breaking news

QUEM TEM VERGONHA DE ODIVELAS ?

Abril 28th, 2017 | by Oliveira Dias
QUEM TEM VERGONHA DE ODIVELAS ?
Colunistas
2

Em jeito de introdução, rápida, á temática, um território, em função da sua finalidade pode assumir a forma de: Autarquia (Município e Freguesia), e mera circunscrição territorial (Aldeia, Localidade, Vila, Cidade, Concelho).

Um mesmo território pode ser designado como autarquia e simultaneamente mera circunscrição territorial, por exemplo o território do município é simultaneamente concelho, a diferença é que enquanto o território municipal é onde se opera a administração descentralizada do Estado, no território Concelhio opera-se a administração desconcentrada do Estado.

Estas distinções surgem com a Constituição da República Portuguesa de 1976, visto que antes disso o concelho era o mesmo que município, eram meros territórios.

Semelhantemente sucede com um município que simultaneamente contém no mesmo território a cidade, ou a freguesia que contém no seu território a Vila, Aldeia ou Localidade.

Em termos mais simplistas, o território das entidades descentralizadas são administrados por eleitos locais, e o território das entidades desconcentradas são administrados pela administração central (policia, tribunais, repartições, Transportes, outros serviços públicos, etc).

Cada uma destas qualidades é uma marca identitária do respectivo território, e em regra cabe aos eleitos locais pugnar por essa defesa, mormente no que concerne á identificação territorial do Município e da Freguesia, quando não a ambas, que será o desejável, obviamente.

Veja-se o caso de Odivelas … . Promovida a Cidade em 1990, nasce como município em 1998, porém em todo o território municipal de Odivelas não existe uma única placa que identifique o território, nem mesmo como cidade.

O que pode motivar o facto de seja qual for a entrada por que se opte para adentrar o município de Odivelas, não se vislumbre uma única placa identificadora, excepto aquelas que indicam direcções ? Só por vergonha, e quem tem a responsabilidade disso ? ou por outra, quem tem vergonha do Município de Odivelas ? E quem tem vergonha da Cidade de Odivelas ? E quem tem vergonha da Freguesia de Odivelas ?

Como se pode compreender que um dos mais relevantes municípios do País (classificado em 16º lugar no indicador populacional de entre 308) se veja assim despojado de identificação territorial ?

A toponímia não é importante ? O turismo não é desejável ? E o bom senso não faz falta aqui ?

Este desinteresse pela nossa terra não é exclusivo de Odivelas, na realidade das várias localidades que fazem parte do município, encontra seguidores, em quase todo o lado, com uma honrosa exceção e duas honrosas excepções parciais, Caneças, Povoa de Santo Adrião e Olival de Basto.

Caneças, em todas as suas entradas principais, ostenta orgulhosamente um marco brasonado identificando não só a sua autarquia – freguesia – como a sua localidade – vila, parabéns ao Armindo Fernandes, ex-presidente da junta de freguesia de Caneças.

A Póvoa de Santo Adrião e o Olival de Basto têm um marco semelhante identificando apenas a respectiva autarquia, e numa única entrada em ambos … mais vale pouco que nada.

A Pontinha possui uma espécie de outdoor, á saída de Famões, e nada mais. Quem entre na Pontinha vindo de Lisboa ou da Amadora, ou de Sintra, não há direito a placa, como se esta localidade pertencesse a Lisboa, ou Amadora, ou Sintra. Um disparate pegado.

Uma nota curiosa, que devo assinalar, em Famões, nos idos de 1992, era por mero acaso o meu pai vogal secretário na Junta de Freguesia de Famões, com o pelouro da toponímia, e eu membro da assembleia de freguesia, e ambos fazíamos a apologia de uma toponímia identitária, mesmo ao nível de bairros, como peça importante na consolidação do sentimento de pertença para os famoenses.

Já então se verificava que quem não fosse da terra ficava simplesmente perdido ao deambular pelas ruas da freguesia, atravessando sucessivos bairros da freguesia sem que nenhuma sinalização indicasse onde estava.

Nessa época, a nossa opção foi implantar em Famões placas identificadoras dos vários bairros, ostentando o nome do bairro, como informação principal, e o nome da Freguesia, como informação acessória. Este é um exemplo a seguir.

O substrato identitário de cada terra subjaz nestes marcos identificadores, e nisso se traduz o carinho que os senhores eleitos devem ter pela terra que administram, sem terem vergonha dela, porque sem ela não seriam os respectivos eleitos.

Em Odivelas, como em Famões, no passado, já remoto, chegaram a existir placas toponímicas á entrada de cada uma destas povoações, uns quadrados em pedra de proporções generosas ostentando no centro ODIVELAS e FAMÕES, entretanto retiradas, não se sabe muito bem, por quem e muito menos porque !!

Isto já para não falar da circunstância de inexistir em qualquer das 4 freguesias que hoje compõem o município de Odivelas 3 delas são uniões de freguesias e em nenhuma delas existe uma única placa toponímica indicando estas freguesias, das quais os próprios eleitos têm vergonha de assumir em termos toponímicos.

Assim 18 anos depois á que, a bem de um mínimo bom senso, corrigir esta situação incompreensível. É um pouco aquele ditado: mais vale tarde dom que nunca … .

José Oliveira Dias

(fundador do Movimento Odivelas a Concelho, em 1997)

2 Comments

  1. Miguel Nunes says:

    Bem ir:. Espero piamente que as pretensões obtenham os melhores resultados e em prol desse belo munícipio que é Odivelas. Agora e sempre façamos o que só nós mesmos podemos. T:. A:. F:. Caríssimo ir:.

  2. Miguel Nunes says:

    Muito bem ir:. Espero piamente que os pretextos sejam conseguidos com forma bela e sábia. T:. A:. F:. caríssimo.