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27º Amadora BD – Um Festival que Resiste, Ainda e Sempre ao Invasor.

Novembro 3rd, 2016 | by João Figueiredo
27º Amadora BD – Um Festival que Resiste, Ainda e Sempre ao Invasor.
Cultura
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O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, chamado Amadora BD desde há cerca de 10 anos, continua a ser o maior evento de Banda Desenhada em Portugal.  amadora_bd2016_2

Ao fim de 27 anos, apesar de continuar a atrair milhares de pessoas à 9ª Arte, o Festival começa a acusar os tempos de mudanças de hábitos culturais da população em geral e, em especial, da juventude. Juventude essa que cada vez mais é atraída para outras artes e hobbies, das quais se destacam o cinema, a internet e os videojogos, e, acima de tudo, para outros formatos de evento, como a Comic Con ou o Iberanime.

Convenhamos: com a evolução dos tempos; com a generalização da TV nos anos 70/80 e com os desenhos animados e a animação; com os videojogos nos anos 90/00, que nos permitem ser intervenientes nas histórias; com o fulgor da internet e das redes socias; a Banda Desenhada não tem a vida facilitada.

Se a estes factores externos juntarmos os já conhecidos e mil e uma vezes debatidos problemas de organização do Amadora BD, o objetivo principal do Festival fica em risco de estar comprometido para os próximos anos. Sem uma estratégia clara para o Festival, nunca se conseguirá fomentar o gosto pela leitura em Portugal.

O nosso País tem um grave problema no que diz respeito a fazer evoluir um mercado de BD. Somos apenas 10 milhões. Destes, poucos são os que têm o gosto pela leitura. Dos leitores, poucos são os que lêem e ainda são menos os que lêem BD portuguesa. Aliás, milhares de pessoas continuam a afluir ao Festival, mas uma parte significativa são habitantes da Amadora, que sentem o Festival como seu. Faz parte da vida do concelho. Muitos apreciadores moderados e, infelizmente, cada vez menos aficionados. Os poucos que continuam a ir, facto notório nas últimas 3 edições, vão apenas por amor à camisola.

O modelo de exposições descentralizadas pelo Concelho faz com que apenas as do Fórum Luís de Camões sejam realmente vistas pelo público em geral. A programação baseada numa exposição central que nem sempre é adequada ao grande público, na comemoração de efemérides relacionadas com obras clássicas e na utilização dos premiados do ano transacto como espinha dorsal das exposições é uma fórmula gasta, que dificilmente potencia o gosto pela novidade.

Contudo, vale a pena visitar a Amadora até domingo, dia 6 de Novembro. Destaca-se a presença de praticamente todas as editoras mainstream e independentes nacionais. Destaca-se a exposição Papá em África, de Anton Kannemeyer, autor sul-africano que retrata de forma sublime o Apartheid. Pela negativa, destaca-se uma falta de visão sobre como se pode potenciar o ano editorial português e o facto de termos cada vez mais autores a trabalhar para o mercado americano, como Jorge Coelho, autor odivelense, com cada vez mais trabalho publicado na Marvel. Pela positiva, destacam-se as editoras independentes que têm vindo a aparecer. São a forma que os autores portugueses inteligentemente encontraram para serem publicados.

/João Figueiredo

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