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	<title>odivelas.com &#187; Máxima Vaz</title>
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		<title>A solidão</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 11:56:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos falar de solidão, mas da solidão que dói, que nos entristece e amargura. É que pode haver solidão desejada, que sabe bem. Essa solidão só a procura quem tem uma vida muito activa, muito vigor e muitas responsabilidades. A essas pessoas fazem bem uns dias de isolamento, para descansar e reflectir, para recuperar forças [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/maxima-vaz-PB1.jpg"></a><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/topo_maxima-vaz.jpg"><img class="size-full wp-image-11777 aligncenter" title="topo_maxima-vaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/topo_maxima-vaz.jpg" alt="" width="615" height="108" /></a>Vamos falar de solidão, mas da solidão que dói, que nos entristece e amargura. É que pode haver solidão desejada, que sabe bem. Essa solidão só a procura quem tem uma vida muito activa, muito vigor e muitas responsabilidades. A essas pessoas fazem bem uns dias de isolamento, para descansar e reflectir, para recuperar forças e voltar ao trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não é dessa solidão que vos quero falar. Nem da solidão procurada pelos espíritos contemplativos, que buscam no isolamento o seu ideal de perfeição, o encontro com o sobrenatural.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero comentar uma outra realidade – a solidão a que estão votados os nossos queridos idosos.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os povos antigos tinham um profundo respeito pelos seus anciãos. Os mais velhos foram sempre muito ouvidos e considerados pelo seu saber. A vida deu-lhes experiência e com ela aprenderam as lições que dão o conhecimento, que depois colocavam ao serviço de todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos momentos difíceis consultavam-nos, pediam-lhes opinião. Rodeavam-nos de atenções e olhavam-nos com respeito carinhoso. Guardavam para eles os melhores lugares no seio da família. À mesa serviam-lhes a comida em primeiro lugar. Os idosos eram, de facto, o centro das atenções e preocupações de todos os seus familiares. Quando não podiam ter a companhia dos adultos tinham a das crianças. Muito raramente estavam sozinhos, e quando isso acontecia era por pouco tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, a realidade, para nossa vergonha, é muito diferente desta. Esquecemos a dívida para com os mais idosos, a quem devemos tudo o que somos, centramos a vida em torno dos nossos interesses pessoais e deixamo-los entregues a si próprios, com as dificuldades resultantes da sua idade. Mas a dificuldade maior é o peso da solidão, é verem-se prisioneiros do isolamento, privados do convívio com os seus familiares.</p>
<p style="text-align: justify;">É urgente, é imperioso e de toda a justiça, alterar esta realidade. Os idosos precisam de amor, merecem-no, e mais que isso, têm direito a ser amados.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós temos obrigação de cuidar deles com amor, com carinho, com respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">E nem sequer é caridade, é justiça, é um direito deles. Conquistaram-no com trabalho e sacrifícios, com o amor e carinho com que nos criaram.</p>
<p style="text-align: justify;">O amor foi a força que lhes permitiu vencer obstáculos, transpor montanhas, para que nós tivéssemos o que eles nos puderam dar. Não é justo que não lhes saibamos retribuir. Não é humano faltarmos-lhes com a nossa companhia. Não é digno mantê-los afastados do nosso convívio.</p>
<p style="text-align: justify;">Apelo a todos os filhos que tratem os seus pais com amor e respeito. Não os deixem sozinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Paguem a dívida e invistam no vosso futuro!</p>
<p style="text-align: justify;">Para eles, aqui deixo um fraterno abraço e os votos de uma vida feliz.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
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		<title>Republicanas Notáveis &#8211; Carolina Beatriz Ângelo</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Apr 2011 12:26:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Topo]]></category>
		<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>

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		<description><![CDATA[Nasceu na Guarda – freguesia de S. Vicente – às 19h de 16 de Abril de 1878 Faleceu em Lisboa – 3 /10/1911 Era filha de Viriato António Ângelo e de Emília Clementina de Castro Barreto, nascidos e criados na cidade da Guarda, pelo que podemos afirmar que as raízes de Carolina Beatriz Ângelo se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_11816" class="wp-caption alignright" style="width: 304px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/carolina-betraiz-angelo1.jpg"><img class="size-full wp-image-11816" title="carolina-betraiz-angelo1" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/carolina-betraiz-angelo1.jpg" alt="" width="294" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução do catálogo da exposição Carolina Beatriz Ângelo Cortesia do Museu da Guarda</p></div>
<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/carolina-betraiz-angelo.jpg"></a><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/carolina-beatriz-angelo.jpg"></a>Nasceu na Guarda – freguesia de S. Vicente – às 19h de 16 de Abril de 1878</p>
<p style="text-align: left;">Faleceu em Lisboa – 3 /10/1911</p>
<p style="text-align: justify;">Era filha de Viriato António Ângelo e de Emília Clementina de Castro Barreto, nascidos e criados na cidade da Guarda, pelo que podemos afirmar que as raízes de Carolina Beatriz Ângelo se localizam na cidade mais alta de Portugal (1056 metros de altitude), como os guardenses se orgulham de dizer. E, por sinal, no núcleo histórico da povoação, a que pertence a popular freguesia de S. Vicente, que preserva, com carinho, a casa do cronista Rui de Pina, à entrada da Porta da Erva, rasgada no lanço de muralha edificada por D. Dinis, uma das entradas na histórica freguesia de S. Vicente, onde, igualmente, nasceram seus pais. É também uma das entradas da conhecida judiaria e muito próximo fica a casa onde, segundo a tradição, habitava D. Sancho I, quando visitava a cidade à qual concedeu foral, a 26 de Novembro de 1199. Lamentando-se pelas ausências, a sua amada Ribeirinha, diria nessas ocasiões: “Ay muito me tarda, o meu amigo, na Guarda.” Os lugares de memória da infância e adolescência de Carolina Beatriz Ângelo, são no coração histórico da cidade que a viu nascer e crescer e não a esqueceu, como provou durante todo o ano de 2010, nas homenagens que lhe prestou.</p>
<p style="text-align: justify;">Com treze anos entrou no Liceu Nacional da Guarda e, terminados os estudos pré-universitários, veio para Lisboa, tendo-se matriculado na Escola Politécnica, que frequentou dois anos, passando seguidamente para a Escola Médico-Cirúrgica, durante cinco anos, onde concluiu a Licenciatura em Medicina no dia 9 de Janeiro de 1902.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse mesmo ano, casou com o Dr. Januário Gonçalves Barreto Duarte, seu primo e colega de curso. Infelizmente foi curta a vida de ambos. Ele faleceu a 23 de Junho de 1910, deixando uma filha que completava 7 anos dali a três dias. Carolina não lhe sobreviveu muito, vindo a falecer passado um ano e três meses, com 33 anos de idade.</p>
<div id="attachment_11813" class="wp-caption alignright" style="width: 304px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/batriz-angelo1.jpg"><img class="size-full wp-image-11813" title="batriz-angelo1" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/batriz-angelo1.jpg" alt="" width="294" height="414" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução do catálogo da exposição Carolina Beatriz Ângelo Cortesia do Museu da Guarda</p></div>
<p style="text-align: justify;">O hospital de S. José era então o que nós hoje consideramos um hospital escolar e foi lá que ela “estagiou” e se iniciou na cirurgia.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi a 1.ª cirurgiã portuguesa. Operou no hospital de S. José. Trabalhou também no hospital de Rilhafoles, onde exercia psiquiatria o Dr. Miguel Bombarda. A República mudou depois o nome a este hospital, em homenagem a esse médico, conservando até hoje, o nome de Miguel Bombarda.</p>
<div class="mceTemp">A Dr.ª Carolina exercia também medicina no seu consultório na Rua Nova do Almada.</div>
<p style="text-align: justify;">Em 1906, com outras médicas, uma das quais era Adelaide Cabete, aderiu ao comité português de uma instituição francesa, “La Paix et le Dèsarmement par les Femmes”, tendo sido membro da direcção. O nome sugere os objectivos e dispensa explicações.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1907 foi iniciada na Maçonaria, na loja Humanidade e, com Adelaide Cabete, preparou as suas “irmãs”para prestarem serviços de enfermagem em situações revolucionárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Maria Veleda, fez parte do grupo de mulheres que definiram o rumo ao feminismo em Portugal, integrando o Grupo Português de Estudos Feministas e a Associação de propaganda Feminista.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1908 fundaram a Liga Republicana de Mulheres Portuguesas, que tinha como objectivo primordial a conquista de direitos e deveres iguais para os dois sexos. O seu empenhamento como cidadã, levou-a ainda a colaborar na propaganda pela institucionalização do Registo Civil e pela publicação da lei do divórcio.</p>
<p style="text-align: justify;">O que distinguiu Carolina Beatriz Ângelo das outras companheiras, foi o facto de ter sido a 1.ª mulher a votar em Portugal e até no sul da Europa.</p>
<div class="mceTemp">Implantada a República, ia haver eleições para a Assembleia Constituinte. A lei eleitoral concedia voto a todos os chefes de família que soubessem ler e escrever. A Dr.ª Carolina era viúva, sustentava a sua casa com o seu trabalho de médica, sendo por estas razões chefe de família, pelo que pediu a inclusão do seu nome no recenseamento eleitoral, o que lhe foi recusado. Não aceitando a recusa, apresentou um recurso no Tribunal da Boa Hora. Numa decisão histórica, o Dr. João Baptista de Castro (pai de Ana de Castro Osório), juiz da 1.ª Vara Cível de Lisboa, deu provimento ao pedido e mandou incluí-la nos cadernos eleitorais. E no dia 28 de Maio de 1911, Carolina Beatriz Ângelo pode votar para a Assembleia Nacional Constituinte, o que foi um acontecimento com repercussões internacionais.</div>
<div id="attachment_11814" class="wp-caption alignright" style="width: 410px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/liga-portuguesa-republicana.jpg"><img class="size-full wp-image-11814" title="liga-portuguesa-republicana" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/liga-portuguesa-republicana.jpg" alt="" width="400" height="605" /></a><p class="wp-caption-text">5- Ana de Castro Osório, 8-Angelina Vidal, 14- Adelaide Cabette, 15-Carolina Beatriz Ângelo, 16- Maria do Carmo (Reprodução do catálogo da Exposição Carolina Beatriz Ângelo Cortesia do Museu da Guarda)</p></div>
<p style="text-align: justify;">Esta primeira eleitora portuguesa teve atitudes e ideias pioneiras como foi o defender o serviço militar obrigatório para as mulheres, embora fosse de opinião que só deviam ocupar cargos administrativos, serviço de ambulâncias, enfermagem e cozinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do seu desaparecimento tão precoce, foi uma figura de destaque pelo seu trabalho nas organizações feministas do seu tempo e tem um lugar na História.</p>
<p style="text-align: justify;">A cidade da Guarda, no âmbito das comemorações da implantação de República, prestou-lhe uma honrosa homenagem, destacando-se uma exposição sobre ela, no Museu egitaniense e a publicação de um catálogo de grande qualidade gráfica, como pude constatar pelo exemplar que a sua Directora, Dr.ª Dulce Helena Pires Borges teve a generosidade de me oferecer, quando me convidou para a abertura da referida exposição, a quem apresento publicamente o meu agradecimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><em>__________________________________</em></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor</em></em></p>
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		<title>Aqui se fala de doces, de Outeiros e de freiras…</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Jan 2011 21:54:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>

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		<description><![CDATA[Que tristes estão as freiras,                                         Por verem tão mal tratada Sem amor nem maneiras A famosa marmelada Dizem que foi por amor Sem a mínima maldade Que lhe tiraram a cor E lhe deram qualidade Nunca foi doce de guerra, Mas de carinho e amor,  E só quer que nesta terra Lhe refinem o sabor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/maxima-vaz-PB.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9145" title="maxima-vaz-PB" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/maxima-vaz-PB.jpg" alt="" width="107" height="80" /></a>Que tristes estão as freiras,                                        <br />
Por verem tão mal tratada<br />
Sem amor nem maneiras<br />
A famosa marmelada</p>
<p>Dizem que foi por amor<br />
Sem a mínima maldade<br />
Que lhe tiraram a cor<br />
E lhe deram qualidade</p>
<p>Nunca foi doce de guerra,<br />
Mas de carinho e amor, <br />
E só quer que nesta terra<br />
Lhe refinem o sabor</p>
<p>Tenham juízo, ora essa!<br />
Marmelos já na água fria!<br />
Ordena a madre Abadessa.<br />
VEM AÍ A POESIA!</p>
<p>Abaixo a guerra e a tristeza,<br />
É a festa da poesia,<br />
Versejar é uma beleza,<br />
Uma alegre sinfonia.</p>
<p>Ó irmã, dê lá o mote,<br />
Ao seu amado poeta!<br />
Estou em dia de sorte,<br />
A rima vai bater certa!</p>
<p>O visconde bradou bem alto:<br />
Vamos todos p´ra Odivelas,<br />
Aos Outeiros eu não falto,<br />
Vinde comigo, vinde vê-las.</p>
<p>As madres são divertidas,<br />
E têm boas maneiras,<br />
Na réplica são atrevidas,<br />
E nos doces as primeiras!</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
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		<title>A Revolução Republicana</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 00:22:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Topo]]></category>
		<category><![CDATA[5 Outubro]]></category>
		<category><![CDATA[Republica]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Republicana]]></category>

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		<description><![CDATA[Não falarei hoje dos ideais republicanos nem das medidas tomadas pelos governos republicanos, nem, como seria meu gosto, dos homens e mulheres que sonhavam com “Um Governo do povo, pelo povo e para o povo”. Hoje quero falar apenas do movimento revolucionário que conduziu à proclamação da República. Toda a acção assentava em três pilares [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/republica.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6531" title="republica" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/republica.jpg" alt="" width="294" height="221" /></a>Não falarei hoje dos ideais republicanos nem das medidas tomadas pelos governos republicanos, nem, como seria meu gosto, dos homens e mulheres que sonhavam com “Um Governo do povo, pelo povo e para o povo”.</p>
<p>Hoje quero falar apenas do movimento revolucionário que conduziu à proclamação da República.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda a acção assentava em três pilares fundamentais: a Marinha, o Exército e os civis. Uns e outros estavam organizados e preparados para actuarem mediante as ordens dos chefes revolucionários.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos civis implicados na conjura tinham sido distribuídas armas e bombas, no dia 2 de Outubro. Na Marinha, a República tinha muitos adeptos. Era particularmente importante, a tripulação dos navios de guerra, pelo que se tornava indispensável a presença destes barcos no Tejo, quando o movimento rebentasse.</p>
<p>Aliás, estava combinado que o sinal do início da revolução seria uma salva de 31 tiros dada de um barco de guerra.</p>
<p style="text-align: justify;">Os acontecimentos precipitaram-se com a ida de um grupo de marinheiros à sede do Directório do Partido Republicano, na noite do dia 1 de Outubro, para informar os seus membros que iam ser dadas ordens para os barcos de guerra saírem do Tejo e que, por isso, era urgente o eclodir da revolução.</p>
<div id="attachment_6534" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/dir_part_republicano.jpg"><img class="size-full wp-image-6534" title="dir_part_republicano" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/dir_part_republicano.jpg" alt="" width="600" height="202" /></a><p class="wp-caption-text">Directório do Partido Republicano</p></div>
<p style="text-align: justify;">Atitude semelhante tinham tido já alguns sargentos e cabos do Exército, apresentando ao Directório uma mensagem pedindo urgência na acção, porque os soldados que tinham acabado a instrução iam ser licenciados e, na sua maioria eram adeptos do republicanismo e estavam comprometidos com o movimento.</p>
<div id="attachment_6536" class="wp-caption alignleft" style="width: 169px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/alm_cand_reis.jpg"><img class="size-full wp-image-6536" title="alm_cand_reis" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/alm_cand_reis.jpg" alt="" width="159" height="244" /></a><p class="wp-caption-text">Almirante Cândido dos Reis</p></div>
<div id="attachment_6538" class="wp-caption alignright" style="width: 163px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/machado_santos.jpg"><img class="size-full wp-image-6538" title="machado_santos" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/machado_santos.jpg" alt="" width="153" height="248" /></a><p class="wp-caption-text">Machado dos Santos</p></div>
<p style="text-align: justify;">No dia 2, reuniram-se os membros do “comité revolucionário” e tanto Cândido dos Reis como Machado Santos, figuras importantes do comité, insistiram para que se marcasse rapidamente o dia do início da revolta, propondo ambos o dia 4, à 1h da manhã.</p>
<p>Nesse mesmo dia 2, da parte da tarde, houve nova reunião e foi confirmado o dia 4 e a hora – 1 da manhã.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 3, às vinte horas, os dirigentes voltaram a reunir-se, agora com a presença dos delegados das unidades militares comprometidas: Infantaria 16, Infantaria 5, Artilharia 1, Cavalaria 4, Lanceiros 2, a Marinha, a Guarda Fiscal e os chefes dos grupos de civis.</p>
<p>À meia noite já todos os responsáveis estavam nos lugares combinados e aguardavam o sinal – a salva de 31 tiros vinda de um barco de guerra ancorado no Tejo. Cada um estava consciente da sua missão e determinado a levá-la a cabo. Mas o imprevisível, o inexplicável veio contrariar o que estava combinado. A descarga dos 31 tiros não aconteceu e todas as dúvidas assaltaram os revolucionários e deitaram por terra o plano traçado previamente. Mas por que razão não foi dado o sinal?</p>
<p style="text-align: justify;">O Vice-Almirante Cândido dos Reis, comandante da marinha revoltada é que tinha sido escolhido para ordenar a salva no navio. Helder Ribeiro tinha o encargo de fazer a ligação das forças de terra e mar. Estava combinado encontrarem-se com outros oficiais da marinha no cais da Viscondessa, os quais deviam acompanhá-los a bordo, entre eles o capitão de fragata, Fontes Pereira de Melo e o 1.º tenente Carvalho Araújo. Os dois primeiros chegaram à hora marcada e já ali se encontravam todos aqueles que os iriam acompanhar ao barco de guerra. Estranhamente, os vapores da Parceria Lisbonense que os deviam transportar a bordo, tinham ainda as caldeiras apagadas. Demorou tempo até que a máquina do “Dinorah”, para a qual o almirante saltara, tivesse pressão suficiente para que o barco pudesse largar. Embarcaram entretanto os oficiais acompanhantes e quando se ia desamarrar o cabo para largar, chegou ao cais, em grande correria, Aragão e Melo, à paisana, dizendo que tudo estava perdido, que se trocaram as “senhas” e que a Infantaria 16 saíra para a rua a favor do governo e estava a atirar sobre o povo. O almirante, em desespero, mandou desembarcar os companheiros e autorizou-os a irem para casa.</p>
<div class="mceTemp">Viram-no ainda perto dos balneários de S. Paulo. Encontraram-no, de madrugada, morto, na Azinhaga das Freiras, em Arroios. É opinião generalizada, que se suicidou.</div>
<p style="text-align: justify;">Contudo, o movimento, ignorando o sinal, eclodiu em terra à hora prevista, graças ao arrojo e determinação de Machado Santos que, temerariamente, iniciou e seguiu o plano traçado: à 1h menos 15m, saiu do Centro Republicano de Santa Isabel, acompanhado por um punhado de arrojados civis, e caminhou para o portão de armas do quartel de Infantaria 16, onde estava previsto encontrar-se com os militares à 1h da manhã do dia 4. Aqui, os soldados revolucionários formaram uma coluna e, com os civis, marcharam para Artilharia 1. Machado Santos, comissário naval, era o único com patente de oficial. Com os revoltosos deste quartel, formaram-se 2 colunas militares que se encaminharam para os quartéis que tinham declarado aderir, mas que faltaram ao compromisso, dadas as já referidas circunstâncias que trouxeram a descrença na vitória.</p>
<div id="attachment_6547" class="wp-caption alignright" style="width: 410px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/rotunda.jpg"><img class="size-full wp-image-6547 " title="rotunda" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/rotunda.jpg" alt="" width="400" height="242" /></a><p class="wp-caption-text">Militares de Civis na Rotunda </p></div>
<p style="text-align: justify;">Mas  os que estavam  na rua não perderam a esperança e prosseguiram o caminho traçado, até à Rotunda, onde tomaram posições às 3h da madrugada do dia 4 de Outubro. Ao clarear da aurora, certificaram-se que havia forças fiéis ao governo no Rossio e no Largo de S. Domingos. Tinha havido tiroteio durante a noite, de que infelizmente resultaram alguns mortos. Aqui foram chegando notícias desanimadoras, uma das quais foi a morte de Cândido dos Reis e outra dizendo que o cruzador D. Carlos tinha içado a bandeira azul da Monarquia, o que era verdade. Houve desânimo na Rotunda! Os oficiais que entretanto se tinham juntado aos revoltosos ali barricados, reuniram com eles em conselho e tomaram a decisão que comunicaram aos presentes: considerando que era inútil a resistência e dado o pequeno número que ali se mantinha, resolveram abandonar o campo, convictos do fracasso total, pelo que aconselhavam a retirada e o regresso dos soldados quartéis e dos civis a suas casas. Era o que ordenava o bom senso e os factos. Ignorando uma coisa e outra, como já tinha ignorado a falta do sinal à 1h da madrugada, Machado Santos não arredou pé! Participava na revolta. Só tinha que cumprir o previsto no plano de acção! Ele ficava. Quem não quisesse ficar, podia partir.</p>
<p>Com ele ficaram alguns sargentos, praças e civis, mas poucos. Contavam-se em dezenas, nem chegavam à centena.</p>
<p>Com as suas dragonas doiradas, montou a cavalo e tomou o comando. Simples comissário naval, 2.º tenente.</p>
<div id="attachment_6548" class="wp-caption alignleft" style="width: 345px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/rotunda2.jpg"><img class="size-full wp-image-6548  " title="rotunda2" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/rotunda2.jpg" alt="" width="335" height="223" /></a><p class="wp-caption-text">Rotunda - Revoltosos nas barricadas</p></div>
<p style="text-align: justify;">Os civis barraram o acesso à Avenida. Todas as tentativas de subida desta artéria foram mal sucedidas. Tinham a esperança de, mais hora menos hora, receberem a ajuda dos marinheiros, que também não desistiram. Ali ficaram, para o que desse e viesse! Durante o dia 4 tudo se encaminhou no sentido da renovação da esperança. Os marinheiros não goraram as expectativas destes resistentes.</p>
<p style="text-align: justify;">No desconhecimento de todas as ocorrências, as guarnições dos cruzadores S. Rafael e Adamastor insubordinaram-se e pelas 4 horas da manhã do dia 4, içaram a bandeira da revolução. Pelas 11horas, estes navios estavam já a bombardear o palácio das Necessidades e à tarde” surgiram em frente do Terreiro do Paço e aproximaram-se do Cais das Colunas varejando a praça e limpando-a das forças da Guarda Municipal que ali estacionavam”.</p>
<div id="attachment_6532" class="wp-caption alignleft" style="width: 345px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cruzadorDCarlosI.jpg"><img class="size-full wp-image-6532" title="cruzadorDCarlosI" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cruzadorDCarlosI.jpg" alt="" width="335" height="221" /></a><p class="wp-caption-text">Cruzador D. Carlos I (Cruzador Almirante Reis-1910) - Foto: Arquivo Histórico da CML</p></div>
<p style="text-align: justify;">Anoiteceu. A marinha no Tejo fez a abordagem do cruzador D. Carlos e pela 1h da madrugada do dia 5, a notícia da tomada deste navio já tinha chegado à imprensa, que rapidamente deu conhecimento dela aos revolucionários, fortalecendo a sua esperança e ânimo. Constava que os marinheiros iam desembarcar na Praça do Comércio e que o exército fiel à Monarquia declarara que não faria fogo contra eles, o que se cumpriu. Houve ainda algum tiroteio durante a noite, mas nada de preocupante.</p>
<p>Amanheceu o dia 5 de Outubro.</p>
<p>Depois das 7h da manhã, uma bandeira branca subia a Avenida sem que fosse impedida. Era um diplomata alemão que ia parlamentar com Machado Santos, a fim de negociar a saída dos seus compatriotas.</p>
<div id="attachment_6550" class="wp-caption alignleft" style="width: 349px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/festejos.jpg"><img class="size-full wp-image-6550" title="festejos" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/festejos.jpg" alt="" width="339" height="230" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;soldados confraternizavam com os civis&quot; - foto:Arquivo Municipal de Lisboa</p></div>
<p style="text-align: justify;">Todos se convenceram que eram os monárquicos a render-se. Quem espreitava os acontecimentos saiu à rua para festejar. O povo afluiu à Avenida saindo de todos os lados, clamando vitória. O Rossio encheu-se e os soldados confraternizavam com os civis. Ouviam-se vivas à República.</p>
<p>Machado Santos é vitoriado.</p>
<p>Um marinheiro hasteou a bandeira verde rubra no Quartel General.</p>
<div class="mceTemp">A revolução triunfara.</div>
<div class="mceTemp">“Às 9 horas da manhã do dia 5 de Outubro de 1910,</div>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">José Relvas, membro do Directório do Partido Republicano Português, proclamava a República das varandas da Câmara Municipal, perante o povo de Lisboa. Ladeavam-no Inocêncio Camacho e Eusébio Leão, que também falaram ao povo.</div>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_6554" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/revolucao5OUT.jpg"><img class="size-full wp-image-6554" title="revolucao5OUT" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/revolucao5OUT.jpg" alt="" width="600" height="292" /></a><p class="wp-caption-text">José Relvas Proclama a República da Varanda da CML</p></div>
</div>
</div>
<p> </p>
<p>Com um dia de atraso é certo, estava implantado o novo regime em Portugal.</p>
<div class="mceTemp">Ignorando o desenrolar dos acontecimentos, Loures, Almada, Barreiro e Moita, proclamaram a República no dia 4, como estava planeado e teria acontecido, caso o sinal não tivesse falhado.</div>
<div><em> </em></div>
<div><em>Maria Máxima Vaz</em></div>
<div class="mceTemp">________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor</em></div>
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		<title>O que dizem os documentos….</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 23:39:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[D.Dinis]]></category>

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		<description><![CDATA[ESCRITURA V “Que he hua lista da prata que se deu a elRey D. Dinis sendo Infante, quando elRey seu pay lhe deu casa, &#38; dos fidalgos que entrarão a seruilo; està na Torre do Tombo na gaueta das Cortes; serue para os Capit. XIV, até XVII do mesmo livro 16. Em nome de Deus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/domdinis_lista.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6356" title="domdinis_lista" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/domdinis_lista.jpg" alt="" width="269" height="201" /></a>ESCRITURA V</strong></p>
<p><em>“Que he hua lista da prata que se deu a elRey D. Dinis sendo Infante, quando elRey seu pay lhe deu casa, &amp; dos fidalgos que entrarão a seruilo; està na Torre do Tombo na gaueta das Cortes; serue para os Capit. XIV, até XVII do mesmo livro 16. </em></p>
<p><em>Em nome de Deus ámen. No ano de 1316 começou D. Dinis a ter casa e com o fim de a manter, atribuiu-lhe o rei D. Afonso, seu pai, quarenta mil libras por ano no dia vinte de Junho e no dia seguinte saiu de Lisboa. </em></p>
<p><em>Em nome do Senhor esta é a oferta de prata que recebeu Estêvão João, o reposteiro-mor de D. Dinis. Em primeiro lugar recebeu da Rainha um bacio com as insígnias de águias e leões que pesou três marcas e cinco onças de prata.</em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças e meia. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças e meia. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e quatro onças. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e uma onça. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e seis onças e meia. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças e meia. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou uma marca e quatro onças e meia. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e quatro onças e meia.</em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e uma onça e meia. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e uma onça e meia. </em></p>
<p><em>Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e um quarto de onça. </em></p>
<p><em>Igualmente um cutelo de prata que pesou cinco marcas. </em></p>
<p><em>Igualmente um cutelo de prata, que pesou quatro marcas e sete onças e meia. </em></p>
<p><em>Igualmente um saleiro de prata que pesou uma marca e um oitavo de onça.</em></p>
<p><em>Igualmente um saleiro que pesou uma marca e meia onça. </em></p>
<p><em>Igualmente um saleiro que pesou uma marca e um quarto de onça. </em></p>
<p><em>Igualmente um saleiro q1ue pesou uma marca. </em></p>
<p><em>Recebeu igualmente doze colheres de prata que pesaram uma marca e um quarto de onça. </em></p>
<p><em>Recebeu igualmente um jarro de prata que pesou três marcas e seis onças e meia para dar água para as mãos de Dom Dinis. </em></p>
<p><em>Era de 1316. Esta é a oferta de prata que está na escançaria de Dom Dinis.”</em></p>
<p>Compete-me fazer aqui algumas chamadas de atenção: A data é da Era de César e não da Era de Cristo; Não actualizei a ortografia, incluindo os acentos gráficos, por uma razão pedagógica: se nunca se tivessem feito actualizações ortográficas, a língua seria muito diferente da de hoje e até da deste documento. Usaríamos ainda o “Galaico-Português”. Sou de opinião que antes de nos pronunciarmos a favor ou contra o acordo ortográfico, precisamos de reflectir com dados históricos, precisamos das nossas “memórias”. Salta à vista o pormenor da enumeração, que refere as peças uma a uma e os pesos sempre por extenso. Isso tornava muito improvável a falsificação e a subtracção de metal a cada peça. Aconselho a consulta de outros artigos disponíveis, e refiro especialmente “À Mesa com o rei”. E não deixo de lançar um desafio: Alguém será capaz de fazer a equivalência dos pesos aqui declarados, aos pesos actuais?</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>Uma notável Republicana – Ana de Castro Osório</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 22:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Castro Osório]]></category>
		<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Republica]]></category>

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		<description><![CDATA[A participação da mulher no processo histórico foi praticamente ignorado até há poucos anos. O levantamento sistemático da sua acção está agora a ser feito e vem revelando o seu empenhamento e o seu contributo para o progresso da Humanidade. A imprensa regista a sua presença pelo menos a partir de meados do século XIX. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ana_castro_osorio.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-5724" title="ana_castro_osorio" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ana_castro_osorio.jpg" alt="" width="294" height="221" /></a>A participação da mulher no processo histórico foi praticamente ignorado até há poucos anos. O levantamento sistemático da sua acção está agora a ser feito e vem revelando o seu empenhamento e o seu contributo para o progresso da Humanidade. A imprensa regista a sua presença pelo menos a partir de meados do século XIX.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa análise a alguns órgãos de imprensa da 1.ª República Portuguesa, deparamos com inúmeros testemunhos. Um escol de notáveis mulheres, numa luta gigantesca, com persistência admirável, esforçou-se por despertar a consciência das suas compatriotas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por serem ainda actuais as suas ideias, venho hoje apresentar aos leitores, uma dessas mulheres: Ana de Castro Osório. Nasceu em Mangualde, no dia 18 de Junho de 1872 e faleceu em Lisboa a 23 de Março de 1935.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos 23 anos de idade iniciou a sua vida literária, tendo escrito vários livros para crianças, os quais a tornaram célebre como escritora e como pedagoga, tendo-se mesmo afirmado que foi ela a”verdadeira fundadora da literatura infantil em Portugal” e que “se tornou conhecida de todas as crianças portuguesas, que durante algumas gerações não tiveram outra literatura”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a sua actividade de escritora estendeu-se também ao campo político, onde foi uma presença actuante.</p>
<p>Colaborou em várias revistas e jornais e publicou livros doutrinários.</p>
<p style="text-align: justify;">Como activista na obra de propaganda republicana, foi uma das fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, contribuindo para o advento da República no nosso País.</p>
<p style="text-align: justify;">Proclamada esta, colaborou com Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório, na elaboração das leis da família.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda no mês de Outubro de 1910, a Liga das Mulheres Republicanas reuniu-se em Assembleia Geral e encarregou Ana de Castro Osório de formular o mais claro e sucintamente possível, as reivindicações que se afiguravam mais urgentes e oportunas para o sexo feminino. Seleccionei algumas dessas reivindicações, para as dar a conhecer aos interessados nestes temas:</p>
<p style="text-align: justify;">“(…) Nós vimos pedir ao Governo Provisório da República, que é o legítimo Governo do Povo… as leis que mais correspondem às necessidades imediatas da família e da mulher, individualmente, cidadã  livre de uma Pátria livre…</p>
<p style="text-align: justify;">Para que a mulher portuguesa possa ocupar o lugar que nas sociedades modernas lhe cabe, necessário se torna que saia, pela força impulsionadora das leis, do impasse onde a monarquia a conservou, por dilatados e criminosos dias.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, sem querermos alongar-nos em considerações que estão no ânimo de todos os seres conscientes, passamos a resumir as nossas, por agora, bem modestas aspirações:</p>
<p style="text-align: justify;">1.º Entregando, com esta, as folhas de assinaturas que a nossa propaganda conseguiu obter para reclamar a lei do divórcio, não precisamos de acrescentar quanto tal lei se nos afigura urgente necessidade para moralizar a sociedade portuguesa.</p>
<p>O divórcio é a lei mais urgente de quantas são pedidas…</p>
<p style="text-align: justify;">2.º A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas entende que a revisão do Código Civil se impõe sem delongas… Entendemos que devem ser eliminados os artigos seguintes, que mais vexatórios são para a mulher:</p>
<p><strong>1185. – </strong>que manda a mulher, às cegas, prestar obediência ao marido;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1187, </strong>que proíbe a mulher de escrever sem autorização marital…assim como aquele que manda que à mulher seja necessária autorização do marido para exercer qualquer indústria, comércio ou emprego;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1189, </strong>que dá a administração dos bens do casal ao marido… Nós pretendemos que a mulher administre os bens próprios, que seja senhora do dinheiro pelo seu trabalho angariado, e que a separação dos bens do casal seja a lei comum do país, fazendo-se o contrário só por disposição especial dos cônjuges;</p>
<p><strong>1191 e 1193</strong>, que proíbem a mulher de adquirir ou alienar bens…agravados pelo art.º <strong>1114</strong>, que ao homem dá todos os direitos;</p>
<p>3.º Todos os artigos que se referem ao poder paternal são vexatórios enquanto a mãe o não tiver igual…</p>
<p>A mulher requer para si o sagrado direito de olhar, tanto como o pai, pela educação dos seus filhos, não querendo o seu nome eliminado em documentos… não prescindindo dos seus direitos de tutoria…</p>
<p style="text-align: justify;">A investigação da paternidade ilegítima, proibida criminosamente pelo artigo 130, é daquelas leis sagradas que nenhum homem de consciência pode protelar. Mas a sua falta torna-se tanto mais odiosa quanto é injusto o art.º 131 que permite a investigação da maternidade, quando é a mulher que mais sofre perante a hipocrisia social, com a apresentação de um filho ilegítimo, quando é a mulher que, esbulhada de todos os empregos e profissões rendosas, ineducada e impotente para o trabalho honesto, mal  tem com que se alimentar a si quanto mais alimentar os filhos, sem o auxílio masculino;</p>
<p>4.º Insurgimo-nos nós, as mulheres, contra a excepção que nos inibe de ser testemunhas instrumentarias…</p>
<p>Mais pretende a mulher que o júri…. Seja daqui para o futuro constituído por indivíduos dos dois sexos…</p>
<p style="text-align: justify;">5.º Nada de estranhar seria, antes, pelo contrário, seria muito justo, que as mulheres portuguesas, cento e tantos anos depois da grande revolução francesa, fizessem suas as palavras do honesto e imortal Condorcet perguntando, indignado, à Assembleia Nacional:</p>
<p style="text-align: justify;">- em nome de que princípio eram as mulheres afastadas das funções políticas, visto que as palavras &#8211; <em>representação nacional-</em> significam o governo da nação e as mulheres dela fazem parte  tanto como os homens?!</p>
<p style="text-align: justify;">&#8212; Achamos de toda a justiça que o sufrágio universal se estabeleça, com igualdade de direitos para homens e mulheres, _ parecendo-nos injusto que se negue o voto à mulher a pretexto de que é ignorante, sabendo-se bem que o homem do povo não o é menos, sem que por isso lhe seja tirada essa prerrogativa…Pedimos o direito de eleger e ser eleitas para os cargos municipais…</p>
<p> Mais reclamamos contra as leis que abusivamente fecham às mulheres determinadas carreiras…</p>
<p style="text-align: justify;">6.º Não podemos fechar a série das nossas reclamações imediatas sem protestar… contra a prostituição legalizada…que torna o estado o guarda e o cobrador do dinheiro miserável dessa infamíssima escravatura branca…”</p>
<p style="text-align: justify;">Embora não nos fosse possível apresentar este magnífico documento na íntegra, os  extractos que aqui deixamos e que nos parecem os fundamentais, provam a elevada consciência cívica desta mulher, que não era de forma nenhuma única na sociedade do seu tempo, mas que ocupava um dos lugares cimeiros.</p>
<p style="text-align: justify;">E se hoje há mulheres que prosseguem nesta senda e das quais muito nos orgulhamos, como das nossa antepassadas, temos também muitas que, colocadas em cargos políticos, mais não fazem que envergonhar e diminuir as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Fazemos votos para que as mulheres saibam desempenhar-se dos cargos de sua responsabilidade, com competência, ética, justiça e seriedade. Só assim honram as suas compatriotas, que não lhe reconhecem o direito de as envergonhar.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>A  História  Religiosa também é  Património  Cultural</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 17:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[Relegada para o domínio do esquecimento, são poucos os que hoje têm conhecimento da nossa História  Religiosa, história que não podemos separar da Civilização Ocidental. Com a queda do Império Romano do Ocidente e no caos em que as invasões bárbaras o transformaram, distinguiram-se notáveis homens da Igreja, que foram a consciência viva do Ocidente. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/papas1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-5156" title="papas" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/papas1.jpg" alt="" width="350" height="252" /></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;">Relegada para o domínio do esquecimento, são poucos os que hoje têm conhecimento da nossa História  Religiosa, história que não podemos separar da Civilização Ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a queda do Império Romano do Ocidente e no caos em que as invasões bárbaras o transformaram, distinguiram-se notáveis homens da Igreja, que foram a consciência viva do Ocidente. A esses homens devemos  os fundamentos da Cultura Ocidental , filha da Cultura greco-romana, que eles preservaram e nos transmitiram.</p>
<p style="text-align: justify;">Limitando-nos somente ao nosso País, é justo destacar aqui o Papa  S. Dâmaso, nascido em solo português,  quando Portugal ainda não existia como Estado. Isso não impede que seja considerado português. As grandes obras universais  assim o declaram. Vejamos o que nos diz o grande dicionário Larousse :</p>
<p style="text-align: justify;">“S. Dâmaso, Papa de Outubro de 366 a  10 de Dezembro de 384. Nascido em Portugal, foi eleito à morte do Papa Libério. Reuniu  em Roma vários  concílios com vista à clarificação e debate de alguns aspectos da doutrina. Encarregou S. Jerónimo de rever a antiga versão latina da Escritura e foi deste trabalho que saiu a Bíblia designada  por Vulgata, a única conhecida no Ocidente, durante séculos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Duarte Nunes de Leão, notável cronista português, informa-nos que, S. Dâmaso, trigésimo sexto sucessor de S. Pedro, era natural de Guimarães, teve por secretário S. Jerónimo e que, por sua determinação, se começaram a cantar os salmos de David nas horas canónicas, terminando, sempre da mesma forma : Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo. Esta questão era, na altura, muito importante, porque tinha a finalidade de afirmar que as três pessoas da Santíssima Trindade, ao contrário do que afirmavam os heréticos arianos, eram iguais e distintas. Foi também este nosso Papa que ordenou que no início da Santa Missa, se dissesse a confissão, como ainda hoje se faz. Informa-nos ainda o mesmo autor que, S. Dâmaso “era grande letrado nas letras divinas e humanas, e poeta mui elegante.” E acrescenta ainda : “Seus estudos comunicava com S. Jerónimo a quem o mesmo santo padre dedicou as vidas dos sumos pontífices que escreveu. Foi este pontificado felicíssimo por ter por súbditos e familiares os três doutores, colunas da Igreja : S. Jerónimo, Santo Agostinho e Santo Ambrósio, além de outros varões santos e doutíssimos.”</p>
<p>Não venho aqui falar dos santos portugueses por motivos religiosos. O meu objectivo é, tão somente, defender o que é nosso, o nosso Património Histórico/Cultural. Parece-me que a figura deste Papa  honra  Portugal e a Igreja e é um Santo a invocar pelos católicos e muito mais pelos católicos portugueses. È que os santos nacionais têm para nós a vantagem de falarem português como nós! Além disso não virarão, por certo, as costas aos seus compatriotas. Pelo contrário, serão, como portugueses que são, os nossos embaixadores junto de Deus!</p>
<p>Falei de S. Dâmaso, mas poderia ter falado de muitos outros santos portugueses. O cronista que referi, na sua obra intitulada “Descrição do Reino de Portugal”, fala-nos</p>
<p>de mais 86 santos, nossos compatriotas, dizendo donde são e o que fez deles santos.</p>
<p>Por uma questão de zelo pela nossa História e da nossa cultura, parecia-me bem que,</p>
<p>pelo menos,  soubéssemos  deles, esse mínimo.</p>
<p>Dir-me-ão que conhecem muito bem Santo António, S. João de Deus, S. João de Brito, a Rainha Santa, S. Francisco Xavier. Já fico satisfeita que conheçam pelo menos esses, mas então e os outros ? Faltam ainda 81 e eu gostaria de lhos apresentar um dia destes.</p>
<p>Convém conhecê-los a todos, porque é sempre bom ter a quem recorrer, quando nos vemos aflitos, e se um não nos ouve, pode ser que nos ouça outro !</p>
<p>E, antes de terminar, lembro ainda que Portugal teve no século XIII um outro Papa, João XXI, Pedro Hispano, também conhecido pelo nome de Pedro Julião, filósofo de grande nome e crédito na Europa, e também médico. Nasceu em Lisboa no ano de 1205, provavelmente.</p>
<p>Lembrar e defender o que é nosso e nos honra , assim como combater e corrigir o que nos diminui e envergonha, são deveres de cidadania.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
<p><em> </em></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Um Projecto de desenvolvimento Regional</title>
		<link>http://odivelas.com/2010/06/04/um-projecto-de-desenvolvimento-regional/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 10:29:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde finais do século XIX que os habitantes da região saloia reivindicaram, insistente e consistentemente, a construção de uma linha-férrea que percorresse o território do Termo transversalmente. Uma Comissão de Melhoramentos do concelho de Loures apresentou, em 1912, a seguinte proposta de traçado: - partindo de Lisboa por Campolide, com estações na Luz, Odivelas, Caneças, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ferrovia.jpg"><img class="size-full wp-image-5010 alignleft" title="ferrovia" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ferrovia.jpg" alt="" width="330" height="215" /></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 135px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-full wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg" alt="" width="125" height="124" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;">Desde finais do século XIX que os habitantes da região saloia reivindicaram, insistente e consistentemente, a construção de uma linha-férrea que percorresse o território do Termo transversalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma Comissão de Melhoramentos do concelho de Loures apresentou, em 1912, a seguinte proposta de traçado:</p>
<p style="text-align: justify;">- partindo de Lisboa por Campolide, com estações na Luz, Odivelas, Caneças, Loures, Tojais, Fanhões, Bucelas, Freixial, Montachique, Malveira, &#8230;.., até à Ericeira.</p>
<p style="text-align: justify;">No relatório que integrava essa proposta, afirmavam que este pedido já tinha sido feito há 20 anos atrás, portanto em 1882.</p>
<p>Em 1924, o vice-presidente da Câmara de Loures retomou esta questão de uma via de comunicação inter-regional e propunha o seguinte traçado: Lisboa, Odivelas, Caneças, Loures, Montachique, Bucelas, Vila Franca de Xira, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, Mafra, Ericeira.</p>
<p>E explica porquê:</p>
<p>“Tornar vilas trabalhadoras e de largo futuro, actualmente engarrafadas pela dificuldade de comunicação, centros comerciais de contacto rápido e constante com Lisboa… e tornar Vila Franca, ligada pela sua ponte com o sul e com o resto do país (pelas vias Norte, Oeste, &#8211; ramal Loures-Arruda e fluvial), o centro preferido, o entreposto indiscutível do mais largo movimento e assegurado futuro dos nossos centros de comunicações.</p>
<p>E de que séries de empresas e de indústrias esse caminho-de-ferro não poderá ser origem.</p>
<p style="text-align: justify;">As facilidades agrícolas justificariam esse empreendimento; o direito que todos estes povos têm a uma parcela de bem-estar e civilização, tornam obrigatória a sua construção; as riquezas naturais, actualmente inexploradas ou em estado primitivo, como os mármores, impunham-no, para a riqueza do país, como necessário. Mas não são apenas os mármores; é também a indústria dos carbonetos e mais riquezas a explorar e que na região têm matérias-primas e ficará, pelo caminho-de-ferro, a uma hora do ponto de embarque. E tantas outras coisas…”</p>
<p>Este projecto considerava ainda as zonas com potencialidades turísticas:</p>
<p style="text-align: justify;">“Servir uma zona de repouso como Caneças e Montachique, estabelecer, pelo transporte regular, estadias de Verão nessa travessia de pequenas montanhas que vai até ao Oceano, à Ericeira…”</p>
<p style="text-align: justify;">Uma equipa técnica realizou estudos na globalidade e na especialidade e, depois de concebido e traçado o projecto, acompanharia a obra. O vice-presidente da Câmara de Loures, Augusto Dias da Silva era, como político, o elemento dinamizador e aglutinador, como se depreende de um artigo publicado em Novembro de 1924, no jornal “Vida Ribatejana”:</p>
<p style="text-align: justify;">“Por motivo da ponte sobre o Tejo, que ligará a futura cidade ribatejana ao sul do país, estiveram em Vila Franca, na passada terça feira, acompanhados de Dias da Silva (que, com a conhecida persistência, promete levar a bom fim o útil melhoramento), os Engenheiros encarregados dos respectivos estudos. Eram esperados pelo Presidente da Comissão Executiva, Sr. António Lúcio Baptista e pelos Sr.ºs José Santos Natividade, António Redol da Cruz e António de Oliveira Raimundo. A visita tinha por fim fornecer ao Engenheiro alemão, representante da casa proponente, os elementos necessários para o estudo da parte metálica da importante obra. Os visitantes tiveram ocasião de constatar mais uma vez, a riqueza que esse tão necessário e ambicionado melhoramento virá trazer à capital ribatejana.”</p>
<p style="text-align: justify;">Considerando estas fontes impressas, era estreita a colaboração autárquica, motivada por interesses comuns de desenvolvimento. Registe-se, com agrado, o facto de, apesar dos novos meios de comunicação, se continuar a apostar, também, na “via fluvial”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os povos e seus líderes nunca desistiram do transporte ferro-carril, mas o estado, a partir de 1926 andou a “encanar a perna à rã” durante 8 anos, acabando por arquivar definitivamente o processo em 1934.</p>
<p style="text-align: justify;">Os projectos centrados numa região eram justificados naquele tempo, pois congregavam esforços e meios que facilitavam a sua concretização.</p>
<p style="text-align: justify;">Este caminho de ferro nunca se construiu e as vias rodoviárias desta zona, nunca se viram livres de engarrafamentos.</p>
<p> Maria Máxima Vaz</p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>O Círio dos Saloios nas Memórias de Odivelas</title>
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		<pubDate>Sun, 16 May 2010 10:53:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Regional]]></category>
		<category><![CDATA[Círio dos Saloios]]></category>
		<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>

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		<description><![CDATA[A freguesia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas estava colocada em 22.º lugar, quando se organizou o giro com 30 freguesias. Tendo saído as freguesias de S. Silvestre de Unhos, N.ª S.ª da Purificação de Bucelas, S. Lourenço de Arranhó e Santo André de Mafra e posicionando-se as três primeiras antes de Odivelas, passou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cirio.jpg"></a><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cirio.jpg"></a><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cirio.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4599" title="cirio" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cirio.jpg" alt="" width="188" height="154" /></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 121px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-full wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg" alt="" width="111" height="92" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;">A freguesia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas estava colocada em 22.º lugar, quando se organizou o giro com 30 freguesias.</p>
<p style="text-align: justify;">Tendo saído as freguesias de S. Silvestre de Unhos, N.ª S.ª da Purificação de Bucelas, S. Lourenço de Arranhó e Santo André de Mafra e posicionando-se as três primeiras antes de Odivelas, passou esta a ocupar o 19.º lugar, que mantém até hoje.</p>
<div id="attachment_4601" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/inscricao-romanica.jpg"><img class="size-full wp-image-4601     " title="inscricao-romanica" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/inscricao-romanica.jpg" alt="" width="150" height="218" /></a><p class="wp-caption-text">Lápide tumular </p></div>
<p style="text-align: justify;">Quero deixar aqui algumas referências históricas sobre esta freguesia, possivelmente fundada logo a seguir à conquista de Lisboa, como sugere uma lápide tumular existente no Museu do Carmo e encontrada em Odivelas pelo arquitecto Possidónio da Silva e dali transportada para o referido museu, na qual pode ler-se:</p>
<p><em><strong>“ João Ramires</strong></em></p>
<p><em><strong>   Primeiro Prelado desta Igreja</strong></em></p>
<p><em><strong>   Morreu a 13 de Fevereiro de 1183”.</strong></em></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<div id="attachment_379" class="wp-caption alignleft" style="width: 278px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/mosteiro2.jpg"><img class="size-full wp-image-379" title="mosteiro2" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/mosteiro2.jpg" alt="" width="268" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Mosteiro de S. Dinis</p></div>
<p style="text-align: justify;">Aqui mandou construir El-Rei D. Dinis um Mosteiro Cisterciense, na sua quinta de Vale de Flores, onde havia um paço real. Odivelas distava então, légua e meia de Lisboa.</p>
<p>Era um local muito frequentada pela corte, passando daqui ao paço real de Frielas donde seguia de barco, Tejo acima, até Santarém.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Igreja deste mosteiro de Odivelas, repousa no seu túmulo, o rei D. Dinis, o primeiro que apresenta uma estátua jacente e o primeiro a ser depositado dentro dum espaço sagrado.</p>
<p style="text-align: justify;">No Paço real de Vale de Flores, a Rainha D. Filipa de Lencastre entregou aos três filhos mais velhos, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, as espadas que para eles encomendara e nestes paços faleceu, passados alguns dias.</p>
<p style="text-align: justify;">No mesmo templo cisterciense, a Ordem Militar de Cristo realizou um velório ao defunto Rei D. João I, presidido durante uma noite pelo Infante D. Henrique.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/auto-cananeia.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4602" title="auto-cananeia" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/auto-cananeia.jpg" alt="" width="193" height="284" /></a>Aqui representou Gil Vicente o auto da Cananeia, em 1534. Aqui diz Almeida Garrett ter conversado com João Mínimo o qual, garante, lhe confiou a Lírica que veio a publicar com este nome.</p>
<p style="text-align: justify;">Estas são algumas das memórias que Odivelas guarda como pergaminhos seus, mas as memórias mais queridas e conhecidos do povo, referem-se ao Círio de Nossa Senhora do Cabo.</p>
<p>A Freguesia do Santíssimo nome de Jesus recebe a imagem Peregrina da freguesia da Ascensão e Ressurreição de Cascais e entrega-a a S. Martinho de Sintra.</p>
<p>Ao cumprimento desta tradição, faltou apenas um vez, em 1978.</p>
<p style="text-align: justify;"> Não vou aqui tecer considerações sobre esta falta da freguesia, até porque as informações de que disponho não são seguras.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero antes destacar o empenhamento, ao longo dos séculos, na organização do Círio.</p>
<p>As memórias de Odivelas registam, quanto à organização dos círios, factos que a honram.</p>
<p style="text-align: justify;">No ano de 1849, a freguesia da Ascensão e Ressurreição de Cascais não reuniu condições para receber N.ª S.ª do Cabo e Odivelas decidiu avançar, antecipando assim as festas que realizaria um ano mais tarde. A corte ajudou, entregando à comissão a importância de 25 mil réis.</p>
<p>Nas loas ecoam os sentimentos dos devotos, quando foram buscar a imagem:</p>
<p>“A Virgem Santa Maria</p>
<p>A Mãe das virtudes belas</p>
<p>Vêm buscar os seus devotos</p>
<p>Da freguesia de Odivelas.</p>
<p>Herdaram de seus maiores</p>
<p>Esta pia devoção</p>
<p>E com eles vão dar-lhes</p>
<p>Seus cultos, veneração.</p>
<p>Se a freguesia de Cascais</p>
<p>Não a pode receber</p>
<p>A paróquia de Odivelas</p>
<p>Veio a falta preencher</p>
<p>Vós sois Mãe de puro amor</p>
<p>Sois Mãe de santa esperança,</p>
<p>A paróquia de Cascais não afasteis da lembrança</p>
<p>E depois do pedido de protecção para a paróquia em dificuldades, veio a expressão de gratidão à Rainha que tinha contribuído com uma valiosa ajuda:</p>
<p>Abençoai Santa Virgem,</p>
<p>De Portugal a Rainha;</p>
<p>Afugentai do seu sólio</p>
<p> A sorte má e mesquinha.</p>
<p>Por um registo do ano de 1875 podemos ver quanto esforço se fez, pela grandiosidade com que ia o cortejo:</p>
<p>“O círio que seguiu até Odivelas, ia ordenado deste modo:</p>
<p style="text-align: justify;">Uma carroça da Casa real com foguetes, um carro armado em forma de coreto, conduzindo uma filarmónica, 40 festeiros montados em bons e bem ajaezados cavalos, um carro puxado por três juntas de bois, conduzindo outra música, um carro puxado por uma junta de bois, conduzindo três anjos, o juiz e dois festeiros, berlinda da Casa Real com o pároco de Odivelas, 50 trens conduzindo as principais pessoas da freguesia que festeja. O círio atravessa três freguesias: Belém, Benfica e Odivelas.. Nesta última, estavam preparados grandes festejos, que hão-de prolongar-se durante a estadia da Senhora naquele sítio. Houve bodo, arraial, fogo de artifício, etc.”.</p>
<p>Pela descrição poderemos imaginar a beleza desta tradicional festa, na qual toda a população se empenhava.</p>
<p>O acto de maior relevo para Odivelas, foi ter retomado a tradição, depois de um interregno de 15 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1910 foi assaltada a igreja de Alcabideche onde se encontrava a imagem peregrina, que sofreu vários danos. Este acto de selvajaria e ignorância fez parar a tradição e tê-la-ia feito desaparecer se nenhuma das povoações do giro tivesse recomeçado o círio. Coube essa honra a Odivelas, que reclamou a imagem para continuar as suas peregrinações. Em 1926, a freguesia do Santíssimo Nome de Jesus devolveu ao povo saloio da margem norte do Tejo, “O Círio dos saloios a N.ª S.ª do Cabo Espichel”, que não foi interrompido até hoje, o que me parece pouco provável que volte a acontecer, dada a consciencialização dos povos no que se refere ao seu património cultural.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>Rilhafoles e o Casal Novo</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 08:51:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Rilhafoles]]></category>

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		<description><![CDATA[Ultimamente tem-se afirmado,  que o convento de Rilhafoles ficava no Casal Novo. Desconheço a fonte desta afirmação, mas admito que pode resultar  de um artigo sobre o Casal Novo, escrito pelo Padre João Baptista Pereira. Fazendo o historial dos proprietários do referido Casal, a dado passo, diz assim o Padre João Baptista Pereira: “Após o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4361" class="wp-caption alignleft" style="width: 304px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/rilhafoles.jpg"><img class="size-full wp-image-4361" title="rilhafoles" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/rilhafoles.jpg" alt="" width="294" height="221" /></a><p class="wp-caption-text">Pavilhão de segurança Hospital de Rilhafoles</p></div>
<p style="text-align: justify;">Ultimamente tem-se afirmado,  que o convento de Rilhafoles ficava no Casal Novo. Desconheço a fonte desta afirmação, mas admito que pode resultar  de um artigo sobre o Casal Novo, escrito pelo Padre João Baptista Pereira.</p>
<p>Fazendo o historial dos proprietários do referido Casal, a dado passo, diz assim o Padre João Baptista Pereira:</p>
<p style="text-align: justify;">“Após o ano de 1757 não pude descobrir quais fossem os donos desta propriedade; apenas, pela tradição e escassas referências nos livros de registo, consta que foram seus penúltimos possuidores os religiosos da Congregação da Missão, com sede no convento de Rilhafoles, que o adquiriram, como tantas outras ordens religiosas da capital faziam, para nele veranearem, e, principalmente, convalescerem de alguma mais grave enfermidade&#8230;..”</p>
<p style="text-align: justify;">Daqui não se pode concluir que era no Casal Novo, o convento de Rilhafoles. O que o autor nos diz é que, os religiosos que adquiriram o Casal Novo, tinham a sua sede no convento de Rilhafoles.</p>
<p>Este convento foi nacionalizado em 1834, quando o Estado liberal nacionalizou os bens das Ordens Religiosas. Nele foi instalado, mais tarde, o conhecido hospital de Rilhafoles, destinado a doentes mentais. Mas, como “o mundo é feito de mudança”, com a implantação da República, o hospital de Rilhafoles mudou de nome e passou a chamar-se hospital Miguel Bombarda. É o nosso, tão conhecido, hospital com este nome. E nunca foi no Casal Novo. Foi sempre, onde ainda é na presente data, na zona do Campo de Santana.</p>
<div id="attachment_4362" class="wp-caption alignleft" style="width: 164px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/miguel-bombarda.jpg"><img class="size-full wp-image-4362" title="miguel-bombarda" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/miguel-bombarda.jpg" alt="" width="154" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Dr. Miguel Bombarda</p></div>
<p>O famoso médico Miguel Bombarda, foi director deste hospital, e a República quis homenageá-lo, dando o seu nome à instituição que dirigiu e serviu com grande competência e dedicação. Tinha sido empossado nesse cargo, em 1892.</p>
<p>Haverá ainda outra razão para este hospital psiquiátrico ter o seu nome – é que Miguel Bombarda foi assassinado, no seu posto de trabalho, por um seu doente, dado como curado, o tenente do Estado Maior, Aparício Rebelo Santos, no dia 3 de Outubro de 1910. Este oficial, que já se encontrava ao serviço depois da doença, apresentou-se no hospital pelas 11 horas e pediu para falar com o Director, que aceitou recebê-lo de imediato. Mal entrou no gabinete e o médico se lhe dirigiu, disparou sobre ele vários tiros de pistola, atingindo-o mortalmente com 4 balas.</p>
<p>Ao meio dia já os placards dos jornais espalhavam a notícia por Lisboa.</p>
<p style="text-align: justify;">A sua morte causou uma grande consternação entre os populares, não só pela estima que o povo de Lisboa tinha por um dos médicos mais prestigiados e queridos da capital, mas também nas hostes republicanas, por ser ele o responsável pelo organização dos revolucionários civis, que iam tomar parte na revolução marcada para o dia 4 e que, por equívoco de última hora, só veio a eclodir no dia 5. Dispenso-me de contar novamente que equívoco foi esse, para não maçar os leitores, porque relatei esse facto, num artigo publicado no dia 5 /10, pela imprensa regional.</p>
<p>Esta é que,  tanto quanto sei, é a verdade. A História constroi-se com relatos dos factos, desde que não estejam deturpados. E é preciso saber ler! É que  a nossa imaginação só dá para contar “estórias”, não para fazer história. A História tem sempre fontes. Há quem parta do princípio que todos os documentos são fontes. Mas o problema é que nem todos os documentos são credíveis, porque sempre houve quem gostasse de contar “estórias”.</p>
<p>Maria Máxima Vaz</p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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