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Odivelas FC – As palavras e os actos

Maio 28th, 2017 | by Painho Ferreira
Odivelas FC – As palavras e os actos
Painho Ferreira [Opinião]
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As palavras e os actos

É sabido que discordo profundamente da decisão da Maioria que actualmente governa o Concelho de Odivelas de entregar os terrenos de Porto Pinheiro ao Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol.  

Tenho assumido publicamente a necessidade de reverter esse processo, porque o considero lesivo dos interesses da população do Concelho, lesivo da construção de uma verdadeira política desportiva local que tome por prioridade as camadas mais jovens do nosso Concelho.

Este tema tem feito correr “rios de tinta”, tem trazido à luz do dia discursos inflamados e silêncios forçados de muitos cujas responsabilidades os deveriam impelir para assumir uma posição ou uma leve expressão de opinião que fosse…

Existem temas em que necessariamente os silêncios implicam a concordância com as decisões que são tomadas, mesmo que de forma directa não se tenha participado nelas.

Daí que, há meses, eu venha defendendo a necessidade de reversão deste processo.

Sejamos claros: reverter implica primeiro parar de desenvolver o processo e depois anulá-lo. É exactamente isto que eu entendo que deve ser feito e explicarei mais adiante os motivos deste entendimento.

Que fique igualmente claro que não me sinto pressionado nem pelos sócios do Odivelas Futebol Clube, nem pelo Sr. Presidente do SJPF, que numa entrevista dada a um jornal desportivo se admirou com esta minha posição parecendo dela querer fazer “queixinhas” ao Secretário Geral do meu Partido.

Era bom, aliás, que percebesse que neste colectivo que dá pelo nome de Partido Comunista Português peferimos a discussão em conjunto e não somos nada sensíveis a “raspanetes” de chefes, que não temos nem queremos.

Se por acaso ler este texto, faço questão de o informar que esta posição no sentido da reversão deste processo, não é uma posição individual do candidato Painho Ferreira mas sim do colectivo de direcção local do meu Partido, que analisou e reflectiu com significativa responsabilidade toda esta problemática. É por isso que não me sinto nada sózinho nas declarações públicas que tenho proferido relativas ao assunto em análise. Para além disto, teria tido gosto em lhe explicar pessoalmente os motivos que fundamentam esta nossa posição.

Creio que a esmagadora maioria dos elementos ligados ao O.F.C. conhecem a minha posição. Disse-lhes exactamente aquilo que penso e expliquei que esta posição não decorria de motivações eleitoralistas mas sim de uma visão de fundo que temos e defendemos para a resolução de problemas no nosso Concelho de Odivelas.

Acrescentei sempre com toda a frontalidade que, independentemente do desfecho de todo este processo, como eleitos locais nos competia defender os interesses das populações e o interesse público, pelo que nunca abdicaríamos de discutir o projecto do Complexo Desportivo pois, consideramos que essa é uma incumbência que os eleitos democraticamente não podem alienar.

Os Eleitos Locais têm pois como incumbência defender os interesses das populações que representam e o interesse público.

Fixemos pois, este desiderato da sua acção e confrontemos as palavras e os actos decisórios que são tomados pela actual maioria que está no Município.

Na proposta apresentada pode ler-se:

…Este equipamento…dotado de infraestruturas destinadas à prática desportiva….carece de um projeto sólido … visando a sua devolução ao uso e fruição dos munícipes….

E um pouco mais à frente:

Neste contexto, o SJPF, entidade representativa dos jogadores de futebol, é uma referência no panorama do desporto nacional, prosseguindo como objectivo, a defesa dos interesses indivuduais e colectivos dos futebolistas (consusbstanciada na promoção de ações destinadas à defesa da sua saúde,proteção social, emprego e formação, no quadro de áreas estratégicas por si definidas como prioritárias, e subjacentes ao exercício da sua actividade profissional)….

Sublinhemos então três aspectos:

1º- A Maioria reconhece a necessidade de devolução dos terrenos de Porto Pinheiro ao uso e fruição colectiva dos munícipes, dando a entender , por aí, estar preocupada com a sua livre utilização por largas camadas da população.

2ª – O Sindicato cumpre a sua função, ou seja, como qualquer outro sindicato, defende os interesses dos seus associados (os jogadores profissionais de futebol).

3º – Como é referido no texto ou dele decorre, o Complexo ficará submetido às orientações estratégicas unicamente definidas pelo Sindicato e condicionadas aos interesses dos seus associados;

Não cabe ao sindicato defender os interesses dos munícipes de Odivelas. Essa incumbência está depositada nos Orgãos de Poder Local democraticamente eleitos. Parece óbvio!

Vejamos então as hipotéticas contrapartidas obtidas pela CMO em defesa dos habitantes do Concelho. Voltemos à proposta citada anteriormente:

importa salientar os bebefícios desta cedência para a comunidade, os quais se traduzem entre outros, na concretização de programas e projetos de educação/formação e integração social através do desporto; na garantia do enquadramento técnico para apoio de atividades desportivas da população escolar de Odivelas; na reserva de uma sala, na parcela B ao Município de Odivelas, em assegurar ao Município o direito de inscrição gratuita de 10 jovens, por época desportiva “nas escolinhas de futebol”,bem como do direito de utilização gratuita até ao máximo de oito horas semanais dos equipamentos e demais infraestruturas (existentes e a construir).

Na clausula oitva o Município cederá igual número de horas ao SJPF para utilização do Pav. Multiusos.

Para além de palavras fica de concreto a inscrição gratuita de 10 jovens do Concelho e a possibilidade de utilização no máximo de oito horas semanais!!

Pergunto: alguém de boa fé acredita que isto se pode designar como prossecução do interesse público?

Pergunto: alguém de boa fé acredita que este protocolo defende os interesses da população e dos jovens do nosso Concelho?

Pergunto: a alguém minimamente atento escapará a enorme desconformidade entre as palavras e os actos decisórios dos actuais responsáveis pelas políticas municipais?

Deixo aqui estas perguntas, apelando à reflexão de todos. Uma reflexão que deve despir-se de paixões ou ressentimentos.

Num artigo posterior gostaria de exclarecer o modo mais detalhado como avaliamos toda a reestruturação das áreas centrais do nosso Concelho e explanar as propostas que fazemos tendo como objectivo articulá-las com todo o território.

A “política espetáculo” não me interessa. A criação de ilusões muito menos.

A entrega do Complexo de Porto Pinheiro ao SJPF significa a perda do mesmo em desfavor dos jovens e da população do nosso Concelho. O Complexo estará ao serviço dos “clusters” do futebol e não da população!

A criação mediática de ilusões de que aquele complexo estará aberto a populações como as das Colinas do Cruzeiro pode até render votos mas constitui, em meu entender, um intolerável embuste.

Fernando Painho Ferreira

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