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Odivelas: Maioria absoluta só representa 21% dos eleitores

Outubro 9th, 2017 | by Odivelas.com
Odivelas: Maioria absoluta  só representa 21% dos eleitores
Autarquicas 2017
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Passado o primeiro dia de Outubro, conhecidos os resultados eleitorais, José Maria Pignatelli fez uma curta declaração de uma honestidade intelectual indiscutível tal como viria a comentar, mais tarde, Lúcia Lemos, a advogada e professora que também é deputada municipal em Odivelas. O autarca, eleito pelo CDS, recordou que, em Odivelas subsiste o fenómeno das Autárquicas de 2013: Mais de 53 % dos cidadãos habilitados a votarem abstiveram-se e 5,77% dos eleitores foram às urnas votar em branco ou anular o voto, ou seja “dizer não às políticas empreendidas no nosso território (…). Assim, a maioria absoluta do Partido Socialista representa realmente menos de 21% dos eleitores de Odivelas, ou seja 1/5 dos recenseados”.
O eleito disse que no Domingo, “as maiores conquistas foram indubitavelmente para os autarcas do Partido Socialista que reforçaram a sua presença em muitas autarquias e conquistaram outras… E que a vitória foi claramente de António Costa”.
Para José maria Pignatelli, “o Partido Social Democrata pagou sobretudo pelo progressivo afastamento da sua matriz ideológica e pela falta de candidatos qualificados, muito mais que pela razão mais anunciada: De ter liderado um governo num país em tempo de crise e resgatado por instituições internacionais. Se assim fosse, o CDS não teria o resultado que teve em Lisboa, bem como através da candidatura independente à cidade do Porto que apoiou desde sempre”.

Passamos na integra a intervenção do deputado municipal:
“Felicito todos os que foram eleitos para as autarquias em Odivelas, bem como todos os que representarão os cidadãos nas autarquias dos restantes 307 concelhos do País. 54,97% dos eleitores portugueses atribuíram 35.540 mandatos e permitiram a representação de partidos políticos e grupos de cidadãos, mostrando que a administração local é, em certa medida, relevante para as populações, muito por força da proximidade destes centros de decisão e dos detentores de cargos públicos. As populações principalmente dos meios mais rurais e do interior veem nestes eleitos a única esperança de uma vida melhor, da defesa dos seus interesses e das comunidades, quase sempre menos exigentes que nas grandes metrópoles.
No Domingo, as maiores conquistas foram indubitavelmente para os autarcas do Partido Socialista que reforçaram a sua presença em muitas autarquias e conquistaram outras. Contudo, a vitória foi claramente de António Costa, o secretário-geral do PS. Os resultados não desmentem que uma assinalável maioria dos eleitores votaram com sentido nacional só não penalizando as candidaturas do CDS-PP e algumas das independentes. O mérito da vitória socialista é claramente do líder do governo português. Se é certo que não conquistou as Câmaras de Braga, Porto, Aveiro (que perdeu para o PSD), Viseu, Santarém, Setúbal, conquistou a maioria dos maiores municípios como Viana do Castelo, Guimarães, Chaves, Coimbra, Leiria (onde ultrapassou o PSD), Lisboa, Sintra, Amadora, Faro e obteve importantes vitórias eleitorais – porventura impensáveis – como em Almada, no Barreiro e em Beja.
No Domingo, os mais penalizados foram o PSD, a CDU e de certo modo o Bloco de Esquerda. Salvou-se o CDS que manteve as suas Câmaras e foi a segunda força política mais votada em Lisboa, um resultado meritório de Assunção Cristas.
O Partido Social Democrata pagou sobretudo pelo progressivo afastamento da sua matriz ideológica e pela falta de candidatos qualificados, muito mais que pela razão mais anunciada: De ter liderado um governo num país em tempo de crise e resgatado por instituições internacionais. Se assim fosse, o CDS não teria o resultado que teve em Lisboa, bem como através da candidatura independente à cidade do Porto que apoiou desde sempre.
Os resultados destas eleições autárquicas revelam uma outra curiosidade, alvo de estudo sociológico: Os partidos que apoiam a governação nacional do Partido Socialista, resultante de umas eleições ganhas pela coligação PSD-CDS – os que integram a CDU e o Bloco de Esquerda – foram penalizados, precisamente em detrimento das candidaturas socialistas. A CDU perdeu dez Câmaras Municipais, nove delas precisamente para o PS, de onde se destacam Almada, Barreiro e Beja, bastiões tradicionalmente apoiantes das candidaturas da CDU.
Odivelas não fugiu a este denominador comum, ao efeito governação de António Costa que tenta repor ou prometer a reposição aos cidadãos dos benefícios perdidos entre 2011 e 2015, por circunstâncias adversas, precisamente criadas e sustentadas no decurso da primeira década do seculo, pelo PS de José Sócrates. Aliás, os resultados deste acto eleitoral confirmam outro paradigma: 1/4 dos eleitores portugueses não dão qualquer importância ao aumento sistemático da divida pública que, ontem, se anunciou ter ultrapassado a fasquia dos 250 biliões de euros. Um valor dificilmente pagável nas próximas três ou quatro décadas e que hipotecará os anseios das próximas gerações.
O PS em Odivelas consegue a segunda maioria absoluta, agora mais expressiva, por força da inerência na Assembleia Municipal dos seus quatro presidentes de juntas ou uniões de freguesia. Pela primeira vez, os socialistas podem governar a Câmara Municipal de Odivelas sozinhos, abrindo a perspectiva interessante de serem sufragados em 2021 pelo que forem realmente capazes de fazer. Também pelo cumprimento das promessas agora anunciadas, muitas delas a transitarem da anterior campanha e que dificilmente serão concretizadas a curto ou médio prazo. No imediato recordo o Parque da Cidade que, desta vez, transita da entrada baixa da cidade para a quinta do Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo, numa claríssima colagem ao compromisso há muito anunciado pela CDU.
Mas no concelho de Odivelas ainda subsiste o fenómeno das Autárquicas de 2013: 53,33% dos cidadãos habilitados a votarem abstiveram-se e 5,77% dos eleitores foram às urnas votar em branco ou anular o voto, ou seja dizer não às políticas empreendidas no nosso território. Assim, a maioria absoluta do Partido Socialista representa realmente menos de 21% dos eleitores de Odivelas, ou seja 1/5 dos recenseados.
Por último, uma nota para o desempenho da coligação PSD-CDS “Dar força a Odivelas”: Obtiveram menos 1,2% dos votos que a soma dos resultados dos dois partidos, nas últimas Autárquicas, em 2013. A candidatura de Fernando Seara foi um insucesso: Foi incapaz de trazer a debate os dossier mais pertinentes e de afastar o PSD do fantasma de 12 anos de cumplicidade com as governações do PS.
E termino desejando a todos os novos Eleitos e aos que continuam no próximo mandato nos Órgãos Autárquicos do concelho as maiores venturas, não deixando de saudar todos aqueles com quem partilhei trabalho nesta Assembleia Municipal e que se empenharam incondicionalmente na coisa pública. A todos esses, agradeço”.

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