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Odivelas – Escola, violência e indisciplina (Comunicado da FERLAP)

Fevereiro 9th, 2017 | by Antonio Tavares
Odivelas – Escola, violência e indisciplina (Comunicado da FERLAP)
Cultura
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Recebemos da FERLAP a seguinte Nota de Imprensa:

Comunicado à Imprensa
Escola, violência e indisciplina A violência e a indisciplina na Escola, voltou a ser notícia, quando tal acontece, “aí Jesus que se apaga a luz”, vemos uam série de pessoas preocupadas com o que se está a passar. Pais, Professores, políticos, todos estão preocupados com esta violência e esta indisciplina. O problema é que assim que os holofotes se apagam e as coisas voltam à normalidade, ou seja, quando nada se passa, ou o que se passa não chega à Comunicação Social, tudo está bem e o que há a fazer, fica para depois, ou seja, até que volte a ser notícia. A FERLAP vem de há muito alertando para uma situação que se tem vindo a agravar com o passar do tempo sem que nada de concreto tenha sido feito para a resolver. A FERLAP, tem apresentando ideias e apontado direcções, por exemplo, em 2010 escrevíamos o seguinte em comunicado à imprensa: “Violência nos Recreios! Somos um povo reagente… um povo que reage, em vez de agir. Neste caso muito concreto, agir significa prevenir, reagir significa remediar…
Nas nossas Escolas os grupos violentos agem sobre os outros, o sistema reage e tenta (algumas vezes consegue, outras nem por isso) reparar os danos causados pela acção desses grupos.
Ora o que se pretende é que o sistema aja e não apenas que reaja. Agir implica prevenir, ora para prevenir é necessário que haja um investimento na Educação. Esse investimento vai servir entre outras, para que não existam alunos sozinhos nos recreios, os alunos sozinhos são um alvo para os grupos violentos, não havendo alunos isolados os grupos violentos têm tendência a deixar de o ser, não há alvos, qual a necessidade de existirem?
Como o fazer? A ideia da FERLAP passa por um algo a que resolvemos chamar “Animação de Recreios, proposta para uma solução.”
O que entendemos por animação de Recreios?
Animação de recreios será a presença de um Animador (habilitado para isso), ou mais, dependendo da dimensão das Escolas, que estará permanentemente nos Recreios, salas polivalentes e todos os locais onde possa haver alunos isolados.
Este terá por função criar um Recreio agradável, um local que os alunos gostem de frequentar, passando por criar jogos e diversões interagindo com os alunos, fomentando uma ligação que o leve a ser aceite no Recreio como mais um membro deste e não como um “policia”.
Esta presença, aceite, vai permitir entre outras: uma rápida acção sobre qualquer pequeno incidente, impedindo que este se transforme num acto de violência, a identificação de alunos com necessidade de acompanhamento especial, a identificação de alunos problemáticos, dinamizar actividades do interesse dos alunos, criar brincadeiras, etc., enfim vai contribuir para que o recreio seja um local agradável.
Temos perfeita consciência que se a Escola for um local agradável, será muito menos provável que a violência aconteça.
A Escola tem que ser um local agradável, tem que ser um local em que se promova a integração do indivíduo na sociedade adulta, preparando-o para que seja um adulto sociável, mesmo quando o seu presente e passado, foi tudo, menos social, ora porque cresceu em locais problemáticos, ora porque provem de uma família problemática, disfuncional ou afim.
A Escola tem que ser um local em que as crianças e jovens consigam ter a qualidade de vida que não conseguem ter quando não estão na Escola.
Uma Escola agradável vai permitir que os nossos filhos, os homens e mulheres de amanhã pertençam a uma sociedade muito mais justa equilibrada e pacífica.
O que lhe ensinarmos hoje, terá consequências amanhã, boas ou más, só depende de nós.
Mais uma vez passou a hora de Agir, por isso vamos ter que reagir, mas reagir, AGINDO.”
Em relação à indisciplina, a FERLAP, com base num inquérito de opinião às Associações e Federações de Associações de Pais da sua região, propôs, por exemplo, a redução do número de alunos por turma e a formação contínua de professores. Infelizmente, como sempre nestas coisas, as nossas pretensões e opiniões, não têm recebido qualquer retorno de quem de direito, parecendo que prevenir o crescendo da violência juvenil não é uma prioridade de uma sociedade evoluída e Democrática. Em 2012 e de uma forma mais abrangente, o Presidente da FERLAP escrevia o seguinte:
“”A Escola é o reflexo da Sociedade.” Ao contrário do que muito boa gente, muitos dos quais com um papel importante na formação dos mais novos, que o entende já como um dado adquirido, eu entendo que pelo contrário, a “Sociedade tem que ser o reflexo da Escola”, de outra forma não faria qualquer sentido a minha presença no Movimento Associativo Parental. Entendo que a Escola tem cada vez mais um papel fundamental na formação das Mulheres e dos Homens de amanhã. Entendo que numa Sociedade em que cada vez mais se perdem valores como, honra, respeito, dignidade, humanismo, solidariedade e muitos outros que me são muito caros e em que os Pais se demitem ou são obrigados a demitir-se da sua função de primeiros formadores, cabe à Escola o papel de impedir que se percam estes e outros valores que impedem que a Sociedade se degrade ao ponto de a vida humana não ter qualquer valor ou significado. Cabe à Escola o papel de “segurar as pontas” e reavivar os valores que se estão a perder de uma forma assustadora. Cabe à Escola o papel de exportar para a Sociedade esses valores em vias de extinção. A Escola, não pode ser apenas o local onde se ensinam as letras e os números, tem que ser muito mais do que isso, tem que ser o local em que se transmitam os valores, que por um motivo ou outro, não são transmitidos em casa. A Escola tem cada vez mais um importantíssimo papel na escrita do Futuro, não só o individual, mas também e principalmente, o colectivo. Sem uma Escola de valores, corremos o sério risco de criarmos uma Sociedade SEM FUTURO.” Hoje, os quase 43 anos de Democracia não produziram o que se esperava de uma Revolução, continuamos a ser um povo conformista e reagente, apenas nos preocupamos depois de acontecer, falamos muito e fazemos pouco. Talvez esteja na altura de alterarmos as coisas, talvez esteja na altura de deixarmos de reagir e passarmos a AGIR para, PREVENIR.
Isidoro Roque
Presidente CE