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	<title>Odivelas.com - OdivelasTV &#187; História</title>
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	<description>Odivelas Portal de Noticias e TV</description>
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		<title>Odivelas &#8211; O Castro da Serra da Amoreira em debate [Vídeo]</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 09:58:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J Paiva Setubal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Castro da Amoreira]]></category>
		<category><![CDATA[Regional]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[
O odivelas.com  reuniu uma equipa de especialistas e foi ao Castro da Serra da Amoreira conversar sobre a situação em que se encontra este monumento histórico.
Dois historiadores/investigadores (Máxima Vaz e Vitor Adrião), um politólogo especialista em direito administrativo (Oliveira Dias) e um autarca (Francisco Bartolomeu) reuniram-se no alto da serra e durante 1 hora discorreram sobre a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" rel="attachment wp-att-6027" href="http://odivelas.com/?attachment_id=6027"></a><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" rel="attachment wp-att-6041" href="http://odivelas.com/?attachment_id=6041"></a></p>
<div id="attachment_6042" class="wp-caption alignright" style="width: 304px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" rel="attachment wp-att-6042" href="http://odivelas.com/2010/07/21/odivelas-o-castro-da-serra-da-amoreira-em-debate/samoreiradiscussao7b-2/"><img class="size-full wp-image-6042" title="SAmoreiraDiscussao(7)B" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/SAmoreiraDiscussao7B1.jpg" alt="" width="294" height="196" /></a><p class="wp-caption-text">O Parque das Merendas foi o ponto de encontro. Máxima Vaz, Francisco Bartolomeu, Oliveira Dias e Vitor Adrião com António Tavares. </p></div>
<p>O odivelas.com  reuniu uma equipa de especialistas e foi ao Castro da Serra da Amoreira conversar sobre a situação em que se encontra este monumento histórico.</p>
<p>Dois historiadores/investigadores (Máxima Vaz e Vitor Adrião), um politólogo especialista em direito administrativo (Oliveira Dias) e um autarca (Francisco Bartolomeu) reuniram-se no alto da serra e durante 1 hora discorreram sobre a situação existente, sobre o que é necessário ser feito e o valor histórico/económico do local.</p>
<p>Do trabalho efetuado aqui fica um testemunho para utilização pública.</p>
<p>Trata-se de uma situação que, embora conhecida, tem merecido poucas conclusões correndo-se o risco sério de, à semelhança de outro casos conhecidos, se perder um valor histórico de grande significado, delapidado a favor de interesses privados.</p>
<p>A ganância e a ignorância são más conselheiras.</p>
<p>Quando se trata de cegueira voluntária escondida atrás da ignorância ainda pior.</p>
<p>Não é um caso novo, mas é um caso importante e entendemos chegada altura de o estudar com profundidade.</p>
<p>Foi o que fizemos e disso damos testemunho.</p>
<p>Pelo menos desconhecimento não haverá.</p>
<p>Hoje, 21/julho, pelas 22 horas, a OdivelasTV em <a href="http://www.odivelastv.pt">www.odivelastv.pt</a> transmitirá integralmente o resultado deste encontro em mais um dos seus programas &#8221;Interseções&#8221;.</p>
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		<title>Adelaide Cabete – Médica, Republicana e Sufragista</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 16:32:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Odivelas.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Adelaide Cabete]]></category>
		<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>
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		<description><![CDATA[Adelaide de Jesus Damas Brasão Cabete nasceu em Elvas a 25 de Janeiro de 1867. Oriunda de uma família modesta de trabalhadores rurais, cedo conheceu o trabalho a que se dedicava a sua mãe – a indústria caseira da secagem de ameixas, bem como os trabalhos domésticos e alguns agrícolas, tradicionalmente executados pelas mulheres.
Com 18 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/adelaide_cabete.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6008" title="adelaide_cabete" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/adelaide_cabete.jpg" alt="" width="294" height="221" /></a>Adelaide de Jesus Damas Brasão Cabete nasceu em Elvas a 25 de Janeiro de 1867. Oriunda de uma família modesta de trabalhadores rurais, cedo conheceu o trabalho a que se dedicava a sua mãe – a indústria caseira da secagem de ameixas, bem como os trabalhos domésticos e alguns agrícolas, tradicionalmente executados pelas mulheres.</p>
<p>Com 18 anos de idade casou com Manuel Ramos Fernandes Cabete, sargento do exército.</p>
<p>A jovem Adelaide era analfabeta e foi o seu marido que a incentivou a instruir-se.</p>
<p style="text-align: justify;">Iniciou a escolaridade com 20 anos e em 1889 fez exame de instrução primária, perto de completar 23 anos. Em 1894, com 27 anos, terminou o curso dos liceus com distinção e logo no ano seguinte realizou os exames para entrar na Escola Politécnica.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1896 ingressou na Escola Médico-Cirúrgica e em 1900, com 33 anos de idade, terminou a licenciatura em Medicina, com a apresentação da tese “A protecção às mulheres grávidas como meio de promover o desenvolvimento físico das novas gerações”.</p>
<p style="text-align: justify;">A sua actuação como médica, nunca abandonou este campo, quer na divulgação dos cuidados materno-infantis e no esforço para melhorar as condições de vida das mulheres e das crianças, quer na defesa de um plano de cuidados básicos de saúde e na forte e persistente luta contra o alcoolismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Publicou obras sobre puericultura e higiene feminina e cuidados a ter e normas a observar na higiene doméstica. Defendeu e praticou a protecção à mulher pobre, sem marginalizar as prostitutas a cujos problemas foi sempre sensível e mereceu-lhe sempre grandes cuidados a educação das crianças; combateu incansavelmente a propagação das doenças infecto-contagiosas.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi, durante 17 anos, professora de Higiene e Puericultura no Instituto Feminino de Odivelas, que tinha o nome “Instituto F. Educação e Trabalho”, adoptado durante a 1.ª República, sendo director o Tenente-coronel Frederico Ferreira Simas, republicano de grande prestígio, notável pedagogo, fundador da Associação das Antigas Alunas, a mais antiga associação feminina existente em Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Universidade Popular Portuguesa, instituição criada na 1.ª República, Adelaide Cabete dirigiu um curso sobre higiene e puericultura, destinado às mães, tendo em vista dotá-las de conhecimentos para um saudável desenvolvimento das crianças.</p>
<p style="text-align: justify;">Reclamou sempre o ensino da puericultura e da higiene nas escolas e reivindicou insistentemente a construção de uma maternidade, vindo a construir-se, em resultado dessa sua acção, a Maternidade Alfredo da Costa.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi presidente e principal organizadora do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e o trabalho aí desenvolvido tinha como objectivos melhorar a situação legal da mulher na sociedade e na família, a erradicação da prostituição, a melhoria da saúde pública, a criação de gabinetes de consulta para profissões, educação e protecção a emigrantes, sobretudo mulheres e crianças, protecção das crianças contra os maus tratos, trabalhos pesados e abusos sexuais, o tratamento da saúde da mulher e da jovem grávida.</p>
<p style="text-align: justify;">No campo político foi grande activista da causa republicana e defensora dos direitos das mulheres. Esteve presente, em representação das mulheres portuguesas em vários congressos internacionais – em Maio de 1913, no Congresso de Gant, em Maio de 1923 no Congresso Feminista de Roma, em 1925 no Congresso de Washington.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1924 foi a responsável pela organização de um congresso no nosso país, cargo que desempenhou com grande competência, eficácia e sentido prático.</p>
<p style="text-align: justify;">No plano social interessou-se ainda e lutou pelo abolicionismo, pelos presos, deportados e emigrados políticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1929, desgostosa com o caminho que Portugal seguia, partiu para Angola, onde retomou o trabalho realizado até ali, sempre em prol dos que mais precisavam dos seus serviços e onde se empenhou na defesa dos direitos dos indígenas e de outras causas justas, sem esquecer a criação de maternidades e de instituições para crianças.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos afirmar, sem exagero, que não houve injustiça a que fosse indiferente, nem causa justa que não a encontrasse pronta para a acção.</p>
<p style="text-align: justify;">Adelaide Cabete merece todo o nosso reconhecimento e pesa-me que não se lhe preste a homenagem a que tem direito.</p>
<p style="text-align: justify;">Como nada mais posso fazer, aqui deixo o meu testemunho sobre uma MULHER que muito honrou e dignificou a mulher, que muito deu aos seus concidadãos, que tudo o que teve foi conquistado pelo seu esforço, porque nada lhe foi dado. Na verdade, a natureza foi generosa com ela – dotou-a de uma enorme inteligência e de um grande coração.</p>
<p> Não será tempo de honrarmos dignamente uma tão grande compatriota?</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>Uma notável Republicana – Ana de Castro Osório</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 22:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Castro Osório]]></category>
		<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>
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		<description><![CDATA[A participação da mulher no processo histórico foi praticamente ignorado até há poucos anos. O levantamento sistemático da sua acção está agora a ser feito e vem revelando o seu empenhamento e o seu contributo para o progresso da Humanidade. A imprensa regista a sua presença pelo menos a partir de meados do século XIX.
Numa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ana_castro_osorio.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-5724" title="ana_castro_osorio" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ana_castro_osorio.jpg" alt="" width="294" height="221" /></a>A participação da mulher no processo histórico foi praticamente ignorado até há poucos anos. O levantamento sistemático da sua acção está agora a ser feito e vem revelando o seu empenhamento e o seu contributo para o progresso da Humanidade. A imprensa regista a sua presença pelo menos a partir de meados do século XIX.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa análise a alguns órgãos de imprensa da 1.ª República Portuguesa, deparamos com inúmeros testemunhos. Um escol de notáveis mulheres, numa luta gigantesca, com persistência admirável, esforçou-se por despertar a consciência das suas compatriotas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por serem ainda actuais as suas ideias, venho hoje apresentar aos leitores, uma dessas mulheres: Ana de Castro Osório. Nasceu em Mangualde, no dia 18 de Junho de 1872 e faleceu em Lisboa a 23 de Março de 1935.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos 23 anos de idade iniciou a sua vida literária, tendo escrito vários livros para crianças, os quais a tornaram célebre como escritora e como pedagoga, tendo-se mesmo afirmado que foi ela a”verdadeira fundadora da literatura infantil em Portugal” e que “se tornou conhecida de todas as crianças portuguesas, que durante algumas gerações não tiveram outra literatura”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a sua actividade de escritora estendeu-se também ao campo político, onde foi uma presença actuante.</p>
<p>Colaborou em várias revistas e jornais e publicou livros doutrinários.</p>
<p style="text-align: justify;">Como activista na obra de propaganda republicana, foi uma das fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, contribuindo para o advento da República no nosso País.</p>
<p style="text-align: justify;">Proclamada esta, colaborou com Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório, na elaboração das leis da família.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda no mês de Outubro de 1910, a Liga das Mulheres Republicanas reuniu-se em Assembleia Geral e encarregou Ana de Castro Osório de formular o mais claro e sucintamente possível, as reivindicações que se afiguravam mais urgentes e oportunas para o sexo feminino. Seleccionei algumas dessas reivindicações, para as dar a conhecer aos interessados nestes temas:</p>
<p style="text-align: justify;">“(…) Nós vimos pedir ao Governo Provisório da República, que é o legítimo Governo do Povo… as leis que mais correspondem às necessidades imediatas da família e da mulher, individualmente, cidadã  livre de uma Pátria livre…</p>
<p style="text-align: justify;">Para que a mulher portuguesa possa ocupar o lugar que nas sociedades modernas lhe cabe, necessário se torna que saia, pela força impulsionadora das leis, do impasse onde a monarquia a conservou, por dilatados e criminosos dias.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, sem querermos alongar-nos em considerações que estão no ânimo de todos os seres conscientes, passamos a resumir as nossas, por agora, bem modestas aspirações:</p>
<p style="text-align: justify;">1.º Entregando, com esta, as folhas de assinaturas que a nossa propaganda conseguiu obter para reclamar a lei do divórcio, não precisamos de acrescentar quanto tal lei se nos afigura urgente necessidade para moralizar a sociedade portuguesa.</p>
<p>O divórcio é a lei mais urgente de quantas são pedidas…</p>
<p style="text-align: justify;">2.º A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas entende que a revisão do Código Civil se impõe sem delongas… Entendemos que devem ser eliminados os artigos seguintes, que mais vexatórios são para a mulher:</p>
<p><strong>1185. – </strong>que manda a mulher, às cegas, prestar obediência ao marido;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1187, </strong>que proíbe a mulher de escrever sem autorização marital…assim como aquele que manda que à mulher seja necessária autorização do marido para exercer qualquer indústria, comércio ou emprego;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1189, </strong>que dá a administração dos bens do casal ao marido… Nós pretendemos que a mulher administre os bens próprios, que seja senhora do dinheiro pelo seu trabalho angariado, e que a separação dos bens do casal seja a lei comum do país, fazendo-se o contrário só por disposição especial dos cônjuges;</p>
<p><strong>1191 e 1193</strong>, que proíbem a mulher de adquirir ou alienar bens…agravados pelo art.º <strong>1114</strong>, que ao homem dá todos os direitos;</p>
<p>3.º Todos os artigos que se referem ao poder paternal são vexatórios enquanto a mãe o não tiver igual…</p>
<p>A mulher requer para si o sagrado direito de olhar, tanto como o pai, pela educação dos seus filhos, não querendo o seu nome eliminado em documentos… não prescindindo dos seus direitos de tutoria…</p>
<p style="text-align: justify;">A investigação da paternidade ilegítima, proibida criminosamente pelo artigo 130, é daquelas leis sagradas que nenhum homem de consciência pode protelar. Mas a sua falta torna-se tanto mais odiosa quanto é injusto o art.º 131 que permite a investigação da maternidade, quando é a mulher que mais sofre perante a hipocrisia social, com a apresentação de um filho ilegítimo, quando é a mulher que, esbulhada de todos os empregos e profissões rendosas, ineducada e impotente para o trabalho honesto, mal  tem com que se alimentar a si quanto mais alimentar os filhos, sem o auxílio masculino;</p>
<p>4.º Insurgimo-nos nós, as mulheres, contra a excepção que nos inibe de ser testemunhas instrumentarias…</p>
<p>Mais pretende a mulher que o júri…. Seja daqui para o futuro constituído por indivíduos dos dois sexos…</p>
<p style="text-align: justify;">5.º Nada de estranhar seria, antes, pelo contrário, seria muito justo, que as mulheres portuguesas, cento e tantos anos depois da grande revolução francesa, fizessem suas as palavras do honesto e imortal Condorcet perguntando, indignado, à Assembleia Nacional:</p>
<p style="text-align: justify;">- em nome de que princípio eram as mulheres afastadas das funções políticas, visto que as palavras &#8211; <em>representação nacional-</em> significam o governo da nação e as mulheres dela fazem parte  tanto como os homens?!</p>
<p style="text-align: justify;">&#8212; Achamos de toda a justiça que o sufrágio universal se estabeleça, com igualdade de direitos para homens e mulheres, _ parecendo-nos injusto que se negue o voto à mulher a pretexto de que é ignorante, sabendo-se bem que o homem do povo não o é menos, sem que por isso lhe seja tirada essa prerrogativa…Pedimos o direito de eleger e ser eleitas para os cargos municipais…</p>
<p> Mais reclamamos contra as leis que abusivamente fecham às mulheres determinadas carreiras…</p>
<p style="text-align: justify;">6.º Não podemos fechar a série das nossas reclamações imediatas sem protestar… contra a prostituição legalizada…que torna o estado o guarda e o cobrador do dinheiro miserável dessa infamíssima escravatura branca…”</p>
<p style="text-align: justify;">Embora não nos fosse possível apresentar este magnífico documento na íntegra, os  extractos que aqui deixamos e que nos parecem os fundamentais, provam a elevada consciência cívica desta mulher, que não era de forma nenhuma única na sociedade do seu tempo, mas que ocupava um dos lugares cimeiros.</p>
<p style="text-align: justify;">E se hoje há mulheres que prosseguem nesta senda e das quais muito nos orgulhamos, como das nossa antepassadas, temos também muitas que, colocadas em cargos políticos, mais não fazem que envergonhar e diminuir as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Fazemos votos para que as mulheres saibam desempenhar-se dos cargos de sua responsabilidade, com competência, ética, justiça e seriedade. Só assim honram as suas compatriotas, que não lhe reconhecem o direito de as envergonhar.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>Festas de tradição popular em Odivelas</title>
		<link>http://odivelas.com/2010/06/22/festas-de-tradicao-popular-em-odivelas/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 15:19:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Odivelas.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Regional]]></category>
		<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>

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		<description><![CDATA[
As festas de tradição popular em Odivelas das quais tenho encontrado referências escritas e cuja realização está interrompida, foram as que se fizeram no Senhor Roubado pelo S. João. Esta festa tinha um cunho marcadamente popular.
Conta-nos Francisco José de Almeida, no livro Apontamentos da Vida de um Homem Obscuro, que o monumento era acrescentado com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/sjoao-odivelas.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-5361" title="sjoao-odivelas" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/sjoao-odivelas.jpg" alt="" width="350" height="285" /></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;">As festas de tradição popular em Odivelas das quais tenho encontrado referências escritas e cuja realização está interrompida, foram as que se fizeram no Senhor Roubado pelo S. João. Esta festa tinha um cunho marcadamente popular.</p>
<p style="text-align: justify;">Conta-nos Francisco José de Almeida, no livro Apontamentos da Vida de um Homem Obscuro, que o monumento era acrescentado com cortinas e panos de arrás, sob os quais se dispunham as bancas dos festeiros para a recolha das esmolas, as bancas para a colocação das fogaças, seguida da banca onde se fariam os leilões, mais adiante a banca das medalhas, estampas e outras recordações que os festeiros gostam sempre de levar.</p>
<p>Realizava-se no Senhor Roubado mas era a festa do S. João.</p>
<p>Começava de véspera “ com fogueiras e foguetes em roda do adro”.</p>
<p style="text-align: justify;">É tradição, na maior parte das aldeias do país, em noite de S. João, ascender fogueiras de rosmaninho, belaluz e outras plantas aromáticas da região, para as pessoas saltarem por cima delas, na convicção de que isso as vai imunizar de certos males. Os participantes procuram um ponto estratégico e aguardam o melhor momento para executarem o salto com segurança. Se têm sucesso no primeiro salto, repetem enquanto lhes agrada e a animação é grande em volta da fogueira até todos terem participado. Como o rosmaninho era colhido no próprio dia, estava verde, ardia mal e fazia muito fumo. Daí a razão de o povo dizer que se “defumava” na noite de S. João. Na mente popular correspondia a uma benção, com o mesmo mérito ou, sabe-se lá, até maior que uma benção sacerdotal. E assim se vivia a noite de S. João.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, 24 de Junho, manhã cedo, antes de nascer o Sol estendiam-se as roupas de casa e de vestir, para apanharem o orvalho do S. João e deviam recolher-se antes de nascer o Sol. Com o corpo e as roupas imunizadas, estava o povo pronto para enfrentar a vida durante um ano. Até ao próximo S. João.</p>
<p>Em Odivelas, no Senhor Roubado, dia 24 de Junho pelas 10 horas começavam a “afluir os ranchos de devotos vindos de três léguas em redondo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelas 11 horas chegavam os mordomos e demais encarregados dos festejos, vindos pela estrada de Odivelas, precedidos de tambor e gaita de foles. Os ranchos de devotos vinham pelas três estradas que confluíam no Senhor Roubado : de Lisboa, Odivelas e Pombais.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelas treze horas começava o leilão das fogaças. Cada tabuleiro de fogaças vinha à cabeça de uma rapariga e começavam as ofertas, sempre comentados com gracejos e brejeirices dos leiloeiros. Só depois, aí pelas 15h e 30 é que se estendia o farnel para almoçar, geralmente sobre os carros de tracção animal, que os tinham transportado até ali. Na ementa era obrigatório o peixe frito e o bacalhau albardado, bem regado com o roxo de Torres Vedras. A reinação era grande até às 18 horas, quando se iniciava a debandada.</p>
<p style="text-align: justify;">O dia 9 de Outubro, aniversário do Rei D. Dinis, era também muito celebrado em Odivelas, com destaque para o bodo aos feirantes.</p>
<p>Com a decadência da feira e a diminuição dos feirantes, o bodo continuou a fazer-se, mas para ao pobres.</p>
<p>Havia outras festas, mas apenas de cariz religioso:</p>
<p>A 10 ou 11 de Maio a festa do Santíssimo Sacramento;</p>
<p>Em  Janeiro, a festa do Santíssimo Nome de Jesus, mas sem um dia fixo;</p>
<p>No Verão a festa do Mártir S. Sebastião, que só terminou em 1940.</p>
<p>E, de 26 em 26 anos, a maior de todas&#8230;.. O Círio dos Saloios</p>
<p>As marchas ainda não ganharam direito a serem classificadas como tradição, aqui em Odivelas.</p>
<p>Não estão ligadas ao Santo António como em Lisboa, mas sim ao S. João.</p>
<p style="text-align: justify;">Não me parece forte aqui o culto ao Santo António. Até agora encontrei memória apenas de um lugar de culto ao nosso Santo – a quinta de Santo António da Urmeira. </p>
<p>Das festas das freiras não falo porque, sendo no mosteiro, o povo não participava, mas algumas delas tinham origem popular, como por exemplo a benção dos coentros em dia de S. Brás.</p>
<p>Divertimentos que foram tradições, mas não poderemos considerar festas, poderemos fazer referência às cegadas.</p>
<p>Não quero terminar sem referir os célebres Outeiros organizados pelas freiras. A entrada            era livre, mas não me parece que fosse uma festa popular. </p>
<h2>AS  MARCHAS de Odivelas</h2>
<ol>
<li>– 2000 – tema : Os Bairros de Odivelas</li>
<li>– 2001 -     “      O Rei D. Dinis</li>
<li>– 2002 -     “      Os Saloios</li>
<li>– 2005 -     “      A marmelada e os Outeiros</li>
<li>– 2006 -     “      Majoretes</li>
</ol>
<p>As Marchas  não são uma criação espontânea popular.</p>
<p>Foram pensadas e organizadas por intelectuais sob a liderança de Leitão de Barros, em 1932.</p>
<p>As associações culturais dos bairros de Lisboa aceitaram a proposta .</p>
<p>Em Lisboa realizam – se pelo Santo António porque é o Santo mais popular da cidade.</p>
<p>Há, contudo, uma relação entre as marchas e as festas populares:</p>
<p>As festas dos Santos populares eram, inicialmente, apenas os arraiais que ainda hoje se realizam e de que temos notícia desde o século XIX.</p>
<p>Desses arraiais saíam, por vezes, grupos organizados  -  “ as Ranchadas “ -  que iam a outros bairros executar as suas danças, voltando seguidamente aos seus bairros.</p>
<p>O tema das marchas está sempre relacionado com a vida da população daquele bairro.</p>
<p>Factores determinantes na concepção das marchas : os Santos populares e a vida  , história e cultura local.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>A  História  Religiosa também é  Património  Cultural</title>
		<link>http://odivelas.com/2010/06/13/a-historia-religiosa-tambem-e-patrimonio-cultural/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 17:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[
Relegada para o domínio do esquecimento, são poucos os que hoje têm conhecimento da nossa História  Religiosa, história que não podemos separar da Civilização Ocidental.
Com a queda do Império Romano do Ocidente e no caos em que as invasões bárbaras o transformaram, distinguiram-se notáveis homens da Igreja, que foram a consciência viva do Ocidente. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/papas1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-5156" title="papas" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/papas1.jpg" alt="" width="350" height="252" /></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;">Relegada para o domínio do esquecimento, são poucos os que hoje têm conhecimento da nossa História  Religiosa, história que não podemos separar da Civilização Ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a queda do Império Romano do Ocidente e no caos em que as invasões bárbaras o transformaram, distinguiram-se notáveis homens da Igreja, que foram a consciência viva do Ocidente. A esses homens devemos  os fundamentos da Cultura Ocidental , filha da Cultura greco-romana, que eles preservaram e nos transmitiram.</p>
<p style="text-align: justify;">Limitando-nos somente ao nosso País, é justo destacar aqui o Papa  S. Dâmaso, nascido em solo português,  quando Portugal ainda não existia como Estado. Isso não impede que seja considerado português. As grandes obras universais  assim o declaram. Vejamos o que nos diz o grande dicionário Larousse :</p>
<p style="text-align: justify;">“S. Dâmaso, Papa de Outubro de 366 a  10 de Dezembro de 384. Nascido em Portugal, foi eleito à morte do Papa Libério. Reuniu  em Roma vários  concílios com vista à clarificação e debate de alguns aspectos da doutrina. Encarregou S. Jerónimo de rever a antiga versão latina da Escritura e foi deste trabalho que saiu a Bíblia designada  por Vulgata, a única conhecida no Ocidente, durante séculos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Duarte Nunes de Leão, notável cronista português, informa-nos que, S. Dâmaso, trigésimo sexto sucessor de S. Pedro, era natural de Guimarães, teve por secretário S. Jerónimo e que, por sua determinação, se começaram a cantar os salmos de David nas horas canónicas, terminando, sempre da mesma forma : Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo. Esta questão era, na altura, muito importante, porque tinha a finalidade de afirmar que as três pessoas da Santíssima Trindade, ao contrário do que afirmavam os heréticos arianos, eram iguais e distintas. Foi também este nosso Papa que ordenou que no início da Santa Missa, se dissesse a confissão, como ainda hoje se faz. Informa-nos ainda o mesmo autor que, S. Dâmaso “era grande letrado nas letras divinas e humanas, e poeta mui elegante.” E acrescenta ainda : “Seus estudos comunicava com S. Jerónimo a quem o mesmo santo padre dedicou as vidas dos sumos pontífices que escreveu. Foi este pontificado felicíssimo por ter por súbditos e familiares os três doutores, colunas da Igreja : S. Jerónimo, Santo Agostinho e Santo Ambrósio, além de outros varões santos e doutíssimos.”</p>
<p>Não venho aqui falar dos santos portugueses por motivos religiosos. O meu objectivo é, tão somente, defender o que é nosso, o nosso Património Histórico/Cultural. Parece-me que a figura deste Papa  honra  Portugal e a Igreja e é um Santo a invocar pelos católicos e muito mais pelos católicos portugueses. È que os santos nacionais têm para nós a vantagem de falarem português como nós! Além disso não virarão, por certo, as costas aos seus compatriotas. Pelo contrário, serão, como portugueses que são, os nossos embaixadores junto de Deus!</p>
<p>Falei de S. Dâmaso, mas poderia ter falado de muitos outros santos portugueses. O cronista que referi, na sua obra intitulada “Descrição do Reino de Portugal”, fala-nos</p>
<p>de mais 86 santos, nossos compatriotas, dizendo donde são e o que fez deles santos.</p>
<p>Por uma questão de zelo pela nossa História e da nossa cultura, parecia-me bem que,</p>
<p>pelo menos,  soubéssemos  deles, esse mínimo.</p>
<p>Dir-me-ão que conhecem muito bem Santo António, S. João de Deus, S. João de Brito, a Rainha Santa, S. Francisco Xavier. Já fico satisfeita que conheçam pelo menos esses, mas então e os outros ? Faltam ainda 81 e eu gostaria de lhos apresentar um dia destes.</p>
<p>Convém conhecê-los a todos, porque é sempre bom ter a quem recorrer, quando nos vemos aflitos, e se um não nos ouve, pode ser que nos ouça outro !</p>
<p>E, antes de terminar, lembro ainda que Portugal teve no século XIII um outro Papa, João XXI, Pedro Hispano, também conhecido pelo nome de Pedro Julião, filósofo de grande nome e crédito na Europa, e também médico. Nasceu em Lisboa no ano de 1205, provavelmente.</p>
<p>Lembrar e defender o que é nosso e nos honra , assim como combater e corrigir o que nos diminui e envergonha, são deveres de cidadania.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
<p><em> </em></p>
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		<title>Um Projecto de desenvolvimento Regional</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 10:29:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[
Desde finais do século XIX que os habitantes da região saloia reivindicaram, insistente e consistentemente, a construção de uma linha-férrea que percorresse o território do Termo transversalmente.
Uma Comissão de Melhoramentos do concelho de Loures apresentou, em 1912, a seguinte proposta de traçado:
- partindo de Lisboa por Campolide, com estações na Luz, Odivelas, Caneças, Loures, Tojais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ferrovia.jpg"><img class="size-full wp-image-5010 alignleft" title="ferrovia" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ferrovia.jpg" alt="" width="330" height="215" /></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 135px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-full wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg" alt="" width="125" height="124" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;">Desde finais do século XIX que os habitantes da região saloia reivindicaram, insistente e consistentemente, a construção de uma linha-férrea que percorresse o território do Termo transversalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma Comissão de Melhoramentos do concelho de Loures apresentou, em 1912, a seguinte proposta de traçado:</p>
<p style="text-align: justify;">- partindo de Lisboa por Campolide, com estações na Luz, Odivelas, Caneças, Loures, Tojais, Fanhões, Bucelas, Freixial, Montachique, Malveira, &#8230;.., até à Ericeira.</p>
<p style="text-align: justify;">No relatório que integrava essa proposta, afirmavam que este pedido já tinha sido feito há 20 anos atrás, portanto em 1882.</p>
<p>Em 1924, o vice-presidente da Câmara de Loures retomou esta questão de uma via de comunicação inter-regional e propunha o seguinte traçado: Lisboa, Odivelas, Caneças, Loures, Montachique, Bucelas, Vila Franca de Xira, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, Mafra, Ericeira.</p>
<p>E explica porquê:</p>
<p>“Tornar vilas trabalhadoras e de largo futuro, actualmente engarrafadas pela dificuldade de comunicação, centros comerciais de contacto rápido e constante com Lisboa… e tornar Vila Franca, ligada pela sua ponte com o sul e com o resto do país (pelas vias Norte, Oeste, &#8211; ramal Loures-Arruda e fluvial), o centro preferido, o entreposto indiscutível do mais largo movimento e assegurado futuro dos nossos centros de comunicações.</p>
<p>E de que séries de empresas e de indústrias esse caminho-de-ferro não poderá ser origem.</p>
<p style="text-align: justify;">As facilidades agrícolas justificariam esse empreendimento; o direito que todos estes povos têm a uma parcela de bem-estar e civilização, tornam obrigatória a sua construção; as riquezas naturais, actualmente inexploradas ou em estado primitivo, como os mármores, impunham-no, para a riqueza do país, como necessário. Mas não são apenas os mármores; é também a indústria dos carbonetos e mais riquezas a explorar e que na região têm matérias-primas e ficará, pelo caminho-de-ferro, a uma hora do ponto de embarque. E tantas outras coisas…”</p>
<p>Este projecto considerava ainda as zonas com potencialidades turísticas:</p>
<p style="text-align: justify;">“Servir uma zona de repouso como Caneças e Montachique, estabelecer, pelo transporte regular, estadias de Verão nessa travessia de pequenas montanhas que vai até ao Oceano, à Ericeira…”</p>
<p style="text-align: justify;">Uma equipa técnica realizou estudos na globalidade e na especialidade e, depois de concebido e traçado o projecto, acompanharia a obra. O vice-presidente da Câmara de Loures, Augusto Dias da Silva era, como político, o elemento dinamizador e aglutinador, como se depreende de um artigo publicado em Novembro de 1924, no jornal “Vida Ribatejana”:</p>
<p style="text-align: justify;">“Por motivo da ponte sobre o Tejo, que ligará a futura cidade ribatejana ao sul do país, estiveram em Vila Franca, na passada terça feira, acompanhados de Dias da Silva (que, com a conhecida persistência, promete levar a bom fim o útil melhoramento), os Engenheiros encarregados dos respectivos estudos. Eram esperados pelo Presidente da Comissão Executiva, Sr. António Lúcio Baptista e pelos Sr.ºs José Santos Natividade, António Redol da Cruz e António de Oliveira Raimundo. A visita tinha por fim fornecer ao Engenheiro alemão, representante da casa proponente, os elementos necessários para o estudo da parte metálica da importante obra. Os visitantes tiveram ocasião de constatar mais uma vez, a riqueza que esse tão necessário e ambicionado melhoramento virá trazer à capital ribatejana.”</p>
<p style="text-align: justify;">Considerando estas fontes impressas, era estreita a colaboração autárquica, motivada por interesses comuns de desenvolvimento. Registe-se, com agrado, o facto de, apesar dos novos meios de comunicação, se continuar a apostar, também, na “via fluvial”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os povos e seus líderes nunca desistiram do transporte ferro-carril, mas o estado, a partir de 1926 andou a “encanar a perna à rã” durante 8 anos, acabando por arquivar definitivamente o processo em 1934.</p>
<p style="text-align: justify;">Os projectos centrados numa região eram justificados naquele tempo, pois congregavam esforços e meios que facilitavam a sua concretização.</p>
<p style="text-align: justify;">Este caminho de ferro nunca se construiu e as vias rodoviárias desta zona, nunca se viram livres de engarrafamentos.</p>
<p> Maria Máxima Vaz</p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>O MONUMENTO DE TOCADELOS- A “STELLA MARIS” LOURENHA [Vídeo]</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 14:39:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Odivelas.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[
Dr. Vitor Manuel Adrião
“Sempre por bom caminho e segue”
Francisco Grandella
Na vida em sociedade, axiomática e objectivamente, basicamente há dois tipos distintos de pessoas: as que fazem e podem errar, e as que não fazem e nunca erram. Humildemente, considero-me entre as primeiras.
Quando escrevi sobre As Seráficas de Tocadelos (in Ode a Loures (Monografia Histórica). Edição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/tocadelos.jpg"><img class="size-medium wp-image-4566   aligncenter" title="tocadelos" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/tocadelos-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>Dr. Vitor Manuel Adrião</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><em>“Sempre por bom caminho e segue”</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Francisco Grandella</em></p>
<p>Na vida em sociedade, axiomática e objectivamente, basicamente há dois tipos distintos de pessoas: as que fazem e podem errar, e as que não fazem e nunca erram. Humildemente, considero-me entre as primeiras.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando escrevi sobre <strong><em>As Seráficas de Tocadelos</em></strong> (in <strong><em>Ode a Loures (Monografia Histórica)</em></strong>. Edição do Pelouro do Turismo da Câmara Municipal de Loures, 1993), sitas em convento junto a Ponte de Lousa no sopé do Cabeço de Montachique, mais exactamente em Tocadelos, devido ao formato estrelado do edifício inacabado que aí está – e que forma no todo uma <strong>estrela</strong>, o que em princípio me sugeriu a <strong><em>Stella Maris</em></strong> – vim a associá-lo ao desaparecido <strong>Convento de Nossa Senhora dos Poderes</strong> (sobre o que, em Loures, publiquei vários artigos no jornal regional <strong><em>Vento Novo</em></strong>), fundado no século XVI por Dona Brites de Castelo Branco, e que estaria dentro da “Via Longa de Clarissas”, no dizer de Frei Agostinho de Santa Maria, portanto, no <strong>itinerário da saúde</strong> já referido por Pinharanda Gomes (in <strong><em>Povo e Religião no Termo de Loures</em></strong>. Loures. Edição da Paróquia de Santo António dos Cavaleiros, Loures, 1982).</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, em boa verdade semelhante edifício desencaixa do conceito clássico arquitectural de sanatório, que os há com fartura nesta parte do Concelho lourenho. Apresenta ele dois corpos dianteiros rectangulares a toda a extensão ligando por arcos ao centro constituído de seis absidíolas, mais uma abside como corredor central indo até à entrada principal. O conjunto forma um <em>M</em> tendo sete espaços rectangulares ao centro formando uma <em>Estrela</em>, o que me sugeriu de imediato o apelativo mariano do Carmelo, ou seja <strong><em>Stella Maris</em></strong>, que as Franciscanas também veneraram como <strong><em>Mater Dei Regina Coelis</em></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Como se não bastasse, a toponímia local e o concebido místico do imóvel só me reforçavam a ideia de ser esse o desaparecido convento das Clarissas, tanto mais que os próprios compartimentos estão rigorosamente dispostos conforme os cânones arquitecturais de casa religiosa de recolhimento, ou seja, de convento ou mosteiro, como descrevi então (in <strong><em>ob. cit.</em></strong>). Tudo, mas <strong>tudo</strong>, garantia-me ser esse o eremitério das Franciscanas de Nossa Senhora dos Poderes.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, várias vozes acauteladas, dentre elas a de Pinharanda Gomes que as encabeçou, afiançaram-me a possibilidade desse meu estudo estar inconclusivo e inclusive haver nele “hiatos”, e todas me incitaram a aprofundar mais ainda a investigação. Assim fiz, tanto no terreno como em gabinete, e tudo teimava em apontar Tocadelos como o sítio do convento, mas, ainda assim, aos poucos a atenção foi-se desviando para Via Longa, no Concelho de Vila Franca de Xira fronteiro ao de Loures.</p>
<p style="text-align: justify;">O documento mais antigo sobre essa casa religiosa data de 1621 e está na Biblioteca Nacional de Lisboa, levando o longo título: <strong><em>Livro que contém em si a fundação e rendas deste Convento de Nossa Senhora dos Poderes da Ordem de Santa Clara de Vila Longa, termo da cidade de Lisboa</em></strong>. Esta peça original (BNL, RES. Cód. 8591, 61 ff. numeradas) foi manuscrita antes da data apontada, ou seja, em 1615 pela escrivã do mosteiro, Soror Joana Evangelista, quando era abadessa uma sobrinha da fundadora, Madre Maria da Encarnação. Em 1621 foi encadernado o texto, ao qual se acrescentaram listas das religiosas que viveram no eremitério, pelo menos até 24 de Outubro de 1681, data em que o provincial, Fr. Manuel de Santiago, taxou o número de freiras e educandas que ali poderiam ser sustentadas. Entre elas contava-se uma supranumerária, Soror Maria da Glória, cuja genealogia inspirou a D. Francisco de Mascarenhas Henriques uma galante composição a que deu o título de <strong><em>Cousas maravilhosas e razões extraordinárias que sucederam para chegar a meu poder a muito esclarecida e endeusada genealogia da senhora Maria da Glória, religiosa no Mosteiro de Vialonga</em></strong> (BNL, RES. Cód. 6333, ff. 75 v. – 88 r).</p>
<p style="text-align: justify;">O convento comportou sempre número de residentes excedendo a sua capacidade, que não ia além de 36 freiras, tal qual a capacidade numérica a que estava destinado o sanatório de Tocadelos, monumento inacabado que recentemente alguns quiseram destruir por estar ocupando «improdutivamente» o espaço destinado a edifícios fabris. Obviamente opus-me a isso, e houve mesmo o director proprietário de um desses jornais de Loures – <strong><em>Jornal de Loures</em></strong> – que passou por vergonha desnecessária quando quis iniciar campanha nesse sentido. O monumento está muito bem onde está e assim deve permanecer, ao abrigo do decreto-lei 516/71, de 22 de Novembro (“Imóvel de Interesse Público”) que protege o património histórico municipal.</p>
<p style="text-align: justify;">Posteriormente a 1621, quer Fr. Agostinho de Santa Maria (in <strong><em>Santuário Mariano</em></strong>, Lisboa, 1707), quer Fr. Manuel da Esperança e Fr. Fernando da Soledade (in <strong><em>História Seráfica da Ordem dos Frades Menores de S. Francisco da Província de Portugal</em></strong>, Lisboa, 1656-1721), quer ainda Jorge Cardoso (in <strong><em>Agiológio Lusitano</em></strong>, vol. I, pág. 201, e vol. II, pág. 223), detalharam sobre o convento instalando-o em Via Longa de Clarissas e fundado em 1561 por Dona Brites de Castelo Branco (cf. <strong><em>História da Igreja em Portugal</em></strong>, de Fortunato de Almeida. Nova edição, vol. II, pág. 151, Porto, 1968). Mais tarde, Mendes Leal (in <strong><em>Admirável Igreja Matriz de Loures</em></strong>, Lisboa, 1909) e o Padre Álvaro Proença (in <strong><em>Subsídios para a História do Concelho de Loures</em></strong>, Lisboa, 1940) situarão nas cercanias de Tocadelos a existência de eremitério religioso, que terá sido definitivamente abandonado à rapina e retalho cerca de 1838 (cf. <strong><em>Enciclopédia Luso-Brasileira</em></strong>, vol. 12).</p>
<p style="text-align: justify;">Consultando vários documentos indo dos finais do século XIX à metade do século XX referindo o monumento em causa, apareceu-me o nome do comerciante rico <strong>Francisco de Almeida Grandella </strong>(1853-1934), como o seu idealizador para fins sanatoriais. Ainda supus que se trataria dum aproveitamento e reconstrução do primitivo edifício religioso, mas tal suposto revelar-se-ia errado, e esse erro foi induzido pela própria documentação demasiado imprecisa por confundir a localização exacta de ambos os imóveis, tanto mais que Via Longa de Clarissas desagua em Santo Antão do Tojal onde inicia a Estrada Real de Mafra que passa nas cercanias de Tocadelos, mais precisamente em S. Pedro de Lousa, onde está a ruína dum outro e enorme sanatório. Este, como todos os outros na região, encerraram definitivamente em 1971, e vários, poucos, desses edifícios foram progressivamente convertidos para outros fins. A maioria deles permanece ao abandono das ruínas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Neste ponto, dirigi a atenção para a presença de Grandella em Cabeço de Montachique. Procurei o projecto da obra e ele foi-me mostrado. Não data mais que 1919 (in <strong><em>Arquitectura Portuguesa</em></strong>, 23, 1920) e contém a legenda definitivamente esclarecedora: «Inauguração dos trabalhos para o edifício destinado a raparigas indigentes, tuberculosas (candidatas à tuberculose), no Cabeço de Montachique, em 6 de Abril de 1919 pelo Clube dos Makavenkos». Esse projecto era do arquitecto Rosendo Carvalheira (contemporâneo de Alexandre Herculano), que inclusive trabalhara na reconstrução da Sé da Guarda. Esse ilustre artista pertencia a uma Associação de Amigos de Fanhões, freguesia encostada a Tocadelos que pertence à freguesia de <strong>Lousa</strong>, e cedo se integrara no <strong>Clube dos Makavenkos</strong>, fundado por volta de 1880, sendo um dos fundadores o supracitado capitalista Francisco Grandella que publicaria em Lisboa, em 1919, um livro acerca do mesmo: <strong><em>Memórias e Receitas Culinárias dos Makavenkos</em></strong> (cf. <strong><em>Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira</em></strong>, 12, pág. 695). Essa obra, reeditada em Lisboa em 1994 pela Marginália Editora, foi originalmente subscrita apenas com as iniciais do autor. E como se lê na página inicial, «o produto da venda deste livro, retiradas as suas despesas, reverterá a favor do Sanatório Albergaria, de Montáchique, mandado erigir por iniciativa da Sociedade dos Makavenkos». Também a folha ilustrativa do projecto de sanatório por Rosendo Carvalheira, era vendida ao «preço de 5 centavos a favor das obras do Sanatório». Houve, pois, campanha de marketing intensa para juntar as verbas necessárias a fim de realizar a obra, num tempo em que a “gripe espanhola” campeava e ceifava vidas a rodos por todo o país. Rezava que o Sanatório pretendia «minorar quanto possível a miséria e a doença no meio da crise tremenda por que está passando o mundo inteiro» (conflagração mundial de 1914-18), e apelava «aos novos-ricos, que têm feito fortunas fabulosas com os lucros da guerra» para que «doassem uma pequena parcela dessa enorme riqueza» às vítimas dessa mesma guerra. O apelo não teve resposta, e foi o início da paragem da construção e da morte da ideia generosa&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/makavenkos1.jpg"><img class="size-medium wp-image-4568 aligncenter" title="makavenkos1" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/makavenkos1-300x204.jpg" alt="" width="300" height="204" /></a> </p>
<p style="text-align: justify;">Grandella subsidiou fortemente o Clube dos Makavenkos – a que pertenceram, dentre outros, o contra-almirante Ferreira do Amaral, que fora antigo presidente do Conselho de Ministros reinando D. Manuel II, António Batalha Reis, Júlio Mardel, Rafael Bordalo Pinheiro, Josué dos Santos, o dr. Fidelino Figueiredo e o general Filomeno da Câmara – que era autêntico Grémio republicano anti-monárquico e anti-eclesiástico, imbuído do humanismo laico dos pedreiros-livres.</p>
<p style="text-align: justify;">A convicção republicana de Grandella já se fizera sentir em 1881, quando fundou no Rossio a <em>Loja do Povo</em>, pintando a fachada de vermelho berrante, de alto a baixo, o que lhe valeu uma ordem de despejo do senhorio, um desengraçado visconde da Graça, que não gostava dessas republicanices de fachada.</p>
<p style="text-align: justify;">O terreno onde se encontra o imóvel inacabado de Tocadelos seria comprado a António Mateus Catarino, sogro de José Alves Antão, a quem entrevistei, sendo cerca de 1912 lavrado o referido projecto arquitectónico de Rosendo Carvalheira, que já disse trazer a data de 6 de Abril de 1919, posterior à sua morte, possivelmente a altura em que se tencionava inaugurar o edifício, conforme o próprio projecto sugere, pois o terreno de 3.500 metros quadrados que Grandella comprara fora oferecido em 1918 à Sociedade dos <strong>Makavenkos</strong>, destinado à construção do supradito sanatório para tratamento e internato temporário de moças ingentes tuberculosas.</p>
<p style="text-align: justify;">Destinado a ficar a 200 metros de altitude a meia encosta do Cabeço de Montachique, o plano inicial previa quartos para 36 doentes em regime de internato gratuito, quartos para vigilantes, uma grande cozinha, refeitório, varanda de cura, farmácia, sala de pensos, arrecadações, banhos, forno crematório para pensos, desinfecção e enfermaria de isolamento. Para ajudar a custear os encargos da obra, seriam criadas também 14 moradias independentes, que igualmente procurariam dar resposta «à grande falta de habitação para os que, embora com meios para se tratarem, careçam de aí se instalar» (in <em><strong>O Século</strong></em>, II Série, n.º 686, 14 de Abril de 1919).</p>
<p>Rosendo Carvalheira traçou um <em>esquisso</em> grandioso para o edifício. «O conjunto do projecto é muito simples, gracioso e pitoresco e fortemente inspirado em motivos portugueses», escrevia a <strong><em>Arquitectura Portugueza</em></strong> em Julho de 1918.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi Francisco Grandella quem lançou a primeira pedra de fundação (in <strong><em>Illustração Portugueza</em></strong>, 1919, artigo ilustrado com a fotografia do evento), com pompa e cerimónia não faltando as bandeiras desfraldadas da recente República de Portugal, do Brasil e da Maçonaria Lusitana, e para sempre essa obra colectiva ficou ligada quase exclusivamente ao seu nome sem que os enciclopedistas mostrem preocupação em desenvolver o assunto, como é o caso de Raul Proença, quando passageira e secamente tão-só aponta «o Sanatório Grandella, em Montachique» (in <strong><em>Guia de Portugal</em></strong>, I, pág. 473. Lisboa, 1924).</p>
<p style="text-align: justify;">As obras terão durado de 1912/13 a 1919, altura em que pararam por falta de verbas, ficando para sempre inacabadas. Tal carência fiduciária atribui-se à crise económica por que o país passava em plena I Guerra Mundial e ao “crash” de Grandella, principal accionista, que insensatamente havia pensado, como a maioria pensou, não durar mais de três meses o Conflito de 1914-1918.</p>
<p style="text-align: justify;">Tanto a publicação do livro das receitas culinárias dos Makavenkos como a do projecto do sanatório de Montachique, foram talvez a última medida desesperada de arranjar as verbas necessárias para cobrir as despesas das obras. O dinheiro que arranjou foi gasto nas pedras necessárias à construção, as quais vieram em carros puxados por bois das pedreiras próximas de Fanhões, donde eram naturais muitos dos pedreiros empregados na empresa, como foi o caso do falecido sr. José Grande, contemporâneo do já referido sr. José Alves Antão.</p>
<p style="text-align: justify;">Pretendendo-se fazer aí um sanatório para moças pobres atingidas pela tuberculose, como já disse, todavia ele não chegou a acontecer pelas razões já igualmente apontadas, e assim o imóvel foi doado à Assistência Nacional aos Tuberculosos, que nele não pegou, preferindo construir um sanatório novo junto à Estrada de Fanhões. Ficaram, como memória da obra inconcluída, os empilhamentos de pedras à esquerda da sua entrada central, votados ao completo abandono tal qual o monumento, e isto (por razões que deixo à dedução do leitor, conforme o que se segue), talvez por iniciativa do próprio Dr. António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), o capitalista humanitário que mandou fazer o Palácio da Quinta da Regaleira em Sintra, para sua morada, e um dos fundadores e mecenas da Assistência Nacional aos Tuberculosos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, se afinal aqui nunca houve casa de religiosas, ante a evidência indesmentível, então onde estaria o antigo Convento de Nossa Senhora dos Poderes de Via Longa de Clarissas?</p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente em Via Longa. Mas esta mistura-se com a outra e longa Via Real, que passa perto de Tocadelos. Será que era mesmo aí que estava? Sim, era. Situava-se na freguesia de Via Longa, que passara do extinto concelho dos Olivais para o de Vila Franca de Xira, distrito e patriarcado de Lisboa (in <strong><em>Invocações de Nossa Senhora em Portugal (De Aquém e Além-Mar e seu Padroado)</em></strong>, de Padre Jacinto dos Reis, págs. 456-457, Lisboa, 1967).</p>
<p>O P<sup>e</sup>. Jacinto dos Reis diz ainda, no seu livro sobre esse convento das Franciscanas:</p>
<p>«Deste mosteiro tratam várias obras, entre as quais <strong><em>Mapa de Portugal</em></strong> (parte III); <strong><em>Sant. Mar.</em></strong> (tomo I, liv. II, tít. LXI); <strong><em>Port. Ant. e Mod.</em></strong> (vol. X).</p>
<p style="text-align: justify;">«Desta última obra, a propósito, lê-se (pág. 321 e Seg.): “estava o mosteiro ameaçando ruína iminente, pelo que, por portaria de 24 de Outubro de 1838, foram as freiras transferidas para o mosteiro de Nossa Senhora da Anunciada, do lugar de Sub-Serra (&#8230;). Em 1873, ou 1874, o Governo pôs em praça a venda do terreno em que tinha sido edificado o templo e o mosteiro, e o resto da pedra que ainda existia”.</p>
<p>«O comprador “naquele chão construiu uma abegoaria e loja de ferrador”.»</p>
<p>Acrescenta ainda o P<sup>e</sup>. Jacinto dos Reis:</p>
<p style="text-align: justify;">«No álbum n.º 6 dos <strong><em>Registos dos Santos </em></strong>da Biblioteca Nacional de Lisboa, há uma estampa, se não duas, de Nossa Senhora dos Poderes, “orago do convento das religiosas de Vª Longa”, indulgenciada pelo Patriarca de Lisboa.»</p>
<p>De facto, o <strong><em>Inventário da Colecção de Registos de Santos</em></strong>, organizado e prefaciado por Ernesto Soares (Biblioteca Nacional, Lisboa, 1955), regista:</p>
<p style="text-align: justify;">«02996 e 02997 – NOSSA SENHORA DOS PODERES – Em corpo inteiro sobre peanha, com o Menino Jesus, segurando pequeno ramo de flores, ambos coroados. INS. – Imagem de Nª Sª dos Poderes Orago da Igª e Convtº das religiosas de Vª Longa. (seguem indulgências). D. – 118 X 68 mm. P. – Buril. E. – Completa. O. – Há outra colorida (nº 02997).»</p>
<p style="text-align: justify;">Esta imagem da Virgem dos Poderes, cuja invocação fora confirmada por Pio IV, era tida por milagrosa pelas gentes de Via Longa e populações vizinhas. Dona Brites, fundadora do convento, viu-se assim contrariada, pois queria para a <em>Mater Dei</em> o título “N.ª S.ª da Encarnação”. Recebeu essa pia senhora o hábito franciscano de D. Marcos de Lisboa, depois bispo do Porto, religioso dos Recolectos de Santo António, passando a chamar-se soror Brites de São Francisco. Na base do voto da ilustre senhora esteve uma revelação celeste, a qual lhe apresentara, em sonhos e nas mãos de um anjo, o hábito franciscano: «E isto constou por testemunho da própria fundadora, e se achara em uma crónica da ordem, que mandou fazer o R.mº P. frey Francisco Gonzaga, sendo geral da ordem» (BNL, RES. Cód. 8591, f. 3 v). Cf. Fr. Francisco Gonzaga, <strong><em>De origine Seraphica et Religionis Franciscanae</em></strong>, parte III, cap. 17.</p>
<p style="text-align: justify;">Praticamente todas as obras consultadas sobre o convento baseiam-se no <strong><em>Agiológio Lusitano</em></strong>, e só a de Lino de Macedo transcreve parte dum códice da Biblioteca Nacional de Lisboa referente ao assunto. Do consultado, destaco: Jorge Cardoso, <strong><em>ob. cit.</em></strong>, t. I, Lisboa, 1652, p. 201, e t. II, Lisboa, 1659, p. 223; Fr. Agostinho de Santa Maria, <strong><em>ob. cit.</em></strong>, t. I, pp. 437-439; Fr. Fernando da Soledade, <strong><em>ob. cit.</em></strong>, t. V, pp. 86-129; João Bauptista de Castro, <strong><em>Mapa de Portugal Antigo e Moderno</em></strong>, 2.ª ed., t. III, 1763, pp. 490-491; Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, <strong><em>Portugal Antigo e Moderno</em></strong>, vol. X, Lisboa, 1885, pp. 321-322; Lino de Macedo, <strong><em>Antiguidades do Moderno Concelho de Vila Franca de Xira</em></strong>, Vila Franca de Xira, 1893, pp. 337-339; Francisco Câncio, “As milagrosas Imagens do Convento de Nossa Senhora dos Poderes”, <strong><em>Ribatejo. Casos e Tradições</em></strong>, vol. II, s. 1, 1949, pp. 366-372; Fortunato de Almeida, <strong><em>ob. cit.</em></strong>, nova ed., preparada e anotada por Damião Peres; Rui Parreira, “Inventário do Património Arqueológico e Construído do Concelho de Vila Franca de Xira”, <strong><em>Boletim Cultural</em></strong> da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, n.º 1, 1985, p. 115.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou quase convencido que Rosendo Carvalheira conhecia todos esses elementos (tanto mais que andou de relações próximas com as dignidades eclesiais e trabalhou no restauro de várias igrejas matrizes, dentre elas a da Guarda, como já referi), e conhecendo-os os terá usado para em Tocadelos <strong>imitar</strong> ou <strong>recriar</strong> o convento desaparecido, mas numa nova versão tanto em arquitectura como em finalidade: de eclesial a hospital, para todos os efeitos sempre de reclusão. Tanto mais que o orónimo “N.ª S.ª dos Poderes” também se assinala tradicionalmente pela <strong><em>Stella Maris</em></strong>. Além disso o convento ainda existia em seu tempo, certamente muito arruinado, mas suficiente para o inspirar ao traçado original deste pretendido sanatório lourenho.</p>
<p style="text-align: justify;">Dele remanesce, hoje mesmo, na Quinta de Santa Maria, onde houve o eremitério das Clarissas de Via Longa, passadas em 1838 para o outro franciscano de Sub-Serra de Castanheira, uma quadra contígua a um portal adornado, na parte superior, por elegantes enrolamentos de cantaria e encimado por uma cruz franciscana com a legenda I.N.R.I. Transposta a entrada, notam-se restos de uma nora e do tanque adjacente, além dos muros da cerca do mosteiro cuja igreja, completamente desaparecida, possuía dois altares colaterais, um dedicado a S. João Baptista e outro a S. João Evangelista, presidindo ao centro, no altar-mor, Nossa Senhora dos Poderes, que não deixou de ser a <strong><em>Stella Maris</em></strong> dos <strong>Templários</strong> que antes por aqui andaram, tendo-lhes pertencido os lugares próximos da Granja e de Alpiatre (vd. <strong><em>A Granja de Alpiatra nas Memórias Paroquiais de 1758</em></strong>, por Maria Micaela Soares. In <strong><em>Boletim Cultural</em></strong> da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, n.º 3, 1989).</p>
<div id="attachment_4570" class="wp-caption aligncenter" style="width: 246px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/Convento-N.ªSr.ªdos-Poderes-ViaLonga.jpg"><img class="size-medium wp-image-4570 " title="Convento-N.ªSr.ªdos-Poderes-ViaLonga" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/Convento-N.ªSr.ªdos-Poderes-ViaLonga-199x300.jpg" alt="" width="236" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Reminiscência do Convento de N.ª Sr.ª dos Poderes, Via Longa</p></div>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Se a fonte de inspiração de Rosendo Carvalheira para a arquitectura deste pretendido sanatório foi a Franciscana de Via Longa, com tudo, como iniciado que era no simbolismo maçónico, terá usado no seu projecto dos princípios da Arquitectura Sagrada, e para isso serviu-se da disposição do lugar e da sua toponímica para dar ao monumento a feição que entendeu, para por ela velar leitura ou interpretação já do domínio iniciático, para todos os efeitos, sob o auspício protector e maternal da lourenha <strong><em>Stella Maris</em></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Partindo a iniciativa da colectividade do <strong>Clube dos Makavenkos</strong>, na verdade este era apenas o exterior ou aspecto visível de Loja franco-maçónica sediada em Fanhões, a quem se deve a proclamação da República do dia 4 de Outubro de 1910, um dia antes da data combinada por desinformação entre os republicanos de Loures e os de Lisboa, que quase levou ao fracasso da revolução, não estivesse o Governo Central do Reino tão dividido como estava!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">D. Manuel II, já no exílio, ataca o contra-almirante Ferreira do Amaral, apodando-o depreciativamente de “O Makavenko”. Anos antes, em pleno Parlamento, Ferreira do Amaral, acusado do dito “crime”, respondia afoitamente aos deputados contrários: «Makavankei e Makavenkarei».</p>
<p style="text-align: justify;">Acerca do significado do nome <strong>Makavenko</strong>, na contraparte do livro citado de Francisco Grandella o seu amigo Josué dos Santos dá-lhe uma origem muito singular e creio mesmo que satírica e farsante, como era usual entre esses clubistas face ao exterior, certamente escondendo o sentido último de <strong>Makara</strong>, Hierarquia privilegiada de Iniciados advinda desde o Portugal Atlante ao Ariano: « – “Makavenkos” eram um povo que existia aqui, no nosso paiz, e provincias vascongadas, vindo do Japão, das ilhas Curilas, muito antes da civilisação grega, antes do desapparecimento da Atlântida, e que tinham uma seita que professava uma espécie de culto pela mulher esbelta, mundana, com quem conviviam e protegiam aproveitando a mesma para fins de utilidade geral».</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de saltar à primeira vista o <strong>Clube dos Makavenkos</strong> não passar de associação jantarista, anedotária e boémia, compartilhada por homens e mulheres, ainda assim vez por outra benfeitores dos desfavorecidos, a verdade é que terão sido muito mais que isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Fundado inicialmente com 13 Makavenkos ordinários, o Grémio adoptaria o lema “Um por Todos e Todos por Um”, como se ornamenta na capa do <strong><em>Acto Adicional aos Estatutos da Sociedade dos Makavenkos</em></strong>, prolongamento dos <strong><em>Estatutos do Regimento Makavenkal</em></strong>, publicados em 1900, em cujos “princípios gerais” diz-se ser patrono do mesmo o Patriarca <strong>Noé</strong>, este que, só por “acaso”, figura com a sua família no painel das Lojas das Eleitas da Maçonaria de Adopção. Reuniam-se nas sextas-feiras à noite, consignado dia de <strong>Vénus</strong> esta que é, afinal de contas, a <strong><em>Stella Maris</em></strong> carmelitana, aqui transformada <strong>makavenkal</strong>, antes, <strong>Makárica</strong>!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Com efeito, no simbolismo maçónico a estrela de 7 pontas ou <strong>heptágono</strong> é tomada como representação do Mestre Maçom que, simbolicamente, atingiu a Perfeição Humana, logo, tornando-se Homem Perfeito ou Adepto Real, Senhor da Vida e da Morte com é assinalado no <strong><em>Apocalipse</em></strong> (1:16).</p>
<p style="text-align: justify;">Lançada a pedra de fundação deste “Sanatório-Albergaria” no já referido dia 6 de Abril de 1919, e ao qual se deu o nome de <strong><em>Catedral</em></strong><em> </em>(terá sido a escolha deste nome mero acaso?), estiveram presentes ao acto solene, dentre muitos outros, o maçom-makavenko e vinicultor Camilo Alves, e o sr. Leitão, igualmente makavenko, proprietário do restaurante <strong><em>Abadia</em></strong> no Palácio Foz, Lisboa (in Francisco Grandella, <strong><em>ob. cit.</em></strong>, pp. 187-193). Na cerimónia de inauguração ficou um auto em pergaminho, encerrado num cofre, nos alicerces, e juntamente um bilhete-postal dirigido “aos vindouros”, redigido nestes termos: «Ó vós que encontrasteis o caminho já desbravado, se alguma coisa de bom fizesteis pela humanidade, nós vos saudamos&#8230;»</p>
<div id="attachment_4573" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/tocadelos2.jpg"><img class="size-full wp-image-4573" title="tocadelos2" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/tocadelos2.jpg" alt="" width="350" height="263" /></a><p class="wp-caption-text">O inacabado “Sanatório-Albergaria” em Tocadelos, Loures</p></div>
<p><strong><em>O inacabado “Sanatório-Albergaria” em Tocadelos, Loures</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Semelhante à rapina sofrida pelo convento de N.ª S.ª dos Poderes, o mesmo aconteceu na igreja paroquial de Fanhões. Edificada em 1575 e restaurada em 1796, ela seria incendiada e rapinada (14.5.1915) pelos carbonários de Loures, tendo começado por delapidar o aparelho de azulejaria do século XVIII (in <strong><em>Aditamento n.º 3 </em></strong>de Pinharanda Gomes ao livro <strong><em>Admirável Igreja Matriz de Loures</em></strong>, de Joaquim José da Silva Mendes Leal).</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto ao etimólogo <strong>Fanhões</strong>, corruptela de <strong>Fanhais</strong>, não deixa de ser assaz interessante ao contexto geográfico e mítico em que se inscreve o Sanatório “Catedral”. Segundo o professor Batalha Gouveia (in <strong><em>O etimólogo Fanhais</em></strong>, Lisboa, 1983), esta palavra procedente do baixo-latim <strong>fanalis</strong> é uma importação do grego <strong>phanós</strong>, significativo de “tocha”, “facho” ou “lanterna”. Ora o <strong>phanós</strong> helénico tem por matriz a voz egeia <strong>wanu</strong>, literalmente significativa de “filha” (<strong>W</strong>) do “céu” (<strong>Anu</strong>). O hierónimo <strong>Wanu</strong> foi adoptado pelos latinos para denominarem aquele luminoso planeta que, tal como um facho, anuncia o aparecimento do Sol. Trata-se de <strong>Uénos</strong> – posteriormente prosodiado <strong>Vénus</strong> – ou a <strong><em>Stella Maris</em></strong> que mesmo antes da lenda bíblica assumida pelo Carmelo já era a estrela guia dos antigos navegadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Acrescento, ainda, que a par da Virgem Mãe é Orago de Fanhões <strong>São Saturnino</strong>. No Santoral cristão considera-se este personagem patrono de ascetas, anacoretas e eremitas, com isso associando-o à ideia clausural havida nas Clarissas de Via Longa, sob o patronímico de Nossa Senhora dos Poderes, cujo “segundo tomo” gorado se terá pretendido fazer aqui em Tocadelos, e gorado, estou em crer, por um dos homens mais ricos de Portugal na época, Carvalho Monteiro, mostrar ampla e aberta antipatia político-religiosa para com o ideal republicano e laico, por sua afiliação monárquica e católica de todos conhecida. Mesmo assim, não fechando os ouvidos, o coração e a bolsa ao sofrimento de seu próximo, não deixou de contribuir avultadamente para a construção dum novo sanatório próximo deste monumento inacabado&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Neste lugar saloio muito se louva a <strong>Estrela-do-Mar</strong>, e tanto assim é que uma loa devota, cantada pelos romeiros da Confraria do Cabo, <strong><em>Na Ocasião de ser transportada a Milagrosa Imagem de Nossa Senhora do Cabo Espichel da Parochial de São Pedro de Louza para a Freguesia de Santo Antão do Tojal</em></strong> (impressa na Imprensa Nacional, Lisboa, sem autor e sem data mas que presumo ser 1852), assim se dirige à sempieterna <strong><em>Stella Maris</em></strong>:</p>
<p><em>Immaculada Senhora,</em></p>
<p><em>Virgem sacrosancta e bella,</em></p>
<p><em>Vara de Jessé florida,</em></p>
<p><em>Do mar luminosa estrella.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Com que prazer vosso povo</em></p>
<p><em>Vem receber neste dia</em></p>
<p><em>A vossa Imagem Sagrada</em></p>
<p><em>Sancta, divinal MARIA!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Vitor Manuel Adrião</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Círio dos Saloios nas Memórias de Odivelas</title>
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		<pubDate>Sun, 16 May 2010 10:53:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Regional]]></category>
		<category><![CDATA[Círio dos Saloios]]></category>
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A freguesia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas estava colocada em 22.º lugar, quando se organizou o giro com 30 freguesias.
Tendo saído as freguesias de S. Silvestre de Unhos, N.ª S.ª da Purificação de Bucelas, S. Lourenço de Arranhó e Santo André de Mafra e posicionando-se as três primeiras antes de Odivelas, passou esta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cirio.jpg"></a><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cirio.jpg"></a><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cirio.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4599" title="cirio" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/cirio.jpg" alt="" width="188" height="154" /></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 121px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-full wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg" alt="" width="111" height="92" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;">A freguesia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas estava colocada em 22.º lugar, quando se organizou o giro com 30 freguesias.</p>
<p style="text-align: justify;">Tendo saído as freguesias de S. Silvestre de Unhos, N.ª S.ª da Purificação de Bucelas, S. Lourenço de Arranhó e Santo André de Mafra e posicionando-se as três primeiras antes de Odivelas, passou esta a ocupar o 19.º lugar, que mantém até hoje.</p>
<div id="attachment_4601" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/inscricao-romanica.jpg"><img class="size-full wp-image-4601     " title="inscricao-romanica" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/inscricao-romanica.jpg" alt="" width="150" height="218" /></a><p class="wp-caption-text">Lápide tumular </p></div>
<p style="text-align: justify;">Quero deixar aqui algumas referências históricas sobre esta freguesia, possivelmente fundada logo a seguir à conquista de Lisboa, como sugere uma lápide tumular existente no Museu do Carmo e encontrada em Odivelas pelo arquitecto Possidónio da Silva e dali transportada para o referido museu, na qual pode ler-se:</p>
<p><em><strong>“ João Ramires</strong></em></p>
<p><em><strong>   Primeiro Prelado desta Igreja</strong></em></p>
<p><em><strong>   Morreu a 13 de Fevereiro de 1183”.</strong></em></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<div id="attachment_379" class="wp-caption alignleft" style="width: 278px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/mosteiro2.jpg"><img class="size-full wp-image-379" title="mosteiro2" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/mosteiro2.jpg" alt="" width="268" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Mosteiro de S. Dinis</p></div>
<p style="text-align: justify;">Aqui mandou construir El-Rei D. Dinis um Mosteiro Cisterciense, na sua quinta de Vale de Flores, onde havia um paço real. Odivelas distava então, légua e meia de Lisboa.</p>
<p>Era um local muito frequentada pela corte, passando daqui ao paço real de Frielas donde seguia de barco, Tejo acima, até Santarém.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Igreja deste mosteiro de Odivelas, repousa no seu túmulo, o rei D. Dinis, o primeiro que apresenta uma estátua jacente e o primeiro a ser depositado dentro dum espaço sagrado.</p>
<p style="text-align: justify;">No Paço real de Vale de Flores, a Rainha D. Filipa de Lencastre entregou aos três filhos mais velhos, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, as espadas que para eles encomendara e nestes paços faleceu, passados alguns dias.</p>
<p style="text-align: justify;">No mesmo templo cisterciense, a Ordem Militar de Cristo realizou um velório ao defunto Rei D. João I, presidido durante uma noite pelo Infante D. Henrique.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/auto-cananeia.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4602" title="auto-cananeia" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/auto-cananeia.jpg" alt="" width="193" height="284" /></a>Aqui representou Gil Vicente o auto da Cananeia, em 1534. Aqui diz Almeida Garrett ter conversado com João Mínimo o qual, garante, lhe confiou a Lírica que veio a publicar com este nome.</p>
<p style="text-align: justify;">Estas são algumas das memórias que Odivelas guarda como pergaminhos seus, mas as memórias mais queridas e conhecidos do povo, referem-se ao Círio de Nossa Senhora do Cabo.</p>
<p>A Freguesia do Santíssimo nome de Jesus recebe a imagem Peregrina da freguesia da Ascensão e Ressurreição de Cascais e entrega-a a S. Martinho de Sintra.</p>
<p>Ao cumprimento desta tradição, faltou apenas um vez, em 1978.</p>
<p style="text-align: justify;"> Não vou aqui tecer considerações sobre esta falta da freguesia, até porque as informações de que disponho não são seguras.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero antes destacar o empenhamento, ao longo dos séculos, na organização do Círio.</p>
<p>As memórias de Odivelas registam, quanto à organização dos círios, factos que a honram.</p>
<p style="text-align: justify;">No ano de 1849, a freguesia da Ascensão e Ressurreição de Cascais não reuniu condições para receber N.ª S.ª do Cabo e Odivelas decidiu avançar, antecipando assim as festas que realizaria um ano mais tarde. A corte ajudou, entregando à comissão a importância de 25 mil réis.</p>
<p>Nas loas ecoam os sentimentos dos devotos, quando foram buscar a imagem:</p>
<p>“A Virgem Santa Maria</p>
<p>A Mãe das virtudes belas</p>
<p>Vêm buscar os seus devotos</p>
<p>Da freguesia de Odivelas.</p>
<p>Herdaram de seus maiores</p>
<p>Esta pia devoção</p>
<p>E com eles vão dar-lhes</p>
<p>Seus cultos, veneração.</p>
<p>Se a freguesia de Cascais</p>
<p>Não a pode receber</p>
<p>A paróquia de Odivelas</p>
<p>Veio a falta preencher</p>
<p>Vós sois Mãe de puro amor</p>
<p>Sois Mãe de santa esperança,</p>
<p>A paróquia de Cascais não afasteis da lembrança</p>
<p>E depois do pedido de protecção para a paróquia em dificuldades, veio a expressão de gratidão à Rainha que tinha contribuído com uma valiosa ajuda:</p>
<p>Abençoai Santa Virgem,</p>
<p>De Portugal a Rainha;</p>
<p>Afugentai do seu sólio</p>
<p> A sorte má e mesquinha.</p>
<p>Por um registo do ano de 1875 podemos ver quanto esforço se fez, pela grandiosidade com que ia o cortejo:</p>
<p>“O círio que seguiu até Odivelas, ia ordenado deste modo:</p>
<p style="text-align: justify;">Uma carroça da Casa real com foguetes, um carro armado em forma de coreto, conduzindo uma filarmónica, 40 festeiros montados em bons e bem ajaezados cavalos, um carro puxado por três juntas de bois, conduzindo outra música, um carro puxado por uma junta de bois, conduzindo três anjos, o juiz e dois festeiros, berlinda da Casa Real com o pároco de Odivelas, 50 trens conduzindo as principais pessoas da freguesia que festeja. O círio atravessa três freguesias: Belém, Benfica e Odivelas.. Nesta última, estavam preparados grandes festejos, que hão-de prolongar-se durante a estadia da Senhora naquele sítio. Houve bodo, arraial, fogo de artifício, etc.”.</p>
<p>Pela descrição poderemos imaginar a beleza desta tradicional festa, na qual toda a população se empenhava.</p>
<p>O acto de maior relevo para Odivelas, foi ter retomado a tradição, depois de um interregno de 15 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1910 foi assaltada a igreja de Alcabideche onde se encontrava a imagem peregrina, que sofreu vários danos. Este acto de selvajaria e ignorância fez parar a tradição e tê-la-ia feito desaparecer se nenhuma das povoações do giro tivesse recomeçado o círio. Coube essa honra a Odivelas, que reclamou a imagem para continuar as suas peregrinações. Em 1926, a freguesia do Santíssimo Nome de Jesus devolveu ao povo saloio da margem norte do Tejo, “O Círio dos saloios a N.ª S.ª do Cabo Espichel”, que não foi interrompido até hoje, o que me parece pouco provável que volte a acontecer, dada a consciencialização dos povos no que se refere ao seu património cultural.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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		<title>Odivelas – Os Templários no Termo  [Vídeo]</title>
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		<pubDate>Tue, 11 May 2010 16:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Odivelas.com</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<category><![CDATA[Regional]]></category>
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		<description><![CDATA[Acompanhámos o Dr. Vitor Manuel Adrião ao longo de um trajecto que passou por Odivelas, S. Lourenço de Carnide, Lumiar e Loures.
Em todos estes lugares são abundantes os vestígios dos Templários.
No “Odivelas.com” já havíamos publicado um Vídeo, alguns anos atrás, com abundante informação sobre a presença dos Templários no Termo, nomeadamente em Loures e Odivelas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/Templarios-no-Termo.jpg"></a>Acompanhámos o Dr. Vitor Manuel Adrião ao longo de um trajecto que passou por Odivelas, S. Lourenço de Carnide, Lumiar e Loures.</p>
<p style="text-align: justify;">Em todos estes lugares são abundantes os vestígios dos Templários.<br />
No “Odivelas.com” já havíamos publicado um Vídeo, alguns anos atrás, com abundante informação sobre a presença dos Templários no Termo, nomeadamente em Loures e Odivelas. A partir de hoje fica disponível para todos os nossos espectadores mais um filme com alguns apontamentos inéditos que fica anexo a este texto.</p>
<p style="text-align: justify;">O Dr. Vitor Manuel Adrião é colaborador de longa data do “Odivelas.com” e de futuro iremos continuar a publicar outras colaborações.</p>
<p>António Tavares<br />
Maio/2010</p>
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		<title>Rilhafoles e o Casal Novo</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 08:51:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Máxima Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Rilhafoles]]></category>

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		<description><![CDATA[Ultimamente tem-se afirmado,  que o convento de Rilhafoles ficava no Casal Novo. Desconheço a fonte desta afirmação, mas admito que pode resultar  de um artigo sobre o Casal Novo, escrito pelo Padre João Baptista Pereira.
Fazendo o historial dos proprietários do referido Casal, a dado passo, diz assim o Padre João Baptista Pereira:
“Após o ano de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4361" class="wp-caption alignleft" style="width: 304px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/rilhafoles.jpg"><img class="size-full wp-image-4361" title="rilhafoles" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/rilhafoles.jpg" alt="" width="294" height="221" /></a><p class="wp-caption-text">Pavilhão de segurança Hospital de Rilhafoles</p></div>
<p style="text-align: justify;">Ultimamente tem-se afirmado,  que o convento de Rilhafoles ficava no Casal Novo. Desconheço a fonte desta afirmação, mas admito que pode resultar  de um artigo sobre o Casal Novo, escrito pelo Padre João Baptista Pereira.</p>
<p>Fazendo o historial dos proprietários do referido Casal, a dado passo, diz assim o Padre João Baptista Pereira:</p>
<p style="text-align: justify;">“Após o ano de 1757 não pude descobrir quais fossem os donos desta propriedade; apenas, pela tradição e escassas referências nos livros de registo, consta que foram seus penúltimos possuidores os religiosos da Congregação da Missão, com sede no convento de Rilhafoles, que o adquiriram, como tantas outras ordens religiosas da capital faziam, para nele veranearem, e, principalmente, convalescerem de alguma mais grave enfermidade&#8230;..”</p>
<p style="text-align: justify;">Daqui não se pode concluir que era no Casal Novo, o convento de Rilhafoles. O que o autor nos diz é que, os religiosos que adquiriram o Casal Novo, tinham a sua sede no convento de Rilhafoles.</p>
<p>Este convento foi nacionalizado em 1834, quando o Estado liberal nacionalizou os bens das Ordens Religiosas. Nele foi instalado, mais tarde, o conhecido hospital de Rilhafoles, destinado a doentes mentais. Mas, como “o mundo é feito de mudança”,</p>
<p>com a implantação da República, o hospital de Rilhafoles mudou de nome e passou a chamar-se hospital Miguel Bombarda. É o nosso, tão conhecido, hospital com este nome. E nunca foi no Casal Novo. Foi sempre, onde ainda é na presente data, na zona do Campo de Santana.</p>
<div id="attachment_4362" class="wp-caption alignleft" style="width: 164px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/miguel-bombarda.jpg"><img class="size-full wp-image-4362" title="miguel-bombarda" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/miguel-bombarda.jpg" alt="" width="154" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Dr. Miguel Bombarda</p></div>
<p>O famoso médico Miguel Bombarda, foi director deste hospital, e a República quis homenageá-lo, dando o seu nome à instituição que dirigiu e serviu com grande competência e dedicação. Tinha sido empossado nesse cargo, em 1892.</p>
<p>Haverá ainda outra razão para este hospital psiquiátrico ter o seu nome – é que</p>
<p style="text-align: justify;">Miguel Bombarda foi assassinado, no seu posto de trabalho, por um seu doente, dado como curado, o tenente do Estado Maior, Aparício Rebelo Santos, no dia 3 de Outubro de 1910. Este oficial, que já se encontrava ao serviço depois da doença, apresentou-se no hospital pelas 11 horas e pediu para falar com o Director, que aceitou recebê-lo de imediato. Mal entrou no gabinete e o médico se lhe dirigiu, disparou sobre ele vários tiros de pistola, atingindo-o mortalmente com 4 balas.</p>
<p>Ao meio dia já os placards dos jornais espalhavam a notícia por Lisboa.</p>
<p style="text-align: justify;">A sua morte causou uma grande consternação entre os populares, não só pela estima que o povo de Lisboa tinha por um dos médicos mais prestigiados e queridos da capital, mas também nas hostes republicanas, por ser ele o responsável pelo organização dos revolucionários civis, que iam tomar parte na revolução marcada para o dia 4 e que, por equívoco de última hora, só veio a eclodir no dia 5. Dispenso-me de contar novamente que equívoco foi esse, para não maçar os leitores, porque relatei esse facto, num artigo publicado no dia 5 /10, pela imprensa regional.</p>
<p>Esta é que,  tanto quanto sei, é a verdade. A História constroi-se com relatos dos factos, desde que não estejam deturpados. E é preciso saber ler! É que  a nossa imaginação só dá para contar “estórias”, não para fazer história. A História tem sempre fontes. Há quem parta do princípio que todos os documentos são fontes. Mas o problema é que nem todos os documentos são credíveis, porque sempre houve quem gostasse de contar “estórias”.  </p>
<p>Maria Máxima Vaz</p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
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