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Odivelas tem Educação do Terceiro Mundo

Outubro 30th, 2016 | by Antonio Tavares

Carla Sofia e Baltasar Pinto, usaram da palavra na Assembleia Municipal de Odivelas de 26/Outubro para colocarem em evidência os problemas com as crianças na Escola EB1 Bernardim Ribeiro e, a descrição das situações diárias é tão grave que o dirigente da Fapodivel, Baltasar Pinto, as classificou como próprias de um País do Terceiro Mundo, salientando que os problemas são extensivos a muitas outras Escolas do concelho.

Carla Sofia, centrou a sua intervenção nos horários duplos. Disse Carla Sofia que em 15 de Setembro, na apresentação geral, ficaram a saber que o 3º e 4º ano teria horários duplos e que, passado um mês da escola ter iniciado as aulas, os alunos do 2º ano passaram também a ter horários duplos. Tudo isto depois dos pais destas crianças já terem a vida organizada em função de um horário normal e, mais grave ainda, serem obrigados a despender verbas altíssimas para ATL sem que tivesse havido qualquer informação de que esta situação poderia vir a acontecer com os impactos que causam nas famílias e as respetivas consequências financeiras. Carla Sofia falou ainda que em termos de responsabilidades se assiste a um jogo do empurra entre a DGESTE e o Município e os pais até agora ainda não perceberam porque é que isto está a acontecer e quem se irá responsabilizar pelo pagamento ao ATL.

Baltasar Pinto, dirigente da Fapodivel, falou de escolas superlotadas, sem espaço para as crianças se afirmarem como tal e sem tempo para as crianças terem as suas mentes despertas para o saber. Falou em nome das crianças que se levantam às 7:00 ou 8:00 da manhã e apenas saem da escola às 18:00 ou 19:00. Crianças que já devem estar tão cansadas que o insucesso escolar parece ser o objetivo. Falou ainda Baltasar Pinto das crianças que são apressadas para tomarem as suas refeições, sem tempo para apreciarem a comida, crianças ameaçadas com castigos por demorarem demasiado tempo para se alimentarem e a comida uma constante surpresa pois muda ao longo das horas em que fica lá nas bandejas em “banho maria” até que os últimos meninos se sirvam de algo espapaçado e frio e sejam apressados a mastigar à pressa algo que com certeza não lhes está a saber bem.

E disse ainda Baltasar Pinto: “Crianças que não têm ninguém a zelar por elas nos recreios porque as auxiliares e restantes responsáveis estão em refeitórios minúsculos a apressar e a alimentar outras crianças que ainda precisam de ajuda para se alimentarem e, se pensam que estou a falar de um País do Terceiro Mundo, estão enganados. Eu estou a falar de Odivelas, estou a falar da escola onde tenho a minha filha e de muitas outras escolas deste concelho. Como é possível inserir tantas crianças numa escola sem o mínimo de condições? – Eu não entendo”.

E prosseguiu o dirigente da Fapodivel: “O resultado disto é o insucesso escolar, o desânimo, e isto é a experiência que estamos a oferecer às crianças e aos pais do nosso concelho”. Dirigindo-se ao Executivo Municipal disse ainda: “Vocês tiveram há tempos uma frase – “Odivelas como concelho educador” mas, isto não é um concelho educador, por este caminho nós estamos a ir para o insucesso escolar. São poucas as escolas onde não há problemas e isso é algo que nos preocupa e é algo que devia preocupar todo o mundo porque a escola é a entrada para a vida na Sociedade. Se começamos a alimentar as crianças logo com problemas, chatices e aborrecimentos, então não sei, Não Sei Onde Odivelas Vai Chegar“.

[Notas da Redação]

  1. Estranhamente quem respondeu aos pais foi o Presidente Hugo Martins e não a Vereadora da Educação. A resposta não apresentou qualquer solução.

2. O presidente da Fapodivel, António Boa-Nova, esteve na assistência ao lado de Carla Sofia e Baltasar Pinto mas não usou da palavra.

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