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Odivelas – Perigo Magnético

Junho 17th, 2017 | by Oliveira Dias
Odivelas – Perigo Magnético
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Odivelas é, bem o sabemos, um lugar de atracção, em especial da especulação imobiliária, cuja força se assemelha a um rolo compressor que tudo esmaga no seu caminho, a bem do lucro bem se vê.

A ocupação espacial concretizada pelas populações é uma história de longa data, determinada pela necessidade das famílias assentaram a sua casa, o seu refúgio, ou como os japoneses denominam o seu “BA”, em territórios de que sejam os legítimos proprietários, foi o que sucedeu na década de 70 e 80 do século passado, nesta região.
Assim nasceram os bairros clandestinos, grande mola impulsionadora do crescimento demográfico destes 26 km2, mas não só, também as urbanizações de grandes aglomerados de prédios modernos surgiram, em especial após a criação do município de Odivelas, de que é paradigma a conhecida urbanização do “cruzeiro”, onde o cimento ocupou aquilo que eram colinas em estado quase selvagem, intocadas, até aí, pela mão humana, salvo uns quantos trilhos que o tempo se encarregou de preservar.

Estes tipo de urbanizações ignorou um perigo muito presente.

Os postes de “Alta Tensão”, que fazem parte da rede elétrica nacional, e se alinham em “percursos elétricos” bem definidos, compondo a estrada nacional de eletricidade, convivem, quase como, de mãos dadas, com prédios habitacionais … um pouco por todo o lado.

É alarmante a constatação de se edificarem estruturas para fins habitacionais, mesmo ao lado das estruturas metálicas, as torres, e como se não fosse perigo suficiente, é vulgar encontrar prédios habitacionais mesmo por baixo das linhas de alta tensão.

Este é bem um dos vários exemplos de como crescimento não é igual a desenvolvimento, porque daqui não se retira qualidade de vida como valor acrescentado.

Grandes responsabilidades, obviamente, para as autoridades locais (município e Freguesia), mais preocupadas com o crescimento da urbe, indo assim ao encontro do apetite voraz dos construtores civis, do que com o desenvolvimento harmonioso da qualidade de vida das populações.

É o crescimento a todo o custo, é o alcançar dos fins independentemente dos meios para o atingir.

Claro que em defesa deste atentado ambiental, e á qualidade de vida das pessoas, sempre se dirá que a comunidade cientifica não é unânime quanto aos efeitos dos campos magnéticos que se geram nestas linhas de alta tensão.

Também na idade média a comunidade cientifica desconhecia em absoluto as virtudes da higiene, até se perceber que a peste negra se alimentava dessa ignorância.

Por outro lado, o perigo magnético é apenas uma parte do problema, outro problema bem presente são as próprias estruturas físicas.

Quer as Torres, de altura considerável e os seus grossos cabos, estão sujeitos a acidente, seja naturais seja não naturais.

Se um simples guindaste cai e provoca sérios danos num prédio e em automóveis, para não dizer os eventuais feridos devido à circulação pedestre das ruas, imagine-se uma destas torres sucumbir, por uma qualquer razão, sobre um prédio habitado, ou sobre um passeio, onde pessoas se movimentem despreocupadas … já alguém pensou nisso ?

A incúria de no momento de se licenciar uma urbanização, não se cuidar de impor uma zona de “non aedificandi” (zona não edificável) como sucede para tantas outras situações, é um barril de pólvora latente. 

Que os construtores e promotores imobiliários não se preocupem com isso, verdadeiramente só o cifrão os preocupa, é uma conta, contudo os poderes públicos, com especial ênfase para as autarquias locais, esses não se podem demitir da responsabilidade de assegurar que das licenças e alvarás que emitem, não podem vir a resultar sérios danos, seja em pessoas seja no seu património.

Claramente isso não aconteceu … e quando se faz gala de slognas do tipo “Odivelas um bom sitio para se viver” isto não passa, por enquanto, de publicidade enganosa.

Cometido este erro grosseiro, resta ás entidades autárquicas, num primeiro momento, travarem este tipo de licenciamento para pretensões futuras, e no imediato proverem para uma completa e obrigatória informação ás populações directamente afetadas por esta grosseria urbanisitica, dos planos de contingência para os perigos potenciais desta situação, dos planos de emergência, para os casos de verificação de acidentes ou incidentes, de modo a que os visados possam prevenir-se da melhor forma.

Sabe-se que ninguém sabe se existem ou não esses planos de contingência, se existem os planos de emergência específicos a esta situação, ou se quer o município, quer a freguesia se quer se preocupam com isto. 

Esta, pois, na hora de perderem o sono por causa disto e rapidamente fazer o que falta fazer, antes que seja demasiado tarde.

Oliveira Dias

Ex-fundador do movimento Odivelas a concelho

 

One Comment

  1. Munícipe says:

    É uma vergonha termos esta situação “terceiro mundista” em Odivelas. Linhas de muito alta tensão a passar por cima de escolas, infantários, postos de trabalho e habitações.
    Desvio, enterramento, qualquer coisa caramba. Ano após ano sem nada de concreto é que é muita incompetência…