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Odivelas: A miragem do O’TECH… E uma Câmara Municipal incapaz

Maio 13th, 2017 | by Antonio Tavares
Odivelas: A miragem do O’TECH… E uma Câmara Municipal incapaz
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Terrenos da COMETNA foram comprados pela Ambigroup

Os terrenos da antiga fábrica da COMETNA, em Famões, serão um gigantesco armazém de resíduos da Ambigroup, uma sociedade gestora de participações sociais. O grupo empresarial prevê a possibilidade de erguer uma indústria de reciclagem a médio prazo que poderá ser de resíduos de construção e demolição ou de plásticos, aproveitando a grandeza do terreno, de 158 mil m2. O coração de Famões – mesmo ao lado da emblemática Colinas do Cruzeiro – será um enorme caixote do lixo de resíduos. 

É definitivo: Odivelas nunca verá surgir o projecto O’TECH, apresentado em vésperas das ‘Autárquicas’ de 2009, que antevia a vinda de investidores imobiliários, no domínio das infraestruturas desportivas, académicas ou das indústrias tecnológicas que pudessem conviver paredes-meias com áreas urbanas.

A aquisição do terreno da COMETNA anunciada pela Ambigroup demonstra a incapacidade do Partido Socialista cumprir promessas eleitorais, mas sobretudo da Câmara Municipal em promover o concelho e a marca Odivelas junto de investidores”, disse o autarca José Maria Pignatelli que adianta: “Mesmo tratando-se de uma empresa com cuidados ambientais, o espaço será transformado num gigantesco armazém de sucatas diversas”.

O deputado municipal recorda que foi no Verão de 2009 que “Susana Amador apresentou o projeto para o Parque de Competitividade e Tecnologia de Odivelas, o O’TECH, que significaria um investimento total superior a 160 milhões de euros”, adiantando que “o fez, com uma mega exposição com imagens e audiovisuais do projeto, nos corredores do ainda Odivelas Parque, hoje o outlet Strada”.

Então, foi celebrado um acordo entre a Câmara Municipal e a empresa Lusocapital que tinha por missão garantir um destino para os terrenos da COMETNA e que também teve a bênção do proprietário Millennium BCP. 

José Maria Pignatelli lembra que o O’TECH foi a menina dos olhos dos líderes socialistas que “não se cansaram de realçar que Odivelas poderia, assim, complementar a função residencial, dominante, com a oferta de atividades económicas, que permitiriam fixar no concelho um número significativo de postos de trabalho, alterando definitivamente a imagem redutora de área-dormitório de Lisboa, convergindo com as orientações apontadas para esta área no novo PDM“. 

O deputado municipal admite que a Ambigroup, um grupo de seis empresas especializadas em tratamento de resíduos, contribuirá decisivamente parta sanar as irregularidades ambientais deixadas pela COMETNA que transformou aquele terreno gigantesco, num depósito a céu aberto de milhares de toneladas de poeiras ferrosas, de metais pesados, que nunca foram removidas durante mais de década e meia. “A descontaminação do terreno começará ainda este ano”, afirma o autarca que explica: “Há uma semana, um membro da administração da empresa garantiu que existe um projeto autorizado pela Agência Portuguesa do Ambiente para esse efeito”.

Para José Maria Pignatelli, o futuro daquele terreno ultrapassa as questões meramente ambientais, “pois deviam acautelar principalmente objetos relacionados com o planeamento e ordenamento do território, de lhe dar um destino de usufruto público, contrariando a perspetiva industrial atualmente descontextualizada daquela área do concelho… Numa fase inicial, tratar-se-ia de um investimento da ordem dos 6,5 milhões de euros, valor da aquisição do terreno ao BCP e da descontaminação dos solos”.

O autarca não hesita em considerar que “as opções políticas da liderança socialista da Câmara Municipal de Odivelas são desadequadas para o desenvolvimento sustentado do concelho”.

O deputado eleito pelo CDS salientou que “a Câmara Municipal gastou muitas dezenas de milhares de euros com o projeto O’TECH e com o protocolo de colaboração com a empresa Lusocapital, onde se incluíam os projetos e construção de dois edifícios destinados a equipamentos de saúde”, os que acabaram por ser construídos na Ramada e na Póvoa de Santo Adrião, mas pagos pela administração central do Estado.

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