar deputado municipal

Outubro 27th, 2016 | by Antonio Tavares
Odivelas: Insólito entre militantes do CDS  faz Câmara ignorar deputado municipal
Politica
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Facebook, tal como a maioria das designadas redes sociais, tem o condão de substituir-se muitas vezes aos noticiários e aos mecanismos de informação mais pessoais. Ao determo-nos por alguns minutos no facebook, demos de caras com um anuncio fantástico: pela primeira vez, neste mandato autárquico, a Câmara Municipal de Odivelas dispensou-se de fazer a pré-apresentação das linhas programáticas do orçamento e das grandes opções do plano para 2017 ao único Deputado municipal do CDS-PP. Preferiu fazê-lo apenas a uma comitiva representante do partido que é realmente o titular do Direito de Oposição, portanto mantendo este procedimento no campo do estritamente legal.

Extraordinário é o facto dos representantes do CDS-PP – acredita-se que da recente eleita Comissão Política do Concelho, ainda em função interina face a uma impugnação das eleições internas que ocorreram a 14 de Julho último – não se tenham feito acompanhar de José Maria Pignatelli, o seu único autarca na Assembleia Municipal e protagonista do CDS-PP que se faz ouvir no concelho, há mais de 3 anos.

Perante a informação dada pelo vice-presidente interino da concelhia do CDS-PP na sua página do facebook, interpelámos José Maria Pignatelli que esclareceu que “a Câmara Municipal se limitou a dar cumprimento à lei do Direito de Oposição, desta vez preferindo deixar de fora da auscultação do único deputado municipal do CDS-PP”, considerando-a “uma opção política do Presidente da Câmara, mas também reveladora de deselegância e da sua falta de lealdade institucional”.

Para o autarca centrista “é uma decisão irrelevante, tanto mais que se trata unicamente da apresentação das linhas programáticas do orçamento, num momento anterior à votação do documento definitivo quer pelo Executivo camarário quer pela Assembleia Municipal”.

Acredito – prossegue – que o Presidente da Câmara quis evitar perguntas incómodas, sobre a resolução da PPP Odivelas Viva, já determinada pela IGF e Tribunal Constitucional, que continua a custar milhões de euros aos munícipes; a solução para o ex-complexo desportivo do Odivelas Futebol Clube; a posição do governo relativamente à gestão da quinta e do Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo que tem 6 hectares e se encontra ao abandono e a consequente requalificação da zona histórica da cidade de Odivelas já aprovada; e um conjunto de obras estruturantes que dependem da eventual atribuição dos incentivos comunitários inscritos na estratégia ‘Portugal 2020’Estamos a um ano das eleições autárquicas e é habitual, mas lastimável, ter governanças que se tornam mais autocratas nestes momentos”.

Para José Maria Pignatelli, a atitude dos representantes do CDS-PP “é menos justificável em virtude de alguns terem desaparecido do dia-a-dia do município após as eleições de 2009 e outros após as autárquicas de 2013. São pessoas de carácter dúbio que reaparecem agora não para defender os interesses dos munícipes, mas antes garantirem lugares elegíveis nas candidaturas às autárquicas do próximo ano. Tornou-se prática normal”.

O autarca do CDS-PP adianta que esta atitude “só poderá ter acontecido por má-fé e falta de humildade daqueles militantes do partido, já que serei eu a votar o documento na Assembleia Municipal e, antes o debaterei nas Comissões Municipais de especialidade, pois trata-se do mais importante documento na vida das Câmaras Municipais em cada ano que passa. Isto denuncia uma esquizofrenia que começa a ser transversal em algumas comunidades políticas em períodos pré-eleitorais”.

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