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FERLAP: Flexibilização curricular? Como?

Março 24th, 2017 | by Antonio Tavares
FERLAP:  Flexibilização curricular? Como?
Cultura
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Recebemos da FERLAP o seguinte comunicado:

Flexibilização curricular? Como?

Sabemos que os Pais e Encarregados de Educação não fazem, de momento, parte das agendas políticas dos Partidos políticos, do Governo ou da Comunicação Social, no entanto, somos os Pais e/ou Encarregados de Educação da razão de ser da Escola. Assim, independentemente da agenda política de cada um, entendemos ter o direito e o dever de ter uma palavra a dizer sobre a Escola dos nossos Filhos/Educandos.
Vem isto a propósito da implementação da flexibilização curricular já no próximo ano lectivo, em Escolas que assim o entendam, e das suas consequências.
Como foi dito no nosso comunicado de 2 de Março, as alterações são bem-vindas e deixa-nos, enquanto Pais e Encarregados de Educação, cheios de esperança num futuro mais risonho para a Escola dos nossos Filhos. No entanto, surgiu-nos uma questão principal e muito importante: Como vai ser conseguida a aplicação dos objectivos apresentados?
Pensamos ser uma questão muito importante e que não pode ser encarada com leviandade e de forma apressada. A velocidade a que vai saindo informação sobre as alterações que se vão realizar no próximo Ano Lectivo é assustadora, não permitindo uma reflexão sobre o assunto, nem a tomada de posição ou a participação com contributos que poderiam ser uma mais-valia.
Entendemos que continuam a ser cometidos os mesmos erros do passado, por um lado não tornando acessíveis as alterações propostas, sendo necessário verdadeiros dotes de investigador para se conseguir chegar aos documentos, e não permitindo uma verdadeira discussão sobre as mesmas. Por outro, não se procurando um verdadeiro consenso sobre as propostas, que passaria, como a FERLAP vem solicitando há anos, por um Pacto Político para a Educação em que a participação da Comunidade Educativa, onde se incluem os Pais e os Alunos, seria de extrema importância. Ficamos satisfeitos, embora a FERLAP não seja citada como um dos percursores desta ideia, por verificar qua cada vez mais sectores se pronunciam nesse sentido.
Continua-se a cometer o erro de todos os Governos do pós 25 de Abril de 1974, a aplicação de alterações curriculares sem a devida preparação e formação de todos os envolvidos na sua aplicação. É preferível perder-se um Ano Lectivo a que se apliquem medidas que, por muito boas que possam ser, poderão ser mais prejudiciais do que benéficas para os principais interessados, os Alunos, mesmo que apenas de algumas Escolas, por os aplicadores, Professores e outros Técnicos, das medidas não terem recebido as formações necessárias para as poderem aplicar eficazmente. Nunca nos podemos esquecer que estes, não são Super-Homens nem Super-Mulheres, são Seres Humanos que necessitam de tempo e formação para se adaptarem às novas realidades, o que mais uma vez não está a acontecer.
Mais uma vez a aplicação das novas medidas vai depender da improvisação de todos os envolvidos, uma vez que a sua formação de base não está direccionada para esta nova realidade. Vai ser necessário conseguir-se gerir uma série de formações e de interpretações do que é o Ensino e do que se pretende. Sendo, provavelmente, esta talvez a parte mais fácil se confiarmos no bom senso e na capacidade de “desenrascar”, característica dos portugueses, de quem vai estar envolvido no processo. Mais difícil será provavelmente conseguir conjugar os currículos das diversas disciplinas e os horários de toda uma Escola para que se possa aplicar o pretendido sem prejudicar quem não está directamente envolvido no processo.
Estas são apenas algumas das questões que se nos levantam quando nos deparamos com a “urgência” de começar a flexibilização curricular no próximo Ano Lectivo, sem a devida preparação de quem a vai aplicar deixando à vontade e capacidade de cada um a aplicação de algo que embora o Senhor Ministro diga que não, vai provocar alterações profundas nas Escolas, Alunos, Professores e Não Docentes, que as aplicarem.
A FERLAP e algumas APEE’s tentaram, através dos meios de que dispõem, incluindo os Conselhos Gerais das Escolas/Agrupamentos, fazer chegar estas preocupações ao Senhor Ministro da Educação. Soubemos, embora não oficialmente, que o Senhor Ministro teve conhecimento das mesmas, de tal forma que reagiu informando que não haveria alterações curriculares, continuando no entanto a insistir na necessidade de aplicar as medidas que propõe no próximo Ano Lectivo.
Continuamos a pensar ser um erro e propomos que, a ser uma experiência, como se depreende das notícias que vamos lendo, se preparem devidamente os envolvidos nestas experiências, sejam escolhidas as Escolas e lhes sejam dadas as condições que lhe permitam desenvolver o projecto sem terem que “inventar” soluções à medida que os problemas, mais do que certos, vão surgindo.
A Escola tem que ser encarada de forma séria, não podemos continuar a “remendar”, temos, primeiro, que nos preparar, depois, experimentar e por fim aplicar o que nos propomos.
Parecem-nos, serem estes, os passos a seguir, pois, principalmente hoje que é o Dia Nacional do Estudante, não podemos continuar a “inventar” quando o FUTURO do nosso País, depende das nossas decisões.
Isidoro Roque
Presidente CE

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