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	<title>Odivelas.com - OdivelasTV &#187; Odivelas</title>
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	<description>Odivelas Portal de Noticias e TV</description>
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		<title>Odivelas – Os Templários no Termo  [Vídeo]</title>
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		<pubDate>Tue, 11 May 2010 16:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Odivelas.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Odivelas]]></category>
		<category><![CDATA[Regional]]></category>
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		<category><![CDATA[Templarios]]></category>

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		<description><![CDATA[Acompanhámos o Dr. Vitor Manuel Adrião ao longo de um trajecto que passou por Odivelas, S. Lourenço de Carnide, Lumiar e Loures.
Em todos estes lugares são abundantes os vestígios dos Templários.
No “Odivelas.com” já havíamos publicado um Vídeo, alguns anos atrás, com abundante informação sobre a presença dos Templários no Termo, nomeadamente em Loures e Odivelas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/Templarios-no-Termo.jpg"></a>Acompanhámos o Dr. Vitor Manuel Adrião ao longo de um trajecto que passou por Odivelas, S. Lourenço de Carnide, Lumiar e Loures.</p>
<p style="text-align: justify;">Em todos estes lugares são abundantes os vestígios dos Templários.<br />
No “Odivelas.com” já havíamos publicado um Vídeo, alguns anos atrás, com abundante informação sobre a presença dos Templários no Termo, nomeadamente em Loures e Odivelas. A partir de hoje fica disponível para todos os nossos espectadores mais um filme com alguns apontamentos inéditos que fica anexo a este texto.</p>
<p style="text-align: justify;">O Dr. Vitor Manuel Adrião é colaborador de longa data do “Odivelas.com” e de futuro iremos continuar a publicar outras colaborações.</p>
<p>António Tavares<br />
Maio/2010</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quinta do Espanhol e Quinta do Espirito Santo:As Duas Quintas</title>
		<link>http://odivelas.com/2010/03/26/quinta-do-espanhol-e-quinta-do-espirito-santoas-duas-quintas/</link>
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		<pubDate>Fri, 26 Mar 2010 18:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Odivelas.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Odivelas]]></category>
		<category><![CDATA[Topo]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Qta do Espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[Qta Espirito Santo]]></category>

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		<description><![CDATA[António Maria Bravo
António Maria Bravo era filho de um cidadão de nacionalidade espanhola, natural de Sevilha e cujo nome era também António Maria Bravo. Foi António Maria Bravo, sénior, que em 1849 comprou uma quinta em Odivelas, que passou a ser designada pelo povo e passou à tradição, com o nome de Quinta do Espanhol, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3341" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/mapa-qt-espanhol-qt-espsanto-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-3341" title="mapa-qt-espanhol-qt-espsanto-1" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/mapa-qt-espanhol-qt-espsanto-1-300x241.jpg" alt="" width="300" height="241" /></a><p class="wp-caption-text">Localização - Qtª do Espirito Santo e Qtª do Espanhol (clique para zoom)</p></div>
<p><strong><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/mapa-qt-espanhol-qt-espsanto2.jpg"></a>António Maria Bravo</strong></p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">António Maria Bravo era filho de um cidadão de nacionalidade espanhola, natural de Sevilha e cujo nome era também António Maria Bravo. Foi António Maria Bravo, sénior, que em 1849 comprou uma quinta em Odivelas, que passou a ser designada pelo povo e passou à tradição, com o nome de Quinta do Espanhol, precisamente por ser dono dela um espanhol, segundo me afirmou o seu descendente, Dr. João Maria Bravo, felizmente ainda vivo e residente na quinta do Barruncho. Como confrontava com outra quinta, a quinta do Espírito Santo, nome que se estendeu ao local, a família, que não lhe chamava quinta do espanhol, como será de supor, quando se referia à sua quinta, dizia quinta do Espírito Santo, considerando o local e não a propriedade. Como se pode verificar nos mapas da época, eram duas quintas distintas.</div>
<div id="attachment_3345" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/qta-espirito-santo1.jpg"><img class="size-medium wp-image-3345" title="qta-espirito-santo1" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/qta-espirito-santo1-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" /></a><p class="wp-caption-text">Quinta do Espírito Santo</p></div>
<p style="text-align: justify;">A quinta do Espanhol tinha uma bela casa de habitação, onde até há poucos anos esteve instalado o lar das antigas alunas do Instituto de Odivelas. Este edifício foi declarado de interesse municipal e adquirido, recentemente, pela Câmara.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro proprietário e o seu descendente usaram-na como casa de férias e estadia periódica, pois por razões de negócios, tinham residência fixa em Lisboa.</p>
<p>O primeiro dono, desta família “Bravo”, aqui faleceu em 1858.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu filho, António Maria Bravo foi um benemérito de Odivelas, pela sua acção no campo da instrução e cultura.</p>
<div id="attachment_3343" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quinta-espanhol1.jpg"><img class="size-medium wp-image-3343" title="quinta-espanhol1" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quinta-espanhol1-300x208.jpg" alt="" width="300" height="208" /></a><p class="wp-caption-text">Quinta do Espanhol</p></div>
<p style="text-align: justify;">Na sua casa da quinta mandou instalar uma escola primária que era por ele inteiramente mantida.</p>
<p> Tomou a seu cargo custear tudo o que era necessário nas aulas, material didáctico, material escolar e até alguns alimentos às crianças.</p>
<p style="text-align: justify;"> Em 1863 fundou a Sociedade Musical Odivelense, única instituição que em Odivelas, durante muitos anos, desenvolveu actividades culturais. Ele foi o sócio n.º1 e os seus dois filhos, os sócios n.º2 e n.º3. Sendo uma sociedade musical, não podia deixar de ter uma banda. Nos livros de contas do Sr. António Maria Bravo encontra-se registado um empréstimo em dinheiro, feito à S.M.O, para comprar os instrumentos para a banda, no mês de Agosto de 1863. Vendo as dificuldades que a Sociedade tinha em satisfazer a dívida, António Maria Bravo decidiu fazer do empréstimo uma dádiva. Sabendo-se os elevados custos de cada instrumento, poderemos calcular a importância de tão generosa oferta.</p>
<p style="text-align: justify;"> A abertura de uma escola e a fundação da Sociedade são duas obras de grande importância pelos serviços que prestaram à população de Odivelas e merecem o nosso maior reconhecimento e gratidão.<br />
                                                                                                          </p>
<p> <strong>João Maria Bravo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Sr. Dr. João Maria Bravo, residente e proprietário da Quinta do Barruncho, é bisneto de António Maria Bravo, júnior. Manteve sempre elos de ligação com a Sociedade Musical no campo da cultura. Desejando dotar a Sociedade de uma biblioteca, instou junto da direcção para que esse objectivo se concretizasse e ofereceu, com esse fim, os primeiros 100 livros. Graças à sua dádiva, no dia 17 de Abril de 1975, foi inaugurada a Biblioteca António Maria Bravo, nas instalações da colectividade. Enquanto a saúde lho permitiu, manteve contacto com a Sociedade, estimulando sempre a direcção a manter, desenvolver e alargar as actividades culturais.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><br />
<a onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelastv.pt" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-3602" title="banner-interseccoes-artigo" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/banner-interseccoes-artigo.jpg" alt="" width="612" height="110" /></a><a onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelastv.pt" target="_blank"></a></em></p>
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		<title>Marmelada Branca de Odivelas</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 16:49:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Odivelas.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Odivelas]]></category>

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		<description><![CDATA[
A marmelada é um doce confeccionado em todo o país.
A marmelada branca é um doce exclusivo de Odivelas, tendo sido confeccionado no mosteiro das Bernardas, que sempre guardaram o segredo que lhes permitia obter um doce de cor muito clara, próximo do branco, mas não exactamente branca.
A marmelada branca era oferecida aos convidados e visitadores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3295" class="wp-caption alignleft" style="width: 342px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/marmelada-receita.jpg"><img class="size-full wp-image-3295 " title="marmelada-receita" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/marmelada-receita.jpg" alt="" width="332" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">receita da marmelada de odivelas manuscrita</p></div>
<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/marmelada-receita.jpg"></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Máxima Vaz</p></div>
<p>A marmelada é um doce confeccionado em todo o país.</p>
<p style="text-align: justify;">A marmelada branca é um doce exclusivo de Odivelas, tendo sido confeccionado no mosteiro das Bernardas, que sempre guardaram o segredo que lhes permitia obter um doce de cor muito clara, próximo do branco, mas não exactamente branca.</p>
<p style="text-align: justify;">A marmelada branca era oferecida aos convidados e visitadores desta comunidade nos dias festivos, sobretudo nos outeiros organizados pelas freiras e aos quais acorriam os cortesãos e poetas.</p>
<p>Nestas ocasiões a marmelada oferecida tinha a forma de quadradinhos e pegava-se nela à mão como qualquer bolo seco.</p>
<p style="text-align: justify;">O segredo só foi desvendado depois da morte da última freira, em finais do século XIX, quando faleceu a última freira, porque ela deixou um caderno de receitas escrito pela sua mão a uma sua afilhada, onde além de muitos outros doces deste mosteiro estava escrita a receita da marmelada branca.</p>
<p style="text-align: justify;">É um documento que garante a autenticidade da marmelada branca. Todas as variantes, mesmo com poucas alterações, são aproximações&#8230; Apareceram algumas pessoas que afirmam fazerem esta marmelada e estão sinceramente convencidas disso, mas se cotejarmos as receitas verificamos que há diferenças, às vezes ligeiras, mas que são suficientes para serem apenas imitações, embora seja também de boa qualidade e até muito parecida.</p>
<p>Que é um doce com origem no mosteiro de Odivelas e que apenas esta marmelada era famosa, basta citarmos alguns autores que referindo-se aos doces de vários conventos, só mencionam a marmelada quando falam das bernardas de Odivelas.</p>
<p>Em abono do que afirmo, aconselho a consulta das seguintes obras, de que vou fazer transcrições:</p>
<p>1 . – As minhas queridas freirinhas de Odivelas; autor – Manuel Bernardes Branco (pags 15 a 21); “E era então que as freiras mostravam até à evidência&#8230;..quão peritas eram na arte de fazer doces, na qual não tinham rivais na composição dos famosíssimos e dulcíssimos:</p>
<p>Manjar real, manjar branco, suspiros, <em><span style="text-decoration: underline;">marmelada,</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> </span></em>esquecidos, bolo podre.”  <em> </em></p>
<p>2 . – O Mosteiro de Odivelas, casos de Reis e memórias de Freiras; autor – A. C. Borges de Figueiredo (pags 45): “Nesta cozinha, ampla e bem disposta, variadas doçarias se manipulavam: a famosa marmelada, os apreciados fartens, os saborosos esquecidos&#8230;.os elevados penhascos, o celebrado tabefe&#8230;..”</p>
<p>3 . – Depois do Terramoto, subsídios para a História dos Bairros ocidentais de Lisboa, volume III, (pags 425 a 427): “Mas a todas levavam as lampas as bernardas ricas de Odivelas. As galantes e aristocráticas freirinhas&#8230;.foram inatingidas no fabrico da marmelada – a sua coroa de glória&#8230;..”</p>
<p>4 . – O livro das receitas da última Freira de Odivelas, com actualização e notas de Maria Isabel de Vasconcelos Cabral (receita n.º 14).</p>
<p>Este livro é a transposição para português actual, das receitas manuscritas pela freira.</p>
<p>Vou transcrever a receita, tal como está manuscrita pela última freira, no seu caderno: “Marmelada branca</p>
<p>Vão-se esbrugando os marmelos e deitando-os em água fria. Põe-se a ferver em lume brando, estando bem cozidos se passam por peneira. Para 1kg de massa 2kg de açúcar em ponto alto de sorte que deitando uma pinga n´agua coalhe; tira-se o tacho do lume e se lhe deita a massa muito bem desfeita com a colher, torna ao lume até levantar empolas. Tira-se para fora e se bate até esfriar, para se pôr em pratos a secar.”</p>
<p>Esta é que é a receita das freiras.</p>
<p>Chamo à atenção para não ser totalmente exacta a transcrição que vem no livro editado pela Verbo.</p>
<p>Enquanto que a freira diz que era deitada em pratos, a pessoa que transcreveu diz que se deita em taças, mas não é a palavra taças que vem na receita.</p>
<p>Este pormenor revela um certo desconhecimento em relação à forma que a marmelada ia ter para ser oferecida aos convidados. O prato permitia que depois de seca fosse partida em quadrados que seguidamente se iam virando para secar em todas as faces de forma a ser pegada à mão como os bolos. Se fosse deitada em taças isso não seria fácil.</p>
<p>A marmelada branca não era para barrar pão, mas para se comer como um bolo.</p>
<p>O segredo é este – escolhiam-se marmelos ainda com a cor verde, descascavam-se e iam-se logo metendo em água fria para não escurecerem.</p>
<p>O peso do açúcar era o dobro do peso da massa de marmelo. (ver a receita manuscrita).</p>
<p>Só assim a marmelada ficava com uma cor muito clara.</p>
<p>Duas razões para a marmelada branca ser exclusiva de Odivelas:</p>
<p>1.º a receita manuscrita pela freira é prova mais que suficiente;</p>
<p>2.º ser referida pelos escritores (que falam de doces conventuais), apenas em Odivelas.</p>
<p>Lamento decepcionar aqueles que fazem reportar a marmelada aos tempos do rei D. Dinis. Nesse tempo ainda não se fazia marmelada, nem sobremesas doces.</p>
<p> O açúcar era um produto muito caro e raro, considerado uma iguaria e até medicamento, sendo o seu uso muito restrito. Figurava em testamentos de reis e de altos dignitários, como dádiva de valor.</p>
<p>Pensa-se que a cana de açúcar seja originária da Índia e até ao século XIII foi pouco divulgada na Europa. A difusão deste produto exótico deve-se aos árabes. Na Idade Média, o preço e a quantidade em circulação, fizeram dele um privilégio de ricos. Foram os portugueses que “democratizaram” o seu uso, quando se passou a produzir em grandes quantidades no Brasil, de 1530 a 1640, aumentando sempre a produção daí em diante. O cultivo que antes se tinha feito no Algarve, Madeira e Açores, não foi suficiente para se tornar um produto de consumo corrente, acessível a todas as bolsas. Só os engenhos brasileiros produziram “para todos”.</p>
<p>Sendo a marmelada um produto “popular”, só pode aparecer depois de o açúcar também ser popular.</p>
<p>Admito que as freiras terão iniciado um processo de aperfeiçoamento que chegou a distingui-la da vulgar marmelada. Elevaram-na à categoria de ser digna de ir à mesa de reis e nobres, mas D. Dinis nunca comeu marmelada, nem mesmo a “marmelada branca”.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/banner-interseccoes-artigo.jpg"><img class="size-full wp-image-3602 alignnone" title="banner-interseccoes-artigo" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/banner-interseccoes-artigo.jpg" alt="" width="612" height="110" /></a><br />
</em></p>
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		<title>Doces lembranças do mosteiro de Odivelas</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 22:41:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Odivelas]]></category>

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		<description><![CDATA[Este era o título de uma pequena brochura, exposta com muitos outros livros de culinária tradicional portuguesa, numa iniciativa da Biblioteca Nacional, realizada no ano de 1986, em Lisboa.
Eu frequentava, na altura, diariamente, a B.N. e, ao percorrer a exposição, este título despertou-me interesse e curiosidade, ao mesmo tempo que sentia uma grande alegria, pois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/marmelada3.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2923" title="marmelada3" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/marmelada3.jpg" alt="" width="242" height="219" /></a>Este era o título de uma pequena brochura, exposta com muitos outros livros de culinária tradicional portuguesa, numa iniciativa da Biblioteca Nacional, realizada no ano de 1986, em Lisboa.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu frequentava, na altura, diariamente, a B.N. e, ao percorrer a exposição, este título despertou-me interesse e curiosidade, ao mesmo tempo que sentia uma grande alegria, pois pensava para comigo: que sorte, vou finalmente conhecer os doces que se faziam no mosteiro de Odivelas!</p>
<p style="text-align: justify;">Encerrada a exposição, requisitei o livro para a sala de leitura mas, contrariamente ao que eu esperava, não continha as receitas que eu tanto procurava.</p>
<div class="mceTemp">Refeita da decepção, iniciei uma leitura indagadora e vim a colher uma informação valiosa: o autor falava de um caderno de receitas escrito pelo punho da última freira de Odivelas e que estava na posse de uma senhora chamada Maria Helena dos Santos Abrantes, em casa de quem ele o tinha visto. Esta senhora tinha-o recebido de uma sua familiar, a quem a freira o tinha legado.</div>
<p style="text-align: justify;">De imediato iniciei uma pesquisa, inquirindo junto das pessoas mais idosas de Odivelas, se conheciam a referida senhora ou pelo menos alguma família com o mesmo apelido. Bati a muitas portas em Odivelas, sem obter qualquer informação. De Odivelas alarguei a pesquisa até Caneças e, com tanta sorte que à primeira pessoa a quem me dirigi, disse-me logo:</p>
<p>- Conheço essa senhora muito bem. É minha madrinha!</p>
<p style="text-align: justify;">A pessoa que me deu esta feliz resposta, ainda é viva e há-de ser por uns anos. É a senhora D. Maria Amélia Figueiredo Paisana, proprietária da quinta e da fonte de Castelo de Vide e que na altura era a presidente da Junta de Freguesia de Caneças.</p>
<p style="text-align: justify;">Disse-lhe a razão da minha pergunta e ela logo se ofereceu para ir falar com a senhora D. Maria Helena.</p>
<p style="text-align: justify;">Passados poucos dias telefonou-me para me dizer que o caderno já estava nas suas mãos e que eu podia tê-lo uns dias para consulta, o que veio a acontecer.</p>
<div id="attachment_3295" class="wp-caption alignleft" style="width: 209px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/marmelada-receita.jpg"><img class="size-medium wp-image-3295" title="marmelada-receita" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/marmelada-receita-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Receita manuscrita da Marmelada Branca de Odivelas</p></div>
<p style="text-align: justify;">Eram realmente as receitas manuscritas pela última freira, as genuínas, as autênticas! Os doces do nosso Mosteiro têm uma certificação autenticada pelo manuscrito, que é um documento. Tentei a transcrição e verifiquei que havia obstáculos – muitas abreviaturas, pesos e medidas anteriores ao sistema métrico decimal.</p>
<p style="text-align: justify;">Telefonicamente, sugeri à depositária das receitas a sua publicação, ideia que foi pronta e asperamente recusada, apesar de a Câmara de Loures já ter afirmado que assumiria os custos da edição.</p>
<p style="text-align: justify;">Perante tão irredutível atitude, argumentei o melhor que pude e soube, dizendo que aquele manuscrito era um documento; o papel que o suportava poderia ser sua propriedade, mas o conteúdo não era propriedade sua nem de ninguém – era património cultural de todos nós. Fiz-lhe ver que o suporte físico era muito frágil – um fósforo, uma vela, um copo de água, poderiam destruí-lo, o que seria uma perda que ela deveria evitar, entregando-o num arquivo que o soubesse tratar e guardar. Por mim fiz o que estava ao meu alcance. Era útil a existência de vários exemplares, em locais diversos. Se um viesse a desaparecer, teríamos outros&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Defender a sua existência foi para mim um dever e decidi fotocopiá-lo, sem autorização, para que não me fosse recusada. O meu objectivo justificou a minha decisão – garantir a sua preservação.</p>
<p style="text-align: justify;">Entreguei um exemplar à senhora que na altura exercia, no Instituto de Odivelas, o cargo de Regente, outro nos serviços culturais da Câmara de Loures, um terceiro na junta de Freguesia de Odivelas, o quarto na Junta de Freguesia de Caneças e o quinto está na minha posse.</p>
<p style="text-align: justify;">Com mais garantias de não se perder este património, tinha uma ténue esperança que as minhas palavras produzissem efeito no espírito da proprietária do caderninho, mas, com o tempo, essa esperança foi-se desvanecendo. Mas, uma surpresa me aguardava. Com grande satisfação, vi aparecer nas montras das livrarias, “O Livro das receitas da última freira de Odivelas”! Felizmente, a detentora do manuscrito tinha decidido a sua publicação. Estávamos no ano 2 000. Mais vale tarde que nunca!</p>
<p>As receitas estavam salvas e ao dispor de quem as pudesse e quisesse adquirir.</p>
<p>Considero este livro uma valiosa peça do património de Odivelas. Não sei se outros doces, ditos conventuais, poderão comprovar, com tanta certeza, a sua autenticidade.</p>
<p style="text-align: justify;"> Doces ditos conventuais, há muitos. Ficaram famosos os pastelinhos de manjar branco de Chelas, os bolos secos do convento das grilas ao Beato, os pastelinhos de Marvila, as raivas e ferraduras de Sant´Ana, a água de cisterna e caramelos das Mónicas, os bolos folhados de Carnide, os rebuçados das flamengas, também chamados bolas d´ovos, os queijinhos e broinhas das bernardas da Esperança, o arroz doce das Albertas. Isto só em Lisboa!</p>
<p style="text-align: justify;">Havia ainda especialidades famosas de conventos espalhados pelo país. De referir, por excelentes, as morcelas doces de Arouca e os beijinhos de Lagoa. Mas “ a todas levavam as lampas, as bernardas ricas de Odivelas”, diz-nos Gustavo de Matos Sequeira, acrescentando ainda que, “as galantes e aristocráticas freirinhas foram inatingidas no fabrico da marmelada – a sua coroa de glória.”</p>
<p style="text-align: justify;">Não só a marmelada ficou famosa. Famosos foram também os tabefes, penhascos, esquecidos e suspiros. Eram peritas na confecção do manjar real, manjar branco e bolo podre.</p>
<p style="text-align: justify;">As freiras de Odivelas, em doçaria, não tinham rivais, ou não fosse este o mosteiro feminino mais rico de Portugal. Que o digam os cortesãos e poetas, que ao largo do couto acorriam nos dias de Abadessado. É ainda Gustavo de Matos Sequeira que nos garante – “Os outeiros de Odivelas eram de todos os mais concorridos. Em nenhum outro mosteiro as recompensas aos vates eram mais generosas. A cada mote glosado despejava-se uma catadupa de bolos, a cada rima feliz, um dilúvio de rebuçados. E de vez em quando lá vinha, à mistura, um bilhete perfumado, cheio de promessas ainda mais doces do que a própria marmelada.”.</p>
<p>O último outeiro de Odivelas realizou-se em 1852.</p>
<p>Na noite de S. João de 1827, aqui poetou o romântico Garrett.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi nessa noite que, segundo afirma, conheceu aqui o João Mínimo, o da sua Lírica, quando respeitosamente se acercava do túmulo do Rei poeta, desse túmulo ameaçado de destruição, o que não permitiremos que aconteça,&#8230;ou permitiremos?!</p>
<p>Os odivelenses que me respondam!&#8230;.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor</em></p>
<p style="text-align: center;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/banner-interseccoes-artigo.jpg"><img class="size-full wp-image-3602 alignnone" title="banner-interseccoes-artigo" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/banner-interseccoes-artigo.jpg" alt="" width="612" height="110" /></a></p>
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		<title>A Quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo em Odivelas</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 20:27:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Odivelas]]></category>
		<category><![CDATA[Património]]></category>

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		<description><![CDATA[O primeiro proprietário, nosso conhecido, da Quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo, foi D. Gil Vaz Lobo, um dos conjurados que em 1640 restauraram a independência de Portugal e que lutaram pela sua conservação, durante os vinte e oito anos que durou a Guerra da Restauração. Toda a sua vida foi militar, tendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 119px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz-150x112.jpg" alt="" width="109" height="81" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Maria Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quintamontecampo1.jpg"><img class="size-full wp-image-2535 alignleft" title="quintamontecampo" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quintamontecampo1.jpg" alt="" width="294" height="221" /></a>O primeiro proprietário, nosso conhecido, da Quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo, foi D. Gil Vaz Lobo, um dos conjurados que em 1640 restauraram a independência de Portugal e que lutaram pela sua conservação, durante os vinte e oito anos que durou a Guerra da Restauração. Toda a sua vida foi militar, tendo uma brilhante carreira de armas, cujo último posto foi Governador de Armas da Província da Beira, o que o obrigou a fixar residência em Castelo Branco, onde veio a falecer no ano de 1678.</p>
<p>No testamento declarava herdeira universal sua irmã, D. Madalena da Silveira, e deixava uma importância em dinheiro para que mandasse construir uma capela dedicada a Nossa Senhora do Monte do Carmo, numa quinta que possuía em Odivelas, pedindo que os seus restos mortais fossem trasladados de Castelo Branco para essa capela, o que veio a cumprir-se passados dezassete anos.</p>
<p>Tinha uma outra irmã, D. Ana de Moura, freira cisterciense no mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo. Esta Senhora, e a sua rival , D. Feliciana de Milão, disputavam a atenção do rei D. Afonso VI, que vinha frequentemente fazer uns “arremedos” de touradas, no largo D. Dinis, certamente em companhia dos habituais vadios e rufias, seus “amigos fiéis”, que não perdiam a ocasião de mais um divertimento, interesse comum e único de suas vidas.</p>
<p>Não escondiam estas duas Senhoras as suas pretensões nem as suas rivalidades, considerando que a escolha e a preferência do rei lhes dava grande prestígio no seu meio.</p>
<p>Usaram a poesia como “arma de combate,” e os seus versos ficaram conhecidos, depois de passarem pelas festas palacianas daquele tempo, fazendo as delícias dos seus frequentadores.</p>
<p>Gil Vaz Lobo era solteiro, mas afirma-se que “D. Luísa Maria Simoa de Moura e Andrade, Abadessa no mosteiro de S. Dinis”, era sua filha. Como essa afirmação não indica a fonte onde obteve a informação e eu não a encontrei até hoje, conservo a  dúvida. Que houve em Odivelas uma freira com esse nome, é verdade. Se era filha de Gil Vaz Lobo, não posso afirmar. Quanto a ter sido abadessa, confirma-se nos livros do cartório do mosteiro, mas não desempenhou esse cargo vitaliciamente, como a afirmação parece admitir, porque a partir do século XVI, o cargo de Abadessa deixou de ser de nomeação vitalícia, passando a ser de eleição, com mandato de três anos. Findo o mandato, só passados seis anos poderia haver nova candidatura da mesma Senhora. Como ela viveu nos finais do século XVII e princípios do XVIII, exerceu o cargo nestas condições.</p>
<p>O testamento de Gil Vaz Lobo não lhe faz referência.</p>
<p>A sua irmã e herdeira era casada com Manuel de Miranda Henriques, Almirante das frotas do Brasil, e a quinta passou a ser conhecida como Quinta Nova do Miranda, apesar de, como fica demonstrado, a sua proveniência não ser dos Miranda Henriques, mas dos Freire de Andrade, à qual pertencia o seu proprietário.</p>
<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quintamontecampo11.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2536" title="quintamontecampo1" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quintamontecampo11.jpg" alt="" width="350" height="263" /></a>Depois de construída a capela, passaram a chamar-lhe Quinta de N.ª S.ª do Monte do Carmo.</p>
<p>O filho mais velho de D. Madalena da Silveira e de Manuel de Miranda Henriques, foi António de Miranda Henriques, herdeiro e  senhor de todos os bens e títulos de seu tio materno, mas também  herdeiro de alguns títulos e bens  da Família Miranda Henriques. Os símbolos heráldicos desta família, figuram na lápide tumular de Gil Vaz Lobo, (que podemos ver no edifício da Biblioteca D. Dinis) apesar de não pertencer a essa  Família. Possivelmente, a sua herdeira, responsável pela trasladação, quis associá-lo à Família de seu marido, que, nessa data, era o legítimo proprietário da quinta. Acrescentou, ainda, o apelido “Freire”, que sendo da Família, não constava do registo do seu nome.</p>
<p>Estas decisões trazem, posteriormente, grandes dificuldades aos investigadores e são origem de erros que conduzem, geralmente, a uma cadeia de erros.</p>
<p>Registe-se que na lápide estão presentes os símbolos de mais três ramos da aristocracia : os Freire de Andrade, os Lobo e os Pereira. Só encontrei ligações aos dois primeiros.</p>
<p>António de Miranda Henriques era o continuador, na linha masculina, como era legítimo e tradicional,  dos bens e títulos de duas famílias nobres, o que deu importância redobrada à propriedade da quinta.</p>
<p>Foi António de Miranda Henriques que mandou construir o palácio de Camaride na Calçada da Pena, em terrenos onde existiam casas nobres herdadas de sua mãe, palácio que passou a ser a residência, na capital, dos Miranda Henriques. É hoje a sede do INATEL, na Calçada de Santana.</p>
<p>Nesta casa nasceu o primogénito e herdeiro, José Joaquim de Miranda Henriques, em cujo nome se encontram registados, no livro das Décimas de 1763,  os seguintes bens, em Odivelas:</p>
<p>-        “a propriedade de José Joaquim de Miranda Henriques, que consta de casas Nobres e Quinta, que se compõem de vinhas e terras de pão, arrendado tudo em cento e vinte mil réis;</p>
<p>-        propriedade que consta de casas arruinadas e a quinta, que se compõem de pomar de espinho, arrendado tudo em sessenta e dois mil e quatrocentos réis;</p>
<p>-        no sítio da Ribeirada, propriedade que consta de um  casal com suas casas, arrendado em géneros, que pela redução importa vinte e sete mil e novecentos réis;</p>
<p>-        no sítio de Porto Pinheiro, propriedade que consta de terra, arrendada em dois mil réis;</p>
<p>-        propriedade que consta de azenhas de água e casas de acomodação; e a quinta se compõem de pomar de espinho e tudo arrendado em duzentos e cinquenta e três mil réis.”</p>
<p>Admito que todos estes bens tivessem pertencido à mesma herança, pois não me parece que o seu proprietário, senhor de avultados bens noutros pontos do país, os tivesse adquirido por compra.</p>
<p>À quarta geração ficou esta Família sem herdeiros directos, passando para uma linha colateral, que também se extinguiu, mas antes disso, veio a Quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo a ser vendida em hasta pública, por ter sido dada como penhor de uma dívida que não se pagou dentro dos prazos previstos. Foi nessa altura que o Senhor José Rodrigues Mendes a comprou, já em finais do século XIX, mais precisamente em 1879. Sendo os seus familiares os  últimos donos que habitaram, pelo menos periodicamente, esta Quinta, é deles que há memórias mais vivas e mais presentes, daí o chamarem ainda hoje quinta do Mendes a toda aquela zona que foi solo agrícola e onde hoje apenas existem prédios de habitação.</p>
<p>A Quinta da Memória e a Quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo foram propriedades da alta nobreza em Odivelas. As casas nobres destas duas quintas são hoje propriedade do Município de Odivelas, facto que lhe conserva o carácter de nobreza, pelos serviços que ali estão instalados.</p>
<p>Da mais nobre de todas as quintas, a Quinta de Vale de Flores, do Rei D. Dinis, conservamos  o Largo, que continua a ser a nossa sala de visitas, enquadrado pelo histórico edifício do Mosteiro Cisterciense.</p>
<p>E digam-me lá se existe na área metropolitana de Lisboa, alguma cidade que se possa gabar de coisa igual!</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.<br />
</em></p>
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		<title>A Quinta de Gil Vaz Lobo – A Quinta Nova do Miranda &#8211; A Quinta do Mendes</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 20:20:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[Três nomes  e uma só quinta. Aquela que todos nós designamos por Quinta do Mendes e onde hoje só existem prédios urbanos, teve, que nós saibamos, pelo menos estes três nomes.
Até 1678 foi seu dono D. Gil Vaz Lobo, filho de Gomes Freire de Andrade e de D. Luísa de Moura. Participou, com seu pai, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 131px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz-150x112.jpg" alt="" width="121" height="90" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Maria Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quinta_mendes.jpg"></a><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quinta_mendes.jpg"><img class="size-full wp-image-2528 alignleft" title="quinta_mendes" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quinta_mendes.jpg" alt="" width="350" height="253" /></a>Três nomes  e uma só quinta. Aquela que todos nós designamos por Quinta do Mendes e onde hoje só existem prédios urbanos, teve, que nós saibamos, pelo menos estes três nomes.</p>
<p style="text-align: justify;">Até 1678 foi seu dono D. Gil Vaz Lobo, filho de Gomes Freire de Andrade e de D. Luísa de Moura. Participou, com seu pai, na Revolução de 1640, tendo sido um dos que procuraram a Duquesa de Mântua para a expulsarem de Portugal. A sua carreira militar levou-o a todos os pontos onde a Guerra da Restauração precisou do seu valor, desde a Aclamação de D. João IV.</p>
<p>Não encontrei ainda a data do seu nascimento, mas os registos da sua carreira dizem-nos que em 5/12/1630 lhe foram concedidos 900 réis de moradia – mercê de moço Fidalgo;</p>
<p>-        Em 2/2/1641 recebeu a patente de Capitão de Infantaria, para servir com seu pai em Campo Maior;</p>
<p>-        Em 20/11/1645 passou a Capitão de Cavalaria, a prestar serviço no Alentejo;</p>
<p>-        A 8/3/1657 foi armado cavaleiro da Ordem de Cristo, pelo Conde de Vimioso, D. Miguel de Portugal, na igreja de N.ª S.ª da Conceição em Lisboa. Neste acto solene, foi seu Padrinho D. Diogo de Almeida;</p>
<p>-        Em 14/8/1659, foi-lhe dada em Lisboa, a Carta de Governador de Cavalaria da Corte e Comarcas do Ribatejo, com o título de Tenente General de Cavalaria da Beira;</p>
<p>-        Em 10/5/1669, foi nomeado Governador de Armas da Província da Beira, pelo Príncipe Regente D. Pedro,</p>
<p>(que veio a ser rei depois da morte de D. Afonso VI, seu irmão).</p>
<p>Este cargo retinha-o, a maior parte do tempo, em Castelo Branco, onde veio a falecer no ano de 1678. Quanto ao dia é que os documentos não são unânimes, apontando-se o dia 7/3, o dia 6/5 e ainda o dia 7/5.</p>
<p>E se os seus cargos militares são elevados e honrosos, os seus bens também são avultados.</p>
<p>A lápide tumular informa que era Alcaide de Vilar Maior, Senhor das vilas de Coriceiro e Carapito e Comendador da Comenda da vila de Puços.</p>
<p>Pelo seu testamento ficamos a saber que era dono de uma quinta em Odivelas. Deixou uma importância em dinheiro para que nessa quinta se construísse uma capela a N.ª S.ª do Monte do Carmo e que trasladassem para essa capela os seus restos mortais, pois até esse tempo ficaria sepultado na ermida de S. Gregório, em Castelo Branco.</p>
<p>Mais declarou no testamento, que a sua herdeira universal era a sua irmã D. Madalena da Silveira, casada com Manuel Henriques de Miranda.</p>
<p>Foi assim que a quinta passou a ser conhecida pela Quinta Nova do Miranda.</p>
<p>Passados 17 anos foi, finalmente, feita a trasladação dos restos mortais de Gil Vaz Lobo para a sua quinta de Odivelas. A lápide lá está ainda hoje, a comprová-lo.</p>
<p>O nome nela gravado é Gil Vaz Lobo Freire, mas ele não tinha o apelido “Freire”, embora esse fosse também um apelido da sua família. Em documentos oficiais nunca aparece o Freire.</p>
<p>Manteve-se a quinta, por heranças sucessivas, na posse dos Miranda Henriques, até que a última proprietária desta família a deu como garantia de um empréstimo, que não conseguiu pagar, vindo a ser comprada pelo senhor José Rodrigues Mendes, em 1879. Esta é a razão de lhe chamarem quinta do Mendes.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/nsenhora_montecampo.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-2529 alignleft" title="nsenhora_montecampo" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/nsenhora_montecampo-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a>A capela de N.ª S.ª do Monte do Carmo é hoje a recepção e a galeria de exposições da Biblioteca Municipal D. Dinis, onde podemos ver a lápide tumular, feita quando da trasladação. Os restauradores do edifício tiveram o bom senso da a conservar.  Parabéns a todos os que compreendem que restaurar é integrar e não eliminar.</p>
<p>A nossa identidade não subsiste sem memórias e um povo sem história é um povo sem futuro.</p>
<p>Maria Máxima Vaz</p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.<br />
</em></p>
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		<title>A  Quinta da Memória</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 19:48:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Património]]></category>

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		<description><![CDATA[O edifício que é hoje a sede da Câmara Municipal, em Odivelas, era um complexo habitacional composto de casas nobres, capela e alojamentos para os “servidores” que garantiam  aos seus proprietários todo o trabalho na quinta e ainda o serviço doméstico.
O brasão que assinala a entrada principal leva-nos a admitir que a construção das casas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 119px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz-150x112.jpg" alt="" width="109" height="81" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Maria Máxima Vaz</p></div>
<p style="text-align: justify;"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quinta_memoria.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2521" title="quinta_memoria" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/quinta_memoria.jpg" alt="" width="294" height="204" /></a>O edifício que é hoje a sede da Câmara Municipal, em Odivelas, era um complexo habitacional composto de casas nobres, capela e alojamentos para os “servidores” que garantiam  aos seus proprietários todo o trabalho na quinta e ainda o serviço doméstico.</p>
<p>O brasão que assinala a entrada principal leva-nos a admitir que a construção das casas nobres se deve a D. Rodrigo de Moura Teles, arcebispo de Braga entre 1703 e 1728.</p>
<p>Pertencia a famílias nobres. Era filho do 2.º conde de Val de Reis e capitão general do Algarve, Nuno de Mendonça e da condessa D. Luísa de Castro e Moura. O brasão, adornado com as insígnias de arcebispo, é dos Moura.</p>
<p style="text-align: justify;">D. Rodrigo nasceu em 1644. Estudou em Coimbra, e doutorou-se em Direito Canónico, vindo a ser Reitor em 1694. Desempenhou inúmeros cargos na corte e foi bispo da Guarda antes de ser sagrado arcebispo de Braga.</p>
<p>Por toda esta Diocese se encontram edificações atribuídas à sua iniciativa, como por exemplo a capela de S. Geraldo na Sé, onde está sepultado, a capela do Sacramento, no Paço Episcopal, a casa da Relação, a casa do Provisor, o Aljube, além de várias capelas em Braga e nas localidades da sua jurisdição, mas a sua maior obra foi o Bom Jesus do Monte.</p>
<p>Mandou, ainda, restaurar as torres da Sé Catedral, bem como o órgão.</p>
<p>Curioso é o chafariz construído no largo em frente ao Paço Episcopal. É obra de D. Rodrigo e o que o torna único é ter a configuração de uma fortaleza e ostentar os sete</p>
<p>Castelos  que são o ex-líbris da família Moura.</p>
<p style="text-align: justify;">Os projectos das obras de D.Rodrigo de Moura Teles, na cidade, eram da autoria do Coronel de Engenheiros, Manuel Pinto Vilalobos. Admito que tenha tido alguma intervenção nas obras da Quinta da Memória.</p>
<p>As casas desta quinta foram residência temporária dos seus sucessivos proprietários.</p>
<p>Entre 1742 e 1744 ou 1747, a Condessa deu aqui alojamento a Frei António dos Santos, durante o tempo em que se ocupou da construção do monumento do Senhor Roubado.</p>
<p>As Memórias paroquiais de 1758 referem-se à Quinta da Memória, de que era dono, nessa época, o Conde de Santiago, Aposentador – Mór, dizendo que tinha árvores de “fruta de caroço e de espinho”, oliveiras, vinha e terras de cultivo.</p>
<p>A sua extensão ia da Memória até ao ponto “onde o rio da Costa” se encontra com a ribeira de Odivelas. O Livro das Décimas de 1763 informa que, nesta propriedade, existiam casas nobres, (não deixando margem para dúvidas), que foram concluídas e habitadas.</p>
<p>Pelo que as ruínas do espaço exterior nos indicam, havia um jardim, o que era comum nessa época, e desse jardim existe ainda, quase destruída, uma construção semi cilíndrica, de pedra miúda, que eu acredito ter sido o que chamavam “casa de fresco”, lugar onde se recolhiam, estando no jardim, em horas de calor. Admito ainda, que poderia também ter sido uma fonte. Nas quintas que desse tempo se conservam, poderemos constatar a sua existência.</p>
<p>Reconstruir esta fonte, ou casa de fresco, só acrescentaria valor ao edifício dos Paços do Concelho. Ainda se podem observar os restos das canalizações que ali conduziam a água. É sempre de aplaudir a conservação do património, sobretudo quando tem qualidade, como é o caso destas edificações, que eram parte integrante dos jardins, e estes, parte integrante das casas de arquitectura nobre. Esta é a razão pela qual defendo a reconstrução desta fonte.</p>
<p>Não quero terminar sem dar mais uma informação: a capela era dedicada a Nossa Senhora da Conceição.</p>
<p>Na sacristia da igreja matriz, existe uma imagem de arte indo-portuguesa do século XVI, que só pode ter vindo da capela da Quinta da Memória. É N.ª S.ª da Conceição.</p>
<p>O Senhor Conde de Santiago, tinha muitas outras propriedades agrícolas em Odivelas, e era o maior proprietário, seguido dos Miranda Henriques, senhores da quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo e ainda de outras terras, como se pode verificar no Livro das Décimas de 1763.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.<br />
</em></p>
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		<title>Um proprietário de Odivelas no Séc. XVIII</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 19:09:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Odivelas]]></category>
		<category><![CDATA[Património]]></category>

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		<description><![CDATA[
Um título de Nobreza – Conde de Santiago
Um cargo na Corte – Aposentador &#8211; Mór
O Condado de Santiago de Beduído foi criado por D. Afonso VI ( carta de 12/11/1667), e foi primeiro Conde D. Lourenço de Sousa de Meneses.
O cargo de Aposentador – Mór é muito anterior. O Aposentador –Mór  mais antigo, de cujo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/brasao_memoria.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2515" title="brasao_memoria" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/brasao_memoria.jpg" alt="" width="294" height="265" /></a></p>
<div id="attachment_1733" class="wp-caption alignright" style="width: 136px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1733" title="MaximaVaz" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/MaximaVaz-150x112.jpg" alt="" width="126" height="94" /></a><p class="wp-caption-text">Dra. Maria Máxima Vaz</p></div>
<h3>Um título de Nobreza – Conde de Santiago</h3>
<h3>Um cargo na Corte – Aposentador &#8211; Mór</h3>
<p style="text-align: justify;">O Condado de Santiago de Beduído foi criado por D. Afonso VI ( carta de 12/11/1667), e foi primeiro Conde D. Lourenço de Sousa de Meneses.</p>
<p style="text-align: justify;">O cargo de Aposentador – Mór é muito anterior. O Aposentador –Mór  mais antigo, de cujo nome tive conhecimento, foi Nuno Furtado de Mendonça, no reinado de D. Afonso V (1438/1481). Era da responsabilidade deste, cuidar da acomodação da Corte, quando em deslocação pelo país, para cujo desempenho precedia, de um ou dois dias, o rei e seus acompanhantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Este cargo andou na família Mendonça Furtado, à qual pertencia, pelo lado paterno, o Arcebispo de Braga D. Rodrigo de Moura Teles, cujo brasão assinala a entrada principal da Quinta da Memória. Pertenciam à alta nobreza. A título informativo, direi que este D. Nuno Furtado de Mendonça era avô de D. Jorge de Lencastre, o filho bastardo de D. João II, que , por vontade de seu pai, teria sido rei. A mãe, filha de Nuno Furtado de Mendonça, era D. Ana de Mendonça, Comendadeira de Santos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o brasão da nossa quinta, pertencia à família materna do Arcebispo, os Moura Telles. É que tanto o brasão como os títulos do pai, pertenciam, por direito hereditário, ao filho mais velho, que não era ele.</p>
<p>Assim, esta propriedade, tanto pode ter vindo de um costado como do outro.</p>
<p>Vir à posse dos Condes de Santiago é mais fácil de explicar.</p>
<p>O nosso Arcebispo D. Rodrigo, tinha uma irmã, D. Luísa Maria de Mendonça e Távora, casada com o primeiro Conde de Santiago – D. Lourenço de Sousa e Meneses.</p>
<p>Como não tinha herdeiros directos, que eu saiba, admito que tenha deixado a quinta da Memória a esta sua irmã.</p>
<p>Até à primeira República, as mulheres não eram proprietárias dos seus bens, pelo que, o legítimo dono passou a ser o seu marido.</p>
<p>Um dos cargos de que era titular, era o de Aposentador – Mór. Como e porquê, não me foi ainda possível apurar. Pelas personalidades que o desempenharam, parece-me que não se manteve ligado a uma família em especial, até chegar aos Condes de Santiago, os Sousa/Meneses.</p>
<p>Por outra  irmã do Arcebispo, D. Maria de Ataíde, havia também laços de familiaridade com uma família ligada a Odivelas, os Miranda Henriques, uma vez que esta Senhora era casada com Luís Guedes de Miranda Henriques, morgado da Bacalhoa e XI senhor de Murça, da mesma família de José Joaquim de Miranda Henriques, rico proprietário em Odivelas, no século XVIII. São mesmo os dois maiores proprietários – um dono da Quinta da Memória, outro dono da Quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo.</p>
<p>A primeira, andava no posse do Aposentador-Mór, já em 1758, segundo palavras do Cura João Lopes Cardoso, que, nas Memórias Paroquiais a ela se refere nos seguintes termos:</p>
<p style="text-align: justify;">“O Rio desta terra tem a sua origem nas águas do inverno; começa a correr do lugar de Caneças da freguesia de Loures e entrando nesta de Odivelas vai continuando o seu curso pelo sítio da Ramada, passa por uma ponte de cantaria de um só arco, que fica por cima deste lugar onde chamam Vila Ladra, e correndo encostado ao muro da cerca das Religiosas deste lugar, e da Quinta de Sebastião de Vanderton, passa por outra ponte de lagedo&#8230;. e daí se vai juntar ao fundo da Quinta do Conde Aposentador – Mór com outro Rio que vem do sítio da Lage freguesia de Benfica&#8230;”. Por aqui podemos ter uma ideia da dimensão desta quinta.</p>
<p>No ano de 1763, pertencia a D. Lourenço de Sousa da Silva, 3.º Conde de Santiago e Aposentador – Mór do Reino, casado com D. Josefa de Noronha. Foi esta Condessa que deu ali alojamento ao frade António dos Santos, enquanto duraram as obras de construção do monumento do Senhor Roubado.</p>
<p>Confirmando a posse, no livro de registo das décimas, podemos ler o seguinte:</p>
<p>“ A propriedade do Conde de Santiago consta de Casas Nobres, devolutas, e a quinta que se compõe de pomar de espinho bordado de oliveiras avaliado tudo em quarenta e oito mil e duzentos réis; e terras de semeadura avaliadas em quinze mil e setecentos e cinquenta réis”.</p>
<p>Mas o Conde tinha outras propriedades em Odivelas :</p>
<p>-        um olival arrendado em seis mil réis ;</p>
<p>-        uma propriedade que consta de uma terra de semeadura, arrendada em dez mil réis;</p>
<p>-        uma propriedade que consta de um casal, sem casas e se compõe de terras de semeadura, arrendado em géneros;</p>
<p>-        outro casal sem casas, chamado do Vale do Mosteiro, arrendado em géneros;</p>
<p>-        propriedade que consta de casas e quintinha, que se compõem de pomar de pevide, terras de pão e oliveiras, arrendado tudo em trinta e oito mil e quatrocentos réis;</p>
<p>-        propriedade que consta de um casal que tem casas, tudo arrendado em géneros;</p>
<p>-        outro casal que tem casas, arrendado tudo em géneros;</p>
<p>-        uma propriedade que consta de uma terra arrendada em dois mil e quatrocentos réis;</p>
<p>-        uma propriedade que consta de uma terra arrendada a António Marques em mil e quinhentos réis;</p>
<p>-        uma propriedade que consta de uma terra arrendada em o Casal “cito” na freguesia de Loures, avaliado em dois mil e setecentos réis.</p>
<p>Eram importâncias avultadas para a época.</p>
<p>Neste ano de 1763, como fica dito, as Casas  Nobres da Quinta estavam devolutas. Na memória dos habitantes de Odivelas não existe recordação dos seus donos, o que denuncia muitos anos de abandono, que, por certo, conduziu às ruínas que nós conhecemos. Mas há muitos espaços vazios no nosso conhecimento sobre esta quinta. O trabalho do investigador não terminou. Não sei se um dia terminará. O que sei é que tem de prosseguir.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.<br />
</em></p>
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		<title>Odivelas</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 12:22:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Máxima Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Odivelas]]></category>

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		<description><![CDATA[Odivelas é uma cidade situada a norte de Lisboa, num território ocupado por povos muçulmanos, depois da reconquista cristã da Lisboa, em 1148.
Talvez tenham sido eles a dar o nome a este povoado, pois é formado por duas palavras árabes – “Odi” (rio), a primeira, e “belaa”, (remoinho) a segunda. As duas unidas, formaram “Odibelaa”, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ruas2.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2300" title="ruas" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/ruas2.jpg" alt="" width="237" height="162" /></a>Odivelas é uma cidade situada a norte de Lisboa, num território ocupado por povos muçulmanos, depois da reconquista cristã da Lisboa, em 1148.<br />
Talvez tenham sido eles a dar o nome a este povoado, pois é formado por duas palavras árabes – “Odi” (rio), a primeira, e “belaa”, (remoinho) a segunda. As duas unidas, formaram “Odibelaa”, que evoluiu para “Odivelas”. Traduzindo à letra, será, “Rio do remoinho”.<br />
A sua existência é anterior a 1183, pois nessa data já era paróquia eclesiástica.<br />
Distava nessa altura, cerca de 15 Km de Lisboa, mas actualmente apenas escassos metros as separam, sendo uma das povoações da chamada “Grande Lisboa”.<br />
Está ligada à capital por vias rápidas e pelo metropolitano.<br />
A maior parte do seu solo foi em recuadas épocas inundado pelos esteiros do Tejo, por onde navegaram embarcações, que foram os seus melhores meios de transporte para Lisboa.<br />
Durante toda a Idade Média, foi zona de veraneio da Corte, havendo aqui um paço real de que há notícias já no século XIII.<br />
Na propriedade real onde se situava esse paço, mandou o Rei D. Dinis, (6.º monarca português), construir um Mosteiro para freiras da Ordem de Cister. As obras começaram em 1295 e esse mosteiro ainda existe hoje, sendo um monumento do nosso património a visitar. Conserva ainda algumas partes da primitiva construção, mas a maior parte do edifício é o resultado de sucessivas reconstruções feitas ao logo dos séculos, depois de abalos sísmicos que nele causaram danos, sobretudo nos séculos XIV, XVI e mais que todos, o grande sismo de 1755.<br />
Muitas famílias nobres tinham na área do território de Odivelas, as suas quintas, que abasteciam os seus palácios de tudo quanto necessitavam para alimentar os comensais que neles viviam ou os frequentavam e ainda o numeroso séquito de servos que neles trabalhavam.<br />
As quintas de que chegaram memórias até nós foram a Quinta da Memória, de que se reconstruiu a casa senhorial, ocupada agora com a sede da Câmara Municipal, a Quinta de D. Gil Vaz Lobo, (governador de armas da província da Beira), onde se instalou a Biblioteca e a Quinta de Vale de Flores, propriedade da Coroa.<br />
Os campos de Odivelas sempre produziram alimentos para a população da cidade de Lisboa – cereais, carne, azeite, vinho, frutos, leite e seus derivados (queijo e manteiga), hortaliça e legumes secos (feijão e grão).     <br />
Com o crescimento da cidade de Lisboa a distância diminuiu e os habitantes de Odivelas, na sua grande maioria, trabalham na capital.</p>
<p><em>Maria Máxima Vaz</em></p>
<p>________<br />
<em>Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.<br />
</em></p>
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		<title>Retábulo Doceiro</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 12:56:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Odivelas.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Mosteiro S. Vicente]]></category>
		<category><![CDATA[Odivelas]]></category>
		<category><![CDATA[Convento S. Dinis]]></category>
		<category><![CDATA[Património]]></category>

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Mas o mosteiro não é só conhecido pelos escândalos amorosos das suas habitantes com os governantes de Portugal e seus iguais. O Convento de Odivelas tem uma história rica em doçaria como todos os conventos, onde as freiras se debruçavam na confecção de &#8220;divinos&#8221; manjares dignos de Deuses e Reis&#8230;. e também dos fidalgos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" rel="attachment wp-att-397" href="http://odivelas.com/2010/01/16/retabulo-doceiro/roda_mosteiro/"></a></p>
<div id="attachment_397" class="wp-caption alignleft" style="width: 278px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://odivelas.com/wp-content/uploads/roda_mosteiro.jpg"><img class="size-full wp-image-397" title="roda_mosteiro" src="http://odivelas.com/wp-content/uploads/roda_mosteiro.jpg" alt="" width="268" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Roda no Mosteiro de S. Dinis</p></div>
<p style="text-align: justify;">Mas o mosteiro não é só conhecido pelos escândalos amorosos das suas habitantes com os governantes de Portugal e seus iguais. O Convento de Odivelas tem uma história rica em doçaria como todos os conventos, onde as freiras se debruçavam na confecção de &#8220;divinos&#8221; manjares dignos de Deuses e Reis&#8230;. e também dos fidalgos que frequentavam os famosos outeiros!<br />
&#8220;Estes concursos de poemas também se realizavam no pátio do convento por algumas ocasiões de algumas festividades, ali traindo grande número de fidalgos que depois eram obsequiados com deliciosas doçuras conventuais&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Portugal é o pais da Europa com a mais rica doçaria e foi grande a importância dos Conventos nesta arte requintada. O mosteiro de Odivelas foi um dos maiores &#8220;contribuintes&#8221; para esta riqueza.</p>
<p>&#8221; O Convento de Odivelas foi, sem dúvida, um dos maiores retábulos doceiros do País. As suas especialidades em confeitaria e doçaria têm tradição&#8221;, com destaque para:</p>
<p>- Os Suspiros<br />
- Raivas<br />
- Tabefes<br />
- Esquecidos<br />
- Fartens<br />
- Cuvilhetes de abóbora<br />
- Mimos<br />
- Pasteis de Nata<br />
- Marmelada<br />
- Outros</p>
<p>&#8221; A doçaria de Odivelas, primorosamente preparada, passava na roda da portaria com muita satisfação para quem a comprava, de quem a confeccionava com amor e arte e de quem a vendia.&#8221;<br />
&#8230;&#8221; Há uma livro de receitas conventuais composto por três cadernos manuscritos pela última freira de Odivelas, Madre Carolina Augusta de Castro e Silva, nascida em Lisboa,a 11 de Janeiro de 1816, e falecida em Odivelas em 1909, cuja pedra tumular se encontra actualmente na sala do Capítulo.&#8221;</p>
<p>In &#8220;O Mosteiro de S. Dinis de Odivelas&#8221; retirado de In &#8220;O Mosteiro de S. Dinis de Odivelas&#8221; de Virginia Paccetti pp 82-83<br />
 <br />
 <br />
Exemplo da tentação que tanto os dotes de sedução e os doces feitos pelas monjas de Odivelas, causava mesmo entre os monjes é esta ladainha inserida numa das orações, sendo longa e repleta de pedidos de ajuda ao Divino por protecção e ajuda contra a tentação &#8220;Deste sexo sem lealdades, que professaõ sem ter fée&#8230;&#8221;</p>
<p><em>&#8220;Ladaínha dos Freyraticos&#8221;</em></p>
<p><em>&#8221; Que fujamos sempre dellas,<br />
que zombaõ, sem para ellas<br />
haver forca, nem algoz &#8230;&#8230;<br />
&#8230;&#8230;Te rogamos, audio nos.<br />
Que para nos naõ emfadar,<br />
naõ nos deixes enganar<br />
com pratos de doce arroz&#8230;..<br />
&#8230;&#8230;Te rogamos, audio nos.&#8221;<br />
&#8230;..<br />
&#8220;Ouvi vozes taõ sentidas,<br />
E livrainos de freyras taõ garridas.&#8221;</em><br />
&#8220;Quem compoz esta ladainha era frade, decerto; ninguèm como elles conhecia o assumpto.&#8221;</p>
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