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Candidatura de Fernando Seara a Odivelas – A Queda de Um Anjo

Junho 27th, 2017 | by Antonio Tavares

Em Odivelas, ontem, 26 de Junho, assistimos a um “Déjà vu” de 2009 mas em versão mais suave.

Em 2009, Hernâni Carvalho, figura mediática, mas um filho da terra, desafiou o status, encostou o PSD e o PS às cordas e não fora alguns erros de campanha e alguma ingenuidade, talvez a história do concelho de Odivelas fosse hoje em dia muito diferente. Na própria noite eleitoral, o PSD local, os seus homens e as suas circunstâncias fabricaram um acordo com o PS que assegurou a evolução na continuidade que é a regra local desde a malfadada comissão instaladora e que, ao longo de todos estes 18 anos, alimentou uma elite PS/PSD neste concelho, como bem define Fernando Costa(1).

Ontem no centro de exposições de Odivelas, a pior sala neste Município para qualquer apresentação, Fernando Seara não ousou grandes rasgos fraturantes e ficou-se pelos lugares comuns.

Explicou métodos e falou das suas invenções mas faltou-lhe o golpe de asa que o elevasse bem acima dos que o rodeavam.  Fernando Seara esteve sempre junto dos que são parte do problema e jamais ousou questionar o “status quo” e sair da zona de conforto.  Não se lhe ouviu uma critica ao sistema PS/PSD neste concelho.

Para os que estavam na sala, mais de 60% não habitando em Odivelas, foi irrelevante grande parte da mensagem – não conhecem a realidade local e, mesmo alguns oradores com responsabilidades nas estruturas partidárias, demonstraram como ignoram o que se tem passado em Odivelas. Aplica-se a estes senhores a tal máxima de que não devem pretender ensinar daquilo que nada sabem.

Falemos então das fracas gentes que tanto aclamaram Fernando Seara.

Neste concelho a “concelhia” do CDS não existe nem faz qualquer trabalho político e o que existe dessa organização apenas é o resultado da vontade de um presidente da distrital de Lisboa do CDS que há 1 ano tem um caso de umas eleições impugnadas por resolver, na gaveta, para que os seus homens se mantenham à frente da “concelhia” e tenham os seus lugares garantidos nas estruturas do poder local. Não é de estranhar e é significativo que aqueles que fizeram trabalho político a sério como José Maria Pignatelli, deputado municipal, não tenham sido convidados para esta apresentação da candidatura de Fernando Seara. A par de José Maria Pignatelli, João Pedro Galhofo, Presidente da JP Odivelas, marca igualmente a diferença pelo amplo trabalho desenvolvido no terreno.

Do lado do PSD a análise é bem mais fácil. Nem a concelhia nem a jsd desenvolvem qualquer trabalho no terreno. Dir-se-ia que não existem e porventura assim será. Sem ideias e sem iniciativas próprias, desconhecem o terreno e a realidade social e são um partido que organiza, mal, campanhas eleitorais e que vive o resto do mandato encostado ao PS.

É neste contexto que surge Fernando Seara, um homem só, que irá brilhar até 1 de Outubro e que dificilmente vai guardar boas lembranças desta sua aventura eleitoral num poder local em que a esmagadora maioria dos seus é funcionário e eleito, políticos profissionais que provaram no passado não estarem à altura do que o Povo espera – a Mudança e a Felicidade.

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(1) “No momento atual, tal como noutros da nossa história, a elite política e autárquica transformou-se naquilo que é o verdadeiro sentido de «elite»; um conjunto de pessoas que se julga com direitos que não tem e acima dos próprios governados. São elites porque se entendem como privilegiadas, únicas, na administração da coisa pública. Muito cidadão, se soubesse como alguns dinheiros públicos são gastos, revoltava-se e invadiam as câmaras e os ministérios.” – Fernando Costa, contracapa do seu livro “Salve-se (d)o Poder Local” – editado em 2013

One Comment

  1. Tito Teixeira says:

    Se a estratégia local do PSD sempre foi semelhante à do PS e ambos governaram o concelho em conjunto várias vezes, como poderia haver propostas diferentes daquilo que na essência tem sido igual? Fernando Seara vale por ser famoso, nada mais.